
(...)
sempre quando vou, e quase nunca vou, a palestras, congressos, conferências, mesas, seminários, painéis, bancas, aula inaugural, vernissage, exposição, lançamentos e outros encontros sonolentos, bebo, antes, uma cachaça com limão ou um café com conhaque, (se estou no Brasil), ou grappa, caffè-grappa (se estou na Itália), e fico torcento pelo apocalipse nos aparelhos de som, de filmagem, d...e luz, enfim, pelo caos em todo o cenário, pelo sumiço dos papéis preparados para leitura e, por fim, pelo desaparecimento dos palestrantes, congressistas, conferencistas, oradores e artistas "power point", a fim de que surjam, do meio das cadeiras, do público, dos corredores, por detrás das cortinas, Poetas, Poetas de verdade, que simplesmente abram sua alma, seus olhos, sua boca e levem, todos, a um estado anárquico de arrepio, dança e gozo multifacetado (...)
(c) Pietro Nardella-Dellova, in Lettera di Viaggio, 2012
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