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ברוך ה"ה







lunedì 6 febbraio 2012

א־י (alef-yod) POESIA E TERNURA PARA A MULHER AMADA

immagine dell'opera di Roberto Ferri, Italia




א־י

POESIA E TERNURA PARA A MULHER AMADA
(de Alef a Yod)
Pietro Nardella Dellova
א
Que coisa Linda:
Uma mulher sentada ao Sol
Com seus cabelos
Reluzindo
A graça de um dia feliz!
ב
As mulheres, ah, as mulheres...
São seres perfeitos e jamais morrem,
Possuem almas dentro dos corpos
E nas vozes trazem a paz – a serenidade;
E nos olhos o encanto – são caminhos;
Estranhos caminhos os olhos femininos!
E nos lábios o fogo – chamas que se não apagam;
E nos seios o aconchego – sono tranqüilo,
E o delírio assaz – sede e procura.
As mulheres, ah, as mulheres...
São seres que jamais morrem
Possuem almas dentro dos corpos
E nas mãos a magia dos carinhos
(indelével graça, indelével sonho)
E em todos os corpos uma dança
(melodia humana e suave poesia)
Como se fossem instrumentos afinadíssimos
Criando sons harmônicos e constantes.
As mulheres, ah, as mulheres...
São seres que jamais morrem
E possuem almas dentro das almas
Que lhes deixam certas de que haverá,
De que sempre haverá – desesperado –
Um poeta amando apaixonadamente
A cada uma delas com poesia e graça.
ג
Sou o homem que o perfume leva
E busca a mansidão nos gestos,
Sou aquele que desfaz toda treva
Dos olhos de seres puros e infestos.
Sou o homem que admira a beleza
E se encanta com facilidade,
E sabe onde está a poesia e leveza:
Presa e oculta na meia idade.
Sou o homem que a tudo enxerga
Que a tudo ama, e que a tudo liberta,
E diante do olhar terno se enverga
E diante do carinho deixa a porta aberta.
Sou o homem despreocupado com sentenças
De qualquer natureza, de qualquer sociedade:
E se se conhece amor, não importa a crença
Que cria: o amor é verdade!
Sou o homem que ama a mulher bela
E decidiu seguir sempre por esta direção
E que a afaga com ternura e vela
Com seu brilho a constante inspiração.
ד
Na sua boca vermelha tenho o gosto
Da poesia, e da maciez do seu rosto
O enlevo ao mundo dos carinhos todos...
Nos olhos a simplicidade dos mistérios
Encontro, e da fala os refrigérios
De que a alma necessita sempre...
São seus gestos, e seus modos. Seu perfume.
Que me fazem viver o tempo inteiro
Desejando a poesia
E pensando como seria amar completamente
Sem o tempo perdido no queixume
Sem as loucuras de um mundo doente...
ה
Os olhos da mulher que ama
Insinuantes e graciosos,
Os amorosos versos do seu rosto
E o gosto de estar com ela...
Os olhos da mulher que ama...
E cante-se alto este poema!
E esprema-se o cérebro de ânsia
E a infância se despeça aos gritos
Destes mitos que se formam
E tomam os atos espontâneos...
Que olhos! Os olhos da mulher que ama
Que tanto dizem aos vazios
E sabem quando chego ansioso
E sabem quando parto triste...
São olhos de mulher que ama
Os olhos da mulher que ama,
Que brilham, lânguidos e fitos,
Ao meu toque e traduzem
A poesia do corpo e alma
Quando piscam e reluzem.
Os olhos da mulher que ama
São grandes feito céu
E de tão grandes que se fazem
Adentrei pelas pupilas
Dilatadas com todos os meus versos.
ו
Não durma agora
Antes de ter certeza
De que viveu este dia
Na plenitude e na intensidade,
Porque este dia não renasce,
E não retorna, e não se faz novo;
Este dia desaparece
Para outro dia nascer,
Mas, como viver o outro dia
Se não viveu este com graça?
Não durma agora,
Apenas, porque todos
Dormem agora,
Porque disseram que agora
É a hora de dormir...
Não!
Não durma agora
E tenha certeza plena
De que viveu esta vida plena
Na plenitude deste dia pleno.
ז
Vem cá,
Sente-se de qualquer jeito e sem pressa
E sinta cada segundo terno do meu olhar
Acreditando em cada lágrima que escorrer;
Não se apresse, e não se preocupe,
E não envelheça sem viver estes instantes
E não passe este dia insensivelmente
Sem descobrir por que ele existe...
Sente-se aqui e recline-se sobre o meu lado
E direi o quanto vale a amizade e o beijo
o quanto vale a voz sincera enternecida
E descobrirá, jubilosa, o que é o agora...
Vem cá,
Sente-se de qualquer jeito e sem pressa
E conduzirei você à estranha sensação
De ser gente.
ח
É bom quando se recebe
Um café com carinho
Um doce com carinho
Um beijo com carinho
E a própria espontaneidade
Revestida de carinho pleno
(e é bom todas as cousas)
Que se recebem com carinho
E as que se fazem simples
Com carinho simples...
Ninguém sabe destes carinhos
Como dilatam a própria alma
E enchem espaços vazios e tristes
Com a luminosidade do encanto
(a graça da própria graça plena)
Ninguém sabe destes carinhos
Por que tão profundamente atingem
Lugares inacessíveis ao pensamento
E atingem regiões desconhecidas
E dali simplesmente refulgem...
ט
Mulher, amo!
E disso tenho a plenitude...
Venha a esta fonte de calor e afagos,
De poesia que não questiona,
Retirar o seu mantimento e braço terno
Para sentir um prazer sem termo...
Não traga amor se não tiver
Nem presentes para a troca
Nem sua paga...
Não traga a reciprocidade
Nem agradeça ao sair, apenas,
Calada, traga seu vaso
Para enche-lo neste transbordamento
E não pergunte se é estranho
Eu ter amor incondicional...
י
Há em mim um homem
Em cuja mão está a bênção
-a unção do Universo-
A busca do intenso verso
Tresloucado e liberto
Em que pensam
Os caminhantes de sonhos...
Há em mim um peito aberto
De remoto tempo amante
Das cousas estranhas e pequenas
Da vida mais distante,
Que tanto se abre amiúde
Que tanto recebe
E mitiga
E afaga
E ilude...
Há em mim um homem apenas
De lágrimas constante
E sorriso incompleto
Que busca incessante
A porta que se abre ao infinito,
O grito que vibre
O espaço deserto
E o encha de sons
E flores
E amores,
Muitos amores
Muitíssimos amores!
.................
Sou uma voz na madrugada
Que não busca a amada tão-somente.
Esta voz misturada à lágrima
Que grita
Aflita
Sem descanso,
Busca o Eterno!

*
© Pietro Nardella-Dellova, in VARIOS LIVROS (Livraria Cultura)

*
© copyright do autor
© Estes textos foram publicados, originalmente, nos meus Livros:
AMO” (1989)
NO PEITO HÁ UMA PORTA QUE SE ABRE" (1989)
"ADSUM" (1992),
FIO DE ARIADNE” (1994),
A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS” (2009)
Pelas Editora L & S e Editora Scortecci, 1989-1992
(Livraria Cultura)

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