alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







giovedì 29 marzo 2012

DIREITO DO BOTECO PARA O BOTECO


DIREITO DO BOTECO PARA O BOTECO

(...)
É preciso abrir valas para construir algum alicerce da sociedade crítica e consciente. Buracos profundos que não se fazem pela repetição de páginas sebosas, de um Direito estranho ao ser humano, de um sistema consagrado pela aristocracia ateniense e tardiamente romana e que, não importa a roupagem, aparece e se impõe sempre;

Então, vamos a fundo, com sulcos verticais, calando Homero e dando voz a Hesíodo, desnudando Themis e convidando Dikè ao café.

Voltemos aos arados dos agricultores para descobrir que ali o pão e o direito se constroem cotidianamente! Voltemos à foice, mas, desta vez, para destruirmos o trono e não simplesmente trocarmos a bunda que se assenta sobre ele. Bundas são sempre bundas, de qualquer cor e, uma vez acomodadas sobre o fino tecido dos tronos, tornam-se bundas opressivas e perversas.

Professores devem ser proibidos de usar terno e gravata. Suas mesas, destruídas e as lousas pregadas em todas as paredes. As carteiras devem ser espalhadas pela sala. Morte à sala-igreja jesuítica! Morte ao conceito do professor-sacerdote, missionário, curandeiro! Criemos a sala-oficina e o professor artesão, criativo, poeta, louco, alucinado, crítico, de língua solta. E, criemos, ainda, o aluno artesão, criativo, poeta, louco, alucinado, crítico, de língua solta. E todos em encontro dialógico! Morte ao desencontro retilíneo!

Morte ao conceito "resumo", "sinopse", "resumão" e outros materias de emburrecimento! Morte ao "processo de advocacialização" dos Cursos de Direito! Morte ao conceito aula-show! Morte ao conceito de aula "PowerPoint" com pó-de-arroz e cocô da madrugada! Morte ao "processo de fakerização" da Educação!

Alunos humanos, libertos, libertários! Professores humanos, libertos, libertários!

Aula de pátio, grama e, às vezes, cama. Direito cotidiano, do boteco, para o boteco!
(...)

Pietro Nardella-Dellova, in ENSINO JURÍDICO e EDUCAÇÃO JURÍDICA, trecho do texto para o Congresso Internacional de Direito Alternativo, Florianópolis, 2011.


* imagem acima da pintura de Gustav Courbet
*
*

domenica 25 marzo 2012

OKAY, QUANDO ARRIVARE (okay, quando chegar)


OKAY, QUANDO ARRIVARE

(...)
Okay ... Va bene...
quando arrivare,
non mi dica niente sulle carte di credito,
non vieni a me parlando sulle marche automobilistiche,
neanche dei viaggi a settimana,
viaggi per guardare i monumenti
e fare delle fotografie: non sono necroforo...

non vieni a me parlando di shopping
e della felicità commerciale:
non voglio saper nulla della tua irrequietezza
e dell’orgasmo
quando acquistare una cosa
o strumenti tecnologici
del dio mercato!

non m’importano nulla i discorsi sulla bandiera nazionale,
e mai – mai - venire a me parlando delle verità religiose
(una bugia storica)
o degli spiriti dei dannati,
del purgatorio,
degli dèi che diventarono uomini nella mitologia medioevale
e degli uomini che diventarano dei,
né dell'inferno,
e tanto meno del paradiso per i lunatici ...

non mi dica niente sulla sinistra del culo sporco – fatto ai cani!
ed ancor meno,
della destra del culo, mani, lingua, piedi e l’anima, così, sporchi...

quando arrivare vicino,
molto vicino a me,
porta l'anima pulita,
e la partitura in mano,
una carta graffiata con alcuni versetti,
un po’ scarabocchiata...
portami un pennello con l'inchiostro ancora fresco,
portami un disegno, un schermo, un dipinto, una scultura;

e non vieni a me camminando o marciando:
mostrami i tuoi passi di danza,
una grande bocca pulita con la giustizia
e la tua lingua per parlare,
il tuo fiore per baciare
e una bottiglia di cognac per dialogare!
(...)

Pietro N Dellova, in ERGA OMNES, 2012
*
*
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OKAY, QUANDO CHEGAR

(...)
Okay ... tudo bem...
Quando chegar
Não me diga nada sobre cartões de crédito,
não venha falando sobre marcas de carros,
nem de viagens de uma semana,
viagens para ver monumentos
e fazer fotografias: não carrego mortos...

não venha falando de shopping
e da felicidade comercial:
não quero saber nada sobre sua agitação
e orgasmo
quando comprar uma coisa
ou aparelhos tecnológicos
do deus mercado!

Não me interessam em nada os discursos sobre bandeira nacional,
e nunca – nunca – venha falando das verdades religiosas
(uma mentira histórica)
ou dos espíritos danados,
do purgatório,
dos deuses que se tornaram homens na mitologia medieval
e dos homens que se tornaram deuses,
nem do inferno,]
e, muito menos, do paraíso para os lunáticos...

não me diga nada sobre a esquerda da bunda suja – feita aos cães!
e, menos ainda,
da direita da bunda, mãos, língua, pés e a alma, assim, sujos...

quando chegar perto,
muito perto de mim,
traga a alma limpa,
e a partitura na mão,
um papel escrito com alguns pequenos versos,
um pouco rabiscado...
traga-me um pincel ainda com tinta fresca,
traga-me um desenho, uma imagem, uma pintura, uma escultura;

e não venha caminhando ou marchando:
mostra-me os teus passos de dança,
uma grande boca limpa com a justiça,
e a língua para falar,

e venha com a língua para beijar
a tua flor para beijar
e uma garrafa de conhaque para dialogar!
(...)

Pietro N Dellova, in ERGA OMNES, 2012

mercoledì 14 marzo 2012

da POESIA ou CONVERSA DE CORREDOR UNIVERSITÁRIO


DA POESIA ou
CONVERSA DE CORREDOR UNIVERSITÁRIO

(...)
Mas, quando pensar na pérola, vencerá o medo, e a Poesia se intensificará em seu corpo e lhe dará vida. Seus poros respirarão dentro das águas profundas.
Não é uma lição – e fogo de vida e intensidade! O Poeta não ensina – o Poeta vai! Ele leva você a ver do alto, a voar alto, a mergulhar, a mergulhar ao fundo.

Quer a lição ou o vôo? Quer o conceito ou o mergulho?

A mágica da Poesia é receber asas de águia, para voar alto – quer? E receber fôlego, para mergulhar como o Poeta ao fundo, e encontrar pérolas – quer, também?
Então, se você ouvir a Poesia e descobrir de que são formados os beijos do Homem-Poeta, descobrirá a Poesia-Mulher, e pedirá para voar alto, bem alto. E para ver as pérolas que lhe fazem falta ao fundo, se vencer o medo do profundo.

Enquanto a noite não vem, desenharei as asas que erguerão você ao alto, para o bem alto. E juntarei o ar de que precisa para o mergulho.

Sabe mergulhar? Tem fôlego para ir ao fundo, onde apenas seres de verdade se encontram e se descobrem, onde pérolas se fazem com o ritmo do tempo sem pressa e sem contas?

Porque a Poesia fará bem em qualquer tempo – hoje e amanhã. O passeio na intensidade poética amadurece e robustece qualquer pessoa. Porque o Poeta tem o amor mais doce, o amor mais puro, o amor mais delicado, o amor mais inocente, o amor mais liberto e intenso – o amor-suavidade! O amor do Poeta é o amor que humaniza!

Darias um café com espuma de leite a este poeta?
(...)

Pietro N Dellova, in A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS, Ed. Scortecci, 2009, pág 61-78
*

lunedì 12 marzo 2012

il DIRITTO che CONOSCO - e RICONOSCO (o direito que conheço - e reconheço)




IL DIRITTO CHE CONOSCO E RICONOSCO
(lezioni preliminari di Diritto Civile)

Il Diritto che conosco – e riconosco, è da non confondere con la legge, anche se la legge può essere un riferimento. Perché il Diritto che conosco - e riconosco, è superiore alla legge, è dinamico, vivo, di ogni giorno e, sempre, costruito da un processo interpretativo duro e critico.

Il Diritto che conosco – e riconosco, non c'è niente di naturale. non è naturale (neanche potrebbe essere). Non c'è nemmeno un soffio della natura. Il Diritto che conosco – e riconosco, si crea tra l'incudine ed il martello, di falci e zappe. Si è seminato, coltivato, raccolto, picchiato, lasciato sulla terra, scosso, imballato, da gridare, dei lamenti, setacciato, combattuto, sudato, acido: il pranzo al sacco. È Diritto dialettico, materiale, reale, senza dio né religione, anarchico, umano, della strada, dell'angolo, della piazza, del vicolo, il vicolo nella baraccopoli, dell'affitto (con falso indumento di prestito), anti-capitalista, anti-interessi, anti-latifondo, anti-sanguisuga, anti-vampiro, dell’affetto (anti-istituto), anti-sacramento, operaio, scopato, alterato, odorando sangue calpestato, delle ossa rotte, dei cadaveri trascinati, nascosti, rinnegati. È il Diritto comune per tutti, Diritto creato-distrutto-ricostruito-ricreato!

Il Diritto che conosco – e riconosco, è libertario, storico, critico, plurale, è della vita quotidiana per tutti – mai naturale!

Pietro N Dellova Pietro, in Introduzione al Diritto Civile, 2012
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O DIREITO QUE EU CONHEÇO - E RECONHEÇO
(aulas preliminares de Direito Civil)

O Direito que eu conheço – e reconheço, não se confunde com a lei, embora a lei possa ser uma referência. Porque o Direito que eu conheço – e reconheço, é maior que a lei, é dinâmico, vivo, cotidiano e, sempre, construído a partir de um duro processo interpretativo e crítico.

O Direito que eu conheço – e reconheço, não tem nada de natural, não é natural (nem poderia sê-lo). Não há sequer um sopro de natural. O Direito que eu conheço – e reconheço, é criado entre bigorna e martelo, entre foices e enxadas. É semeado, cultivado, colhido, batido, derriçado, abanado, ensacado, gritado, gemido, peneirado, lutado, suado, azedo: direito de marmita. É Direito dialético, material, real, sem deus, irreligioso, anárquico, humano, da rua, da esquina, da praça, do beco, da viela, da viela do cortiço, do aluguel (com falsa roupa de comodato), anti-capitalista, anti-juros, anti-latifúndio, anti-sanguessuga, anti-vampiro, do afeto (anti-instituto), anti-sacramento, operário, fodido, resistido, com cheiro de sangue pisado, com ossos quebrados, cadáveres arrastados, escondidos, renegados. É direito comum, para todos, direito criado-destruído-reconstruído-recriado!

O Direito que conheço – e reconheço, é libertário, histórico, crítico, plural, cotidiano e em nada, nunca, natural!

Pietro N Dellova, in Lições Introdutórias de Direito Civil, 2012
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foto: * foto in classe, Aripuanã, Progetto Diritto in Amazzonia, 2010
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sabato 10 marzo 2012

La LINGUA DELLA DONNA DEI MIEI VERSI, LA DONNA CHE AMO (voce di Paolo Filippi)




LA LINGUA
DELLA DONNA DEI MIEI VERSI

(...)
la donna dei miei versi
possiede una lingua,
una grande lingua,
una lingua senza manette,
una lingua bagnata in schiuma;

la donna dei miei versi,
la donna che amo,

parla sette lingue,
in sette mondi,
in sette universi
ed in sette amori ad un minuto...

la donna che amo
ha una lingua
che non proferisce preghiere
o bestemmia,
solo il rumore umano
e la sento sulla piazza,
ai sindacati,
ai congressi
ed in Internazionali:

nessuno la chiude
neanche il dio dell'amore
nemmeno la mia poesia:

e all'intero abbraccio
continua a parlare
con voce di chi decide;

questa donna
che amo nei miei versi

possiede una lingua
libera
rossa
pazza
ed anarchica!
(...)

Pietro N Dellova, in SCARPE DA DONNA, 2012

*
*
*
A LÍNGUA
DA MULHER DOS MEUS VERSOS

(...)
A mulher dos meus versos
Possui uma língua,
uma grande língua,
uma língua sem algemas,
uma língua banhada em espuma;

a mulher dos meus versos,
a mulher que amo,

fala sete línguas,
em sete mundos,
em sete universos
e em sete amores de um minuto...

A mulher que amo
Tem uma língua
Que não profere rezas
Nem blasfêmias,
apenas o rumor humano
e eu a ouço nas praças,
nos sindicatos,
nos congressos
e nas Internacionais:

ninguém a cala
nem mesmo o deus do amor
e nem ainda a minha poesia:

e no abraço completo
continua a falar
com voz de quem decide;

esta mulher
que amo nos meus versos

possui uma língua
liberta
vermelha
louca
e anárquica!
(...)

Pietro N Dellova, in SCARPE DA DONNA, 2012

venerdì 2 marzo 2012

PRIMEIRA LIÇÃO DE DIREITO CIVIL AOS MEUS NOVOS ALUNOS DA FACULDADE DE DIREITO



PRIMEIRA LIÇÃO DE DIREITO CIVIL
AOS MEUS NOVOS ALUNOS
DA FACULDADE DE DIREITO

(...)
Entendam uma coisa, aliás, quatro, fundamentais, únicas e para sempre:

1) Nunca, nunca mesmo, respondam religiosamente às questões civis. A resposta religiosa não interessa, em nada, ao mundo do Direito Civil;

2) A vida íntima de uma pessoa é inviolável, de modo retumbantemente ‘erga omnes” e nada pode expor tal intimidade, nem o céu, nem o inferno, nem o judiciário, nem ninguém;

3) Direitos civis são aqueles direitos que interessam a todos, que abarcam a todos, que alcançam a todos, não por tolerância (que é uma palavra idiota, mesquinha e arrogante) mas, por respeito civil, comum, humano;

4) Em quaisquer situações no âmbito do Direito Civil, pleiteiem e decidam pela “pessoa natural” e nunca, nunca mesmo, pela “pessoa jurídica” ou por quaisquer institutos inertes, patrimonialistas e sem vida;
(...)

Pietro Nardella Dellova, 2012, Aula de Direito Civil


foto: aula Faculdade de Direito da USP, em 2010