alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







lunedì 29 ottobre 2012

Foice

FOICE
(...)
Tens medo desta imagem?
Conheces a história do teu país?
Conheces a história das sesmarias?
Tens conhecimento da imigração italiana?
Já lestes alguma coisa sobre latifúndio?
Sabes algo sobre o trabalho escravo (ontem e hoje)?
Sabes o que significa reforma agrária?
Tens notícia, qualquer notícia, do que seja a justiça rural e social?
 
Não tenhas medo desta imagem - é uma imagem apenas!
Tens medo?
Parece viva, em movimento diante dos teus olhos?
Parece sonora?
Ouves o ferro?
 
Não tenhas  medo desta imagem!
 
Porém, tenhas medo do que o ser humano pode realizar quando ele se descobre deveras humano e resolve, finalmente, lutar pelo seu direito de ser gente, caso tenhas sido tu o usurpador deste direito e o destruidor deste sonho!
 
Outrossim, tenhas apenas medo quando ele resolver sair da caverna, caso sejas tu - e teus pares - os responsáveis por bloquear as passagens, fechar as portas ao sol e impedir o acesso à vida plena!
 
Tenhas medo, finalmente, se ele resolver erguer-se e sair do chão, escapar à humilhação e roubo, caso sejas tu aquele que pisa e aquele que, no contexto de Proudhon, é o ladrão e o assassino.
 
Então, neste caso, realmente, deves temer esta foto e o que ela representa, porque não poderás fugir desta força, desta energia, deste despertamento,
deste homem que sai, assim,
do barro,
para ser alma vivente!
(...)

Pietro Nardella-Dellova, in trecho "Reforma Agrária e Libertação", 2009
 
 
foto by Sebastião Salgado (Movimento dos Sem-terra)

ARAME FALADO, de Marcus Fabiano Gonçalves

Convite para o lançamento do livro
 
ARAME FALADO
de
Marcus Fabiano Gonçalves
 
4 dezembro, 2012, 19h
Rio de Janeiro

venerdì 26 ottobre 2012

MERDA & FAKE

         MERDA & FAKE

Sabes o que é sofrimento?
Sabes o que é choro, dor, fome, sede, peste, sujeira, mosca, abandono, rato, exclusão, morte emocional e intelectual, violência doméstica?
Sabes?
Sabes o que é começar um dia, manter-se nele e terminá-lo como escravo, sem nenhuma perspectiva?
Sabes?
Sabes mesmo o que é estar - e existir - em um país que jura pelos seus deuses, pelos seus demônios, pelas suas trindades, pelas suas macumbas, pelos seus grupos de oração, pelos seus exorcismos, pelas suas passarelas, pela sua Constituição, enfim, por tudo, formalmente, que não é preconceituoso nem injusto, nem racista, nem bairrista, nem colonial, nem provinciano, quando, por desgraça, salta aos olhos, escorrega por entre os dedos, pelos cantos da boca, pelos botecos, pelas cotas universitárias, pelas condenações, prisões e vias públicas que é, vergonhosamente, preconceituoso, injusto, racista, bairrista, colonial e provinciano?
Sabes?
Sabes o que é favela? Porrada policial? Despejo? Reintegração de Posse? Enchente? Homofobia? Clínica clandestina de aborto? Macas nos corredores hospitalares?
Sabes?
Sabes o que é dente cariado, quebrado, carcomido?
Sabes?
Sabes o que é - e o que deveria ser - a justiça social?

Enfim, sabes alguma coisa para além da tua estultícia cotidiana e acima - além - da tua mediocridade pós-graduada? Sabes algo além das tuas babaquices teológicas e religiosas, das tuas troquinhas de mensagens virtuais no meio das aulas e congressos, das tuas colinhas entre as pernas, das tuas conversinhas de vento no corredor universitário, dos teus encontros maledicentes, do teu “cansaço e irritação” por ficar meia hora no congestionamento dos grandes centros urbanos (enquanto milhões esperam - e esperam - a sorte de um trem fedorento)? Sabes alguma coisa para além deste teu real desprezo pelo social e pelas pessoas?
Sabes?

Sabes o que é trabalho escravo, hoje? Sabes o que é dívida histórica com os negros? Sabes o que é povo indígena destruído a cada avanço dos devastadores da floresta? Sabes o que é desmatamento? Sabes o que é transporte coletivo, onde todos esmagam - e fodem - todos?
Sabes?

Não? Não sabes?
Va bene, és um merda, um fake, o adubo dos opressores, a garantia dos corruptos, a razão dos ditadores, um boneco sem começo nem fim, cuja voz aborrece até mesmo os espíritos do universo...
 
         Pietro Nardella-Dellova, in "Merda & Fake", 2012

                                           "Criança Morta", de Candido Portinari