alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







venerdì 1 marzo 2013

239 VIDAS (PRÓ, PRÉ & PÓS)


239 VIDAS (PRÓ, PRÉ & PÓS)

Há alguns assuntos que, como defesa emocional, gostaríamos de esquecer ou, ao menos, deixar do lado! Santa Maria é um deles! Todos acompanham, com a mesma emoção de ver BBB ou novela, as notícias que surgem, vez ou outra, das terras gaúchas!

Alguns, religiosos fundamentalistas, dizem que a mão de “deus” pesou sobre aqueles jovens obscenos! Outros, menos fundamentalistas, mas, ainda, religiosos, dizem que os 239 jovens encontraram a paz eterna nos braços de Jesus ou da Virgem Maria. Seja em purgatórios ou no paraíso, a ordem é: “oremos”!

E, muito embora estes artifícios religiosos sirvam para alguma coisa (menos purgatório e paraíso), é preciso avançar um pouco mais na análise do fato tão chocante e perturbador e, sem dúvida, no seu contexto determinante! Em tempo. Fica difícil, mesmo para um ateu convicto, não dizer “deus te abençoe” ao se dirigir a uma mãe que tenha perdido sua filha ou filho naquele matadouro!

Eu disse matadouro! O Brasil cresceu muito, muito mesmo! Não me refiro ao seu crescimento de “bolha” econômica, ou seja, de um “crescimento” na ordem econômica para o qual fez pouco ou nada e que, geralmente, é papel! O Brasil não recebe frutos de seu trabalho, porque não trabalha - ele desfruta, na ordem econômica, da árvore ou ventos alheios! Também, não me refiro à “grande e insuperável” safra de grãos de 2013. São grãos latifundiários cujo preço fica por conta da devastação florestal, do trabalho escravo, da destruição da agricultura familiar e, cujo resultado, interessa apenas ao latifundiário! Após uma grande safra, o latifundiário fica ainda mais rico, concentra ainda mais riquezas (de fazer vergonha ao direito ambiental) e, pelo caminho, uma frota de caminhões parados, favelas crescentes e estradas esburacadas!

O Brasil cresceu em número populacional! É isso, apenas isso! Mas, não cresceu em consciência cidadã, não cresceu em Administração Pública, não cresceu em respeito ao Erário. Mantém-se o mesmo modo de pensar do funcionário público pré e pós 1822, apadrinhado pelos monarcas portugueses (incluindo Pedro I e II), quando o Brasil tinha alguns milhares de “brasil-eiros” e, mendigando, alguns milhões de “brasilianos e brasilienses”! Hoje, todos eles estão unidos pela “cegueira patriótica” e, embora, seja um todo indivisível dos três tipos, é, não obstante, reconhecível o “brasil-eiro” ufanista de glórias e escórias latifundiárias!

Pois bem, é esta “máquina” pública emperrada, esta bagunça administrativa – e legal, esta irresponsabilidade do agente público, esta fome e sede insaciáveis por ruminar, comer e beber (às babas até sair pelas narinas e ladrão) o dinheiro público (sangue de todo cidadão). Este estelionato feito de “eleições democráticas”, esta desfaçatez de quem quer que, devendo morrer, não morre para não largar a cadeira do Senado ou quaisquer “banquinhos” do Parlamento, Assembléia ou Câmara dos Vereadores, somadas a um estado de torpor, ópio e anestesia populares, que resultam, finalmente, em hospitais tipo pré-IML, Bombeiros pró-fogo, pró-afogamento e pró-IML, Fiscais Pró-propinas, pró-cafezinhos, pró-ingresso-gratuíto-para-o-jogo-de-futebol-ou-show-universitário-sertanejo, Prefeitos pré-Eleições e pró-abandono.

O Brasil é pró-morte!

No mais, a grande massa que, sem pensar nem refletir, avança para lugares de concentração, não sabe – nem tem condição e discernimento para saber que ali, ali mesmo, está não em divertimento ou entretenimento, mas em estado de fila de um matadouro.

E, quando morrem, deixam atrás de si, além de saudades inconsoláveis de seus familiares, orações de seus amigos, reflexões de ateus e seus corpos vendidos ou exumados, o mesmo perpétuo funcionário público de qualquer nível, área e pasta, um tanto incontido, famélico, sequioso e, visivelmente desejoso de que rapidamente terminem os funerais, as rezas e cerimônias, a fim de erguer e manter novos matadouros para novas – novíssimas – 239 vidas!

© Pietro Nardella-Dellova, Poeta e Professor de Direito da Universidade Federal

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