alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







venerdì 5 aprile 2013

texto: ASSIM NASCEM OS CEMITÉRIOS


ASSIM NASCEM OS CEMITÉRIOS

Não há dúvida de que vivemos em um tempo no qual a sociedade padece, sofre e, moribunda, abandona-se na estrada. Com ela, a sociedade, padece e sofre a pessoa, que vai, em uma centrífuga social decadente, perdendo os seus elementos substanciais, identificadores e a capacidade de desenvolver integralmente, na plenitude, seu potencial e ideal de ser humano.

Dois aspectos (dentre tantos) do atual estado de decadência devem ser relembrados para, quiçá, podermos, de alguma forma, revertê-los ou, em face de uma profunda reflexão, resistir-lhes com “satyagraha” (de Gandhi, a verdade com firmeza!).

Um deles, é o fenômeno, já denunciado por mim em vários textos, palestras, artigos e encontros acadêmicos, a saber, a “fakerização” total de toda e qualquer relação, de todo e qualquer pensamento, de toda e qualquer instituição, de toda e qualquer pessoa! Tanto o nosso comportamento quanto o nosso “pensamento” são resultados do processo de “fakerização” contemporâneo! Mas, se comportamento e pensamento são “fakerizados”, todavia, o resultado da “fakerização” não o é: trata-se de um processo em que, sob fumaça e neblina, o mundo e as relações vão sendo, de fato, destruídos ou, ao menos, não realizados! Por exemplo, a fantasia da “comunicação” de massa, especialmente, via “internet”, que, por evidente equívoco semântico, vai sendo chamada de “rede social” (já que de social nada tem), cria a percepção “fakerizada” de que uma pessoa tem inúmeros “amigos” quando, em verdade, não os tem! Pior são os casos de “paixão”, “amor”, “revoluções”, “transformação sócio-cultural”, “primaveras árabes virtuais”, “movimentos sociais” etc. Visível falácia ou sofisma, pois, Amigos se fazem ao café, na comunhão do pão e no encontro cotidiano! Paixão e Amor se fazem no corpo, na pele, nos ossos, na alma e sob as escadas! Revoluções se fazem com “botas”, barro e sangue! Transformação sócio-cultural se faz com participação de todos, na praça, na rua, na calçada, no acesso a todo e qualquer lugar-espaço cultural, na emancipação econômica e mental de todos, na abertura das “cadeias” coloniais! Primavera “árabe” se fará (não se fez) com o rompimento das correntes religiosas radicais alienantes e com o desfazimento dos impérios petrolíferos! Movimentos sociais se fazem com “alicate”, “picareta”, “terra”, “enxada”, “sementes”, “moradia”, “ocupação”!

O outro aspecto refere-se à “Educação”, cujo conceito está equivocadamente construído na perspectiva dos prédios das escolas (públicas, particulares e privadas!). Os filhos são depositados, juntados, no grande “rebanho”, (ou, no “pasto”), a fim de serem “adestrados” e “engordarem” para, finalmente, serem encaminhados ao choque anestesiante, ao matadouro, à sangria e exposição no gancho de açougue! A “escola” é um curral! Os pais “largam” seus filhos nesta Escola (aliás, na porteira) e, sem pudor, transferem a responsabilidade para quem, não tendo nenhuma responsabilidade, os recebe “salivando”! Os pais são duplamente ausentes: na Escola, pois não se vêem como agentes nem participantes da experiência pedagógica; em casa, pois, enlouquecidos, consideram a “missão” cumprida com o pagamento das mensalidades (se particular ou privada), com a compra dos materiais escolares e pelo “grande sacrifício” de terem deixado seus filhos na porta/porteira da Escola! Em que pese, em muitos casos, a boa vontade da Direção das Escolas (públicas e particulares), dos Professores (fato/ato) que, somando boa estrutura, recursos e esforços pedagógicos, objetivam o crescimento dos seus alunos, não obstante, padecem a ausência de um “fator educativo”: o pai, a mãe! E, neste caso, não me refiro tão-somente à presença dos pais no processo pedagógico escolar, nos projetos, na biblioteca, na cantina e na sala de aula, mas do pai e da mãe como “fator pedagógico” da sala (de estar!). Houvesse a experiência da emancipação e do esclarecimento dos pais e, também, da quebra das irresponsáveis estruturas “verticais”, os mesmos chamariam para si, para sua “sala” o processo educacional, construindo-o a partir deste primeiro (e último) fator substancial!

Enfim, imobilizados na neblina (e nuvem) da “fakerização” e pela incompreensão do fator educativo, transformamos as relações em um “Jason” destrutivo, e a sala (de não estar) em uma extensão do gramado e território futebolístico. Em todos os casos, deparamo-nos com um cemitério sem fim!

© Pietro Nardella-Dellova, Poeta e Escritor. Professor de Direito da Universidade Federal Fluminense.Autor de vários livros, entre os quais, A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS DIÁLOGOS (Livraria Cultura)

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