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ברוך ה"ה







venerdì 5 aprile 2013

texto EU-TU e EU-ISSO


EU-TU e EU-ISSO

Conforme o pensamento de Martin Buber em seu livro EU e TU (de 1923), traduzido diretamente do alemão por Newton Aquiles Von Zuben (em 1977, Unicamp), não há nada de mal no “eu-isso”, haja vista que o “isso” nada tem de mal em si mesmo. Porém, quando o “isso” assume “existência” e, sob permissão humana, invade o seu mundo, fazendo-o perder a atualidade, jaz, então, o homem, desalmado na coisificação!

Buber, este grande filósofo, escreveu sobre o assunto no seu “EU e TU”, imediatamente após a primeira (e odiosa) guerra, em uma Alemanha que, vencida nesta guerra, apresentou ao mundo sua Constituição de Weimar (1919), considerada um marco nas gerações de Direitos Humanos (segunda geração: direitos sociais). O texto de Buber também coincide com o período da Revolução russa de 1917 (fim dos czares e início da URSS), com as grandes movimentações anarquistas e emancipatórias, seja na Europa ou América, como, por exemplo, a grande e inesquecível greve de 1917 no Brasil, bem como, com a Semana de Arte Moderna de 1922, marco anarquista nas Artes, Música e Literatura. Enfim, era um mundo em rápida movimentação transformadora (um irresistível “devir”). Poucos, infelizmente, leram Martin Buber!

O mundo desejava liberdade e alcance dos direitos sociais! Inserção dos excluídos! Liberdade criativa! Barreiras derrubadas! Humanização! Mas, por erro de cálculo social e econômico, não muito tempo depois, mergulhou em uma crise arrebatadora (1929) que o levou, sem trégua nem energia moral, ao pior de seus conflitos: a segunda guerra mundial, que, de modo neurótico, colocou em combate Estados totalitários de direita e de esquerda, capitalismos selvagens, impérios deificados, ensinamentos mortais católicos e protestantes e, de forma estúpida, conceitos fatais de ordem racial! Em 1948, finda a guerra, havia sobrado pouco do que se pode reconhecer – e chamar – de humanidade! A outra metade do Século XX foi jogada no lixo da lufa-lufa industrial, das montadoras, do jogo capitalista e comunista, da corrida atrás da “coisa/isso”, em entrega tresloucada aos “papéis” e às bolhas financeiras! Um período terminou e outro começou: fim e início característicos dos séculos XX e XXI: todos de sacola à mão, mendigando “moedas” aos grandes monstros: os bancos, e vendo ficarem de joelhos países com história e legado culturais indubitáveis  (p.e., a Grécia).

Tudo virou coisa, mercadoria. Tudo, inclusive, as doutrinas que se empenharam, outrora, a apontar o fetiche da mercadoria. Tudo em uma única sacola, tudo, coisa! A entranhável excitação pela coisa, pelo isso, fez de cada vírgula, de cada idéia, de cada emoção, de cada pessoa, uma coisa, concebida – e perdida - entre outras coisas! O “isso’ que deveria apenas ter uma utilidade, cresceu em todas as dimensões, corporificou-se, roubou personalidade, atraiu e deturpou o amor humano, estabelecendo uma “relação” EU-ISSO que, por desgraça, tornou-se amor de coisa! A flor foi arrancada e em seu lugar plantaram-se cana, soja e milho para alimentar carros e bois. E deste processo de coisificação, pelo qual, o “isso” tornou-se sujeito, surgiram os fantasmas, as sombras, as neblinas, a pulverização virtual da humanidade, as mentes impermeáveis, anestesiadas, ocas, insensíveis!

Perderam-se a mesa, o café, o encontro, o afeto, o pão, a sala de estar, o texto, o contexto, a brincadeira, o lúdico, a razão – e emoção – de tudo: o ser humano em sua relação EU-TU! Ficou, então, um ser humano EU-ISSO, um ser humano súcubo, um “isso” íncubo! E, de tanto submeter-se ao ISSO, o homem restou um zumbi, um EU-SEM-TU-NÃO-SEI-O-QUÊ, incapaz das mais tênues sensações, percepções, dilatações, arrepios (sem coisa).

Este novo “homem”, este não homem, este EU-SEM-TU-NÃO-SEI-O-QUÊ nada sabe do encontro orgasmático do  EU-TU! Martin Buber, desde 1923, poucos leram seu livro!

© Pietro Nardella-Dellova, Poeta e Escritor. Professor de Direito da Universidade Federal Fluminense.Autor de vários livros, entre os quais, A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS DIÁLOGOS (Livraria Cultura)

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