alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







martedì 12 gennaio 2016

DE NÓS, O POVO: A PALAVRA


DE NÓS, O POVO
(a palavra)

[Pietro N-Dellova, 1989]

levantamo-nos hoje 
(é ainda madrugada)
para sentirmos 
o perfume da liberdade
e d’entre os pinheirais 
abraçarmos 
a alvorada,
descobrindo que somos 
nós a única verdade...

e que este sol 
que agora se nos nasce
aquecerá 
a terra e lhe dará graça
e há de fazer brilhar 
do povo as faces
para que tirano algum 
pise nesta humana raça,

porque cansamos 
de sempre ser pisados
e de assistir, tristes, 
o fim dos nossos 
desejos
debaixo 
de pretos coturnos esmagados
e de assistir crescer a fome 
entre os sertanejos;

ademais, cansamos 
de sentir fome e sede
e de não termos direito 
em pensar nada,
de sermos assassinados 
contra a parede 
quando reclamamos 
o preço da jornada;

ademais, cansamos 
de fazer mais milionários
todos os milionários 
que nos fazem mais 
pobres
e mais ricos 
todos os frios mercenários;
cansamos de ver 
que o poder lhes sobe!

ademais, cansamos 
de tirar os filhos
da escola
e transformá-los 
em escravos 
mal remunerados
e vê-los em ônibus lotados 
com azedas
sacolas
passando fomes 
presos a um sistema 
amaldiçoado;

ademais! 
ademais! 
cansamos desta canga
e cansamos do cansaço, 
e cansamos de tudo,
e cansamos desta dor 
que d’alma sangra,
e cansamos de nos tornar 
cegos e mudos!

ademais, 
NÓS 
(Zé, e Raimunda, e Maria, e Dito)
cansamos 
de ser roubados a toda hora
por sermos 
(Zé, e Raimunda, e Maria, e Dito)
e cansamos ... 
–queremos ser um povo agora-

© Pietro N Dellova. 
texto do meu livro 
NO PEITO HÁ UMA PORTA QUE SE ABRE. Editora L&S, 1989, pág 38

(o texto pode ser aproveitado desde que de forma integral e com os dados bibliográficos como indicados acima)

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