alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







lunedì 4 aprile 2016

QUE HORAS ELA VOLTA? (filme completo com um comentário de Pietro Nardella Dellova)





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QUE HORAS ELA VOLTA?
filme completo - 2015
Direção: Anna Muylaert
Roteiro: Anna Muylaert, Regina Casé
Indicações: Satellite Award de Melhor Filme Estrangeiro, Critics' Choice Award: Melhor Filme Estrangeiro
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QUE HORAS ELA VOLTA?

(um filme sem mocinhos nem bandidos - apenas seres humanos!)

Prezados amigos e amigas, salve! Já tinha visto e, pelas questões que apareceram nos últimos dias, voltei a ver e, agora, ofereço o filme dirigido por Anna Muylaert "Que Horas Ela Volta?". Diferentemente do que se propagou (inclusive pelo atual estado deplorável e decadente dos debates não-políticos), o filme não faz defesa alguma dos projetos federais voltados para a Educação. A Política (a política e a não-política) não são temas do filme. Também não se desenha de modo algum a visão maniqueísta, de mocinhos e bandidos. Ser de classe média alta ou ser pobre, ser "patrão" ou ser "empregada" não são sinônimos de ser mau ou bom. Essa visão é rasa - e não está no filme. A diretora mostra outra coisa. O filme é realista! A tão propagada "conquista" de uma vaga na Universidade também não está decidida no filme. Ao contrário do que se divulgou, a guria (Jéssica), filha de uma empregada doméstica passou apenas na primeira fase. O filme vai até aí - a luta continua! O que se transmite pelo filme é o fenômeno da "centrífuga", ou,de como as vidas das pessoas vão sendo centrifugadas e, pouco a pouco, perdem o sentido. O "patrão" é um artista que, ao receber uma substanciosa herança, deixa de produzir e entra em decadência. A "patroa" vai sendo gradualmente impermeabilizada pela constante cobrança de suas atividades profissionais. O filme é humano, começa com uma pergunta do menino acerca de sua mãe: "que horas ela volta". A empregada responde que não sabe, mas a mãe está trabalhando. E está mesmo! O filho do casal se perde do afeto de ambos. A empregada doméstica, sem razão aparente, apenas desaparece da vida de sua filha, a Jéssica. Tudo é centrífuga! A chegada de Jéssica, vejam, não divide a casa entre mocinhos e bandidos. A chegada da guria, livre do contexto centrifugante da casa, que a todos reduz, apenas desperta as almas e causa inquietações as mais variadas (dos "patrões às empregadas"). É preciso, afinal, quebrar o paradigma! O "patrão" descobre-se em certa medida, a "patroa", idem e o filho, sempre super protegido, também se descobre. A empregada se descobre e se emancipa, não abrindo mão de um trabalho por ser ele indigno. Ser empregado doméstico de uma casa não tem nada de indigno, mas porque pode fazer outra coisa e, sobretudo, provocar uma experiência com sua filha (não recuperar, pois não se recupera o tempo perdido). Sejam ricos, sejam pobres. Sejam trabalhadores braçais ou trabalhadores mais especializados. Sejam candidatos ao vestibular ou não, o fato é que podemos todos resistir ao processo de centrífuga e viver uma vida mais simples. Não, simplicidade não tem a ver com favela - favela é pobreza! Simplicidade é outra coisa. Na casa dos "patrões" onde se passa o filme, com aqueles jardins, espaços arborizados, piscinas, recursos, sim, é possível ser simples e não perder a humanidade. Morar na favela não faz alguém bom e, também, morar no Morumbi (zona sul de São Paulo), não faz alguém mau. É preciso assumir a vida, tomar posse da vida (não de recursos). É possível ser simples e humano. A piscina (metáfora central do filme) pode ser, tanto para quem a tem quanto para não a tem, apenas o símbolo da opressão. O melhor, ao final, é imergir, mergulhar, limpar-se do que vai grudando à pele e á alma e, assim, fazer a vida ter sentido. Eis o filme "Que Horas Ela Volta?". Merece ser visto várias vezes.

Pietro Nardella Dellova


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