alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







domenica 31 gennaio 2016

CARNAVAL E O DISCURSO DA AUTOPUNIÇÃO

CARNAVAL 
E O DISCURSO DA AUTOPUNIÇÃO 
Pietro N-Dellova

Alguns religiosos, muito e estupidamente conservadores, consideram que não há motivo algum para o Carnaval. Não há motivo para os Blocos saírem  às ruas e cantarem, dançarem e fazerem de alguns dias a alegria e o desprendimento. Segundo os direitistas e religiosos conservadores e, também, esquerdistas que comem, bebem e defecam marxismos, a festa seria legítima se tudo estivesse em ordem, sem crises e sei-lá-o-quê! 

Julgam que o Brasil está na sua maior "crise"! Não sei se o excesso de religiosidade conservadora ou esquerdismo impermeabilizante, diria, as drogas usadas diuturnamente, fazem com que as pessoas percam memória histórica ou, quem sabe, impossibilite sua apreensão! 

Se as pessoas fossem esperar a crise chegar ao fim, estariam, então, desde 1500 esperando! Então, não façam sexo - até a crise acabar! Não dancem - até a crise acabar! Não bebam - até a crise acabar! Não façam festas e festins - até a morte chegar, digo, até a crise acabar! 

O que querem os direitistas e religiosos conservadores? O que querem os igualmente religiosos - e marxistas fundamentalistas? Que Jesus ressuscite! Que Marx ressuscite! E que o Reino da Glória seja estabelecido - sem Carnaval, apenas com harpas, corais e biscoitos! Querem condenar o mundo! Querem que o mundo se sinta culpado! Querem que o mundo faça autopunição! 

Não dance! Não ria! Não cante! Não beba! Não viva! Assim, com ares de superioridade moral, vão pregando suas idiotices ao mundo! Pois eu, que não sou sequer religioso e, muito menos conservador, aliás, nem marxista (pois Marx era um chato, tão chato e autoritário quanto Paulo de Tarso!), diria, alto e bom som: DANCE! RIA! CANTE! BEBA! VIVA! pois sempre haverá crises e, também, idiotas pregando a AUTOPUNIÇÃO e a CULPA DA HUMANIDADE!

Então, duas vezes mais: DANCE! RIA! CANTE! BEBA! VIVA! Ah, e mostre o dedo médio aos religiosos conservadores, moralistas, direitistas e autoritários defecantes!

Pietro N-Dellova 

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DIFERENÇAS RELIGIOSAS OU DE CARNAVAIS

SEM DIFERENÇAS
Pietro N-Dellova




Não há hierarquia ou graduação de valores entre Festas, sejam religiosas ou carnavalescas. 

Não há diferença entre carnavais do sul, do sudeste, do norte, centro-oeste ou nordeste. Não há diferença entre o carnaval paulistano e o carioca. Tanto faz alguém reunir os amigos no morro diante do seu barraco e boteco, cantar e dançar a noite inteira ou, do outro lado, na zona sul, reunir os amigos em um salão, rua, praia e, também, cantar, dançar a noite inteira. Qual a diferença entre a festa do morro e a da zona sul?

Não há diferença entre cultos pentecostais, neopentecostais, luteranos, católicos tradicionais, católicos carismáticos, ou de matriz africana, indígena, islâmica. Se alguém vai para sua igreja, bebendo e comendo o sangue e o corpo do seu cristo ou, em outro bairro (ou no mesmo bairro e rua), vai ao terreiro ou a um centro espírita. Se alguém, ali, fala do espírito santo e, aqui; de oxalá; acolá, de jeová e, na esquina, de allāh. Se um, faz uma cirurgia espiritual recebendo os espíritos e outro, no mesmo sentido, recebe o espírito do seu deus e faz suas curas televisivas e, para tanto, invocam, Paulo, Allan Kardec, Maomé, Lutero e qualquer outro, onde está a diferença? Não há diferença nem valoração. É tudo a mesma coisa!

E, não havendo diferenças quaisquer entre festas e festas, carnavais e carnavais, e entre cultos e cultos, tudo é especialmente humano e belo. O ser humano é isso tudo: carnaval, cultos, crenças, crendices, música, dança... 

Mas, começa por não ser humano quando um, ou alguns, dizem que suas festas são melhores que a de outros; que seus cultos são melhores que o de outros; que seus profetas são melhores que outros profetas e, pior, que seus deuses são mais eficazes que outros - e de outros! Que suas religiões são originais e outras, seitas... aí, sim, começa algo que não é carnaval nem festa: é discórdia, conflito, guerra e muita, muita mesmo, babaquice radical!

Pietro N-Dellova 

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PPGSD DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE


ECONOMIA MUNDIAL


ACCADEMIA NAPOLETANA



ACCADEMIA 

NAPOLETANA


L'Accademia Napoletana è organismo di lavoro, studio e ricerca storico-linguistica, letteraria, filosofica e scientifica internazionale e locale creata dall'Associazione Notre Napule'a Visionaire e dalla Federazione Alliance Européenne des Langues Régionales, e viene presieduta e vice-presieduta dal dott. Massimiliano Verde.

mercoledì 27 gennaio 2016

FUNDAMENTALISTA


FUNDAMENTALISTA

por Pietro N-Dellova


Esta palavra remete aos islâmicos (ou islamistas)? Quando se fala em "fundamentalista" para logo se pensa no fulano com um Corão à mão, prestes a degolar alguém ou a se explodir? Sim, há muitos islamistas que são fundamentalistas, mas não todos!

Fundamentalista é qualquer um que, ligado ao seu "livro sagrado", insiste em dar a ele, todo ele, uma aplicação indiscutivelmente imediata. Em outras palavras, fundamentalista é qualquer um que, tendo sido apresentado a um texto religioso, defende sua aplicação irrestrita, acrítica, em qualquer setor da vida! Geralmente, o fundamentalista é ligada a alguma religião monoteísta e, por isso mesmo, pouco sensível à pluralidade das manifestações religiosas!

Mas, há, também, fundamentalistas judeus e cristãos - e não são poucos. Há, por exemplo, fundamentalistas judeus que, com uma restrita interpretação da Torá e do Tanach inteiro, são contra o Estado de Israel. Há outros que, ao contrário, são a favor, aliás, de um Estado apenas para judeus. Há fundamentalistas cristãos em suas variadas versões. Para muitos dos quais, a "Palavra" (referindo-se à Bíblia) é mesmo a "Palavra de Deus", indiscutível, inegável e de aplicação imediata. Sim, há judeus e cristãos fundamentalistas, mas não todos.

O fundamentalista não aceita, em hipótese alguma, discutir o texto, analisar o texto, interpretar o texto (nem tem capacidade intelectual para isso). O texto é o seu tudo! E, pior, todos os outros que não aplicam o texto ou, simples e democraticamente, desprezam-no, são "infiéis", "inimigos de Deus", "inimigos da obra de Deus no mundo" e, por isso mesmo, réus e condenados (a priori), dignos do inferno (preparado para o Diabo e seus anjos!).

Entretanto, há um sem-número de islâmicos, cristãos, judeus que, sim, são islâmicos, cristãos e judeus, mas, não fundamentalistas. Seguem suas práticas religiosas ou culturais sem que isso interfira na relação com o mundo,inclusive no mundo ateu! São pessoas "esclarecidas" (os fundamentalistas, ao contrário, consideram-se "iluminados"!).

Não são os islâmicos, judeus e cristãos que devem ser combatidos, mas os fundamentalistas, todos eles! Combatidos, não de modo fundamentalista. Combatidos com a Educação democrática e libertária. Combatidos com Hermenêutica crítica. Combatidos com Teoria Literária. Combatidos com História e Geografia. Combatidos, enfim, com inteligência. Por quê? Porque qualquer fundamentalista não sabe nada de democracia libertária, hermenêutica crítica, teoria literária, história, geografia e, além de agressivos, em nada são inteligentes!

Pietro N-Dellova

Formado em Filosofia e Direito. Especialista em Direito Civil e em Literatura. Mestre em Direito (USP) e em Ciências da Religião (PUC-SP). Doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais (PPGSD-UFF). Membro do Gruppo Martin Buber para o Diálogo no Oriente Médio. Professor de Direito, Literatura e Direitos Humanos.

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martedì 26 gennaio 2016

B-I-B-L-I-A (texto para cérebros esclarecidos)

B-I-B-L-I-A

(texto para cérebros esclarecidos)

O mundo tornou-se esquizofrênico e tenebroso quando alguma alma perdida (e confusa) juntou dezenas de livros distintos, de autores distintos, de épocas distintas, de temas distintos e, não poucas vezes, contraditórios, e chamou tudo isso de "Bíblia", dando-lhe uma falsa unidade e um falso autor!

Seria a mesma coisa de juntar, em um único livro, as obras de Homero, Saphos, Heráclito, Platão, Epicuro, Alceste e, depois, dizer: "é tudo a mesma coisa e o autor é Zeus!". Outrossim, seria como juntar Bento Teixeira Pinto, Gregório de Matos, Antonio Vieira, Álvares de Azevedo, Olavo Bilac, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e dizer: "é tudo a mesma coisa e o autor é Tupã!".

Desde o momento em que juntaram livros e autores hebreus, tão diversos e, pior, dando-lhes um caráter greco-romano, chamando tudo de "Bíblia", os cemitérios não pararam de crescer, os sanatórios ficaram super lotados, o amor converteu-se em pecado, a liberdade foi vendida e a morte tornou-se a educação diuturna da humanidade!

A Bíblia criou a Idade Média, o Corão (sim, o Corão!), os Católicos, os Protestantes e até versões judaicas, os Senhores Feudais, os Monarcas europeus, as Cruzadas, a Santa Inquisição, o Antissemitismo, a Burguesia, os Estados nacionais, os Marxistas, os Bancos, o Inferno, o Nazismo, o Fascismo, o Stalinismo, o Adultério, o Código Civil, o Código Penal, as duas Guerras do século XX, as desgraças dos últimos vinte anos, além de uma longa lista de realizações "a favor" da humanidade! E sem a Bíblia, o que teríamos?

Enfim, o mundo é bíblico, com tudo o que pode significar esta condenação!

NOTA NECESSÁRIA PARA CÉREBROS TEOLÓGICOS E NÃO ESCLARECIDOS:

Estou falando da Bíblia enquanto concebida como livro único e de autor único e, óbvio, não de cada um de seus diversos Livros, de autores diversos!

Pietro N-Dellova

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יום הזיכרון הבינלאומי לשואה GIORNO DELLA MEMORIA


 JANUARY, 27
יום הזיכרון הבינלאומי לשואה
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L'OLOCAUSTO E MEMORIA:



L'OLOCAUSTO E MEMORIA: 
una Presentazione di Aleksander Henryk Laks, 
ebreo sopravvissuto della Shoah (Auschwitz)
foto: copyright José Roitberg

27 GENNAIO: GIORNO DELLA MEMORIA

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lunedì 18 gennaio 2016

COISA JULGADA LIBERTÁRIA


COISA JULGADA LIBERTÁRIA

Se você for de direita, fique. Se for de esquerda, fique. Se for anarquista, fique. Se for empresário, fique. Se for assalariado, fique. Se for burguês, fique. Se for proletário, fique. Se for desempregado, fique. Se for professor, fique. Se for estudante, fique. Se for estagiário, fique. Se for israelense, fique. Se for palestino, fique. Se for sunita, fique. Se for xiita, fique. Se for homem, fique. Se for gay, fique. Se for mulher, fique. Se for assexuado, fique. Se for lésbica, fique. Se for travesti, fique. Se for bissexual, fique. Se for casado, fique. Se for celibatário, fique. Se for poliafetivo, fique. Se for homoafetivo, fique. Se for heteroafetivo, fique. Se for amante, fique. Se for religioso, fique. Se for do PSDB, fique. Se for do PT, fique. Se for do PCdoB, fique, Se for do PSol, fique. Se for da Rede, fique. Se for do Dem, fique. Se for evangélico, fique. Se for muçulmano, fique. Se for católico, fique. Se for judeu, fique. Se for budista, fique. Se for espiritista, fique. Se for pastor, fique. Se for padre, fique. Se for mulá, fique. Se for rabino, fique. Se for pai de santo, fique. Se for ateu, fique. Se for rico, fique (e pague meu café). Se for pobre, fique (e me faça um bolo de fubá). Se for vegetariano, fique. Se for comedor de carne, fique. Se for Kosher, fique. Se não for Kosher, fique. Se for nordestino, fique. Se for paulista, fique. Se for carioca, fique. Se for baiano, fique... Se for juiz, fique. Se for promotor, fique. Se for advogado, fique. Se for defensor, fique. Se for universitário, fique. Se for cabeleireiro, fique. Se for santa, fique. Se for puta, fique. Seja o que for e o que quiser ser, fique.

Mas, não fique, se for stalinista, nazista, fascista, antissemita, islamofóbico, homofóbico, machista, femista, fundamentalista, antidemocrático, preconceituoso, racista, linchador, fofoqueiro, mexeriqueiro, militarista... não fique.

Naqueles casos, fique. Somos assim, diferentes, plurais e podemos conviver. Nestes casos, não fique, aliás, vá à merda, pois é contra estes que devemos combater, incessante e diuturnamente, enquanto com aqueles, qualquer café é possível e bem-vindo.

Pietro N-Dellova 



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MALATTIE DEL MONDO / DOENÇAS DO MUNDO

MALATTIE DEL MONDO


Il fascista, il nazista, lo stalinista, il capitalista, il comunista autoritario, l'antisemita, l'islamofobico, l'omofobico, il hollywoodiano, il cocacolizzato, il mediatico, il dogmatico, il sistematico, l'apocalittico, i fondamentalisti (della Torà, della Bibbia e del Corano), l'acritico, tra gli altri, sono i sintomi di un mondo malato, molto malato ...


Pietro N-Dellova 

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DOENÇAS DO MUNDO 


O fascista, o nazista, o stalinista, o capitalista, o comunista autoritário, o antissemita, o islamofóbico, o homofóbico, o hollywoodiano, o cocacolizado, o midiático, o dogmático, o sistemático, o apocalíptico, os fundamentalistas (da Torá, da Bíblia e do Corão), o acrítico, entre outros, são os sintomas de um mundo doente, muito doente...


Pietro N-Dellova 

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LADRÕES, PARASITAS, VAMPIROS, MENTIROSOS e CIA

LADRÕES, PARASITAS, VAMPIROS, MENTIROSOS e CIA




É ladrão o governo que existe apenas (e apenas) para criar impostos e tem como bandeira os impostos e, assim, insaciável, ladrão insaciável, não tendo boa gestão e boa administração, sangra o trabalhador, urbano ou rural, cada dia mais... É ladrão, não porque seus titulares e funcionários desviam dinheiro, mas porque não o investem em Saúde e Educação e, enfim, na própria Administração, deixando a população à mercê de diarreias, mosquitos, desdentada e na ignorância, além de destinatária de péssimos serviços públicos. É governo ladrão porque marca cada pessoa com um número e vê cada um apenas como número a ser submetido a tributos, quaisquer tributos. São ladrões seus titulares e funcionários quando não se consideram servidores da população, mas donos de suas cadeiras. É a história dos governos desde o grito (insignificante e estúpido) de Pedro I. O governo, de qualquer partido ou tendência, é parasita, bem como são parasitas os titulares e funcionários que não se consideram e não agem como servidores públicos!

Mas, não menos ladrões são, a um só tempo, o empresário (refiro-me apenas ao empresário brasil-eiro e não ao empresário brasiliano e brasiliense) e o banqueiro que tiram a energia do trabalhador, apoderam-se da vida do trabalhador, do tempo do trabalhador e, além disso, transformam-no em escravo, dando-lhe um pouco de ração, o suficiente, para rastejar, e vêem na redução dos salários a própria redução dos "custos". Não, o empresário não é vítima do governo, pois o empresário, nestas terras, antecede ao próprio governo e, por isso mesmo, chama-se empresário brasil(eiro). O banqueiro é o vampiro maior! Comumente, o empresário brasil(eiro) e o banqueiro praticam, não apenas a escravização do trabalhador, mas o escárnio e o desprezo pelo mesmo. Os empresários brasilianos e o brasilienses, ao contrário, são dignos, responsáveis e solidários. O empresário ladrão e o banqueiro, são, assim como o governo, parasitas - e vampiros!

Ainda, tão ladrão quanto o governo, o empresário brasil(eiro) e o banqueiro, são alguns líderes religiosos (não todos, pois há orientadores e mestres decentes e honestos), de qualquer bandeira, mas, principalmente, aqueles que,  portando um livro qualquer religioso, seja Torá, Bíblia, Alcorão, Evangelho de Allan Kardec, Livro de Mormon ou outro qualquer, não apenas vivem às custas dos fieis domesticados, incapacitados e atônitos passivos escutadores, mas comem a sua carne e suga a sua alma a cada dia, frustram-nos e os tornam psicóticos, assexuados, esquizofrênicos, alienados e, sobretudo, preparados para servir ao governo, ao empresário ladrão e ao banqueiro, pois apresentam aquele como "autoridade divina", e estes, como "abençoados do Senhor". Alguns líderes religiosos, dizendo aos domesticados (em plágio ao Profeta Malaquias) que eles, domesticados, são os verdadeiros ladrões de Deus, impõem-lhes, sob coação, os  dízimos, as ofertas alçadas e outras sangrias e, pior, tratando o dinheiro de forma cabalística, dizem que tudo vai para Deus. Finalmente, esses perigosos parasitas, os líderes religiosos, embrulham o que resta do corpo do domesticado e o enterram de vez. São parasitas, são vampiros e, principalmente, mentirosos!

© Pietro N-Dellova 

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domenica 17 gennaio 2016

io sono ANTIFASCISTA


PAUSA PARA A MULHER AMADA



PAUSA PARA A MULHER AMADA
ENTRE QUATRO LETRAS HEBRAICAS


alef

a Mulher Amada nesse verde-azul, feito tudo:
vinho, sangue, uva, mel, choro e palavrão,
abria os braços, o peito, a boca – e eu mudo!
deixando nos seios o beijo, a lágrima, a unção...

bet

a Mulher Amada na brisa, lua, vento, tempestade,
à mesa, elevador, corredor, biblioteca, cozinha,
varanda, cama, chão, sofá, escada, por toda tarde
vestida, seminua, nua: ei-la, plena, quando vinha

gimel

de alma entregue, chocolates e branca espuma 
entre os dedos, rosto, língua, face sorridente,
rindo-vermelha-rosa-chorando-branca-leve-pluma
de música, gozo, asas, esperança: Mulher gente!

dalet


eu
poeta
feito de letras
urros
e porta aberta
giros tresloucados
mil teses
fugindo aos murros
pisando em fezes 
lendo fezes
do boi errante, minguante,
feito de ausência
escondido 
sumido
entre os meus versos
inclementes versos
cegos versos
cegos inclementes
que negam a água 
entre fios dourados
e a boca imensa
voando pelos céus 
de barro e fogo
(é um jogo)
e esbarro na tumba:
céus diversos
fugido-ingrato-sem-rosto-sem-manhã-para-o-amanhã!
AH, MEU AMOR,
deixe-me em paz
feche o seu jardim
eis-me, nu e vendido,
fendido
aqui jaz!
(vou comer rapadura)

© Pietro N-Dellova

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martedì 12 gennaio 2016

DE NÓS, O POVO: A PALAVRA


DE NÓS, O POVO
(a palavra)

[Pietro N-Dellova, 1989]

levantamo-nos hoje 
(é ainda madrugada)
para sentirmos 
o perfume da liberdade
e d’entre os pinheirais 
abraçarmos 
a alvorada,
descobrindo que somos 
nós a única verdade...

e que este sol 
que agora se nos nasce
aquecerá 
a terra e lhe dará graça
e há de fazer brilhar 
do povo as faces
para que tirano algum 
pise nesta humana raça,

porque cansamos 
de sempre ser pisados
e de assistir, tristes, 
o fim dos nossos 
desejos
debaixo 
de pretos coturnos esmagados
e de assistir crescer a fome 
entre os sertanejos;

ademais, cansamos 
de sentir fome e sede
e de não termos direito 
em pensar nada,
de sermos assassinados 
contra a parede 
quando reclamamos 
o preço da jornada;

ademais, cansamos 
de fazer mais milionários
todos os milionários 
que nos fazem mais 
pobres
e mais ricos 
todos os frios mercenários;
cansamos de ver 
que o poder lhes sobe!

ademais, cansamos 
de tirar os filhos
da escola
e transformá-los 
em escravos 
mal remunerados
e vê-los em ônibus lotados 
com azedas
sacolas
passando fomes 
presos a um sistema 
amaldiçoado;

ademais! 
ademais! 
cansamos desta canga
e cansamos do cansaço, 
e cansamos de tudo,
e cansamos desta dor 
que d’alma sangra,
e cansamos de nos tornar 
cegos e mudos!

ademais, 
NÓS 
(Zé, e Raimunda, e Maria, e Dito)
cansamos 
de ser roubados a toda hora
por sermos 
(Zé, e Raimunda, e Maria, e Dito)
e cansamos ... 
–queremos ser um povo agora-

© Pietro N Dellova. 
texto do meu livro 
NO PEITO HÁ UMA PORTA QUE SE ABRE. Editora L&S, 1989, pág 38

(o texto pode ser aproveitado desde que de forma integral e com os dados bibliográficos como indicados acima)

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QUERO SER LIVRE DE MIM MESMO



QUERO SER LIVRE DE MIM MESMO
(abaixo a minha própria ditadura)

[Pietro N-Dellova]

Hoje
quero contradizer
O que disse ontem,
E amanhã, o que disser hoje:
Quero ser livre de mim mesmo!

Se eu vir que a fronte é feia,
Vou falar isto,
Mesmo que tiver dito ser belíssimo
O perfil de alguém...

E irei para o gozo sem freios
Ou para o adeus entre montes de terra.

Quero ir vivendo assim – livre, liberto –
Olhar por todos os ângulos
E jamais ser imbecil:
Escravo do orgulho de ter falado!
...assim, estarei realizado em cada vida
que eu viver em toda a vida...

Quero ser o mais instável dos homens
E não pensar que isto tem a ver
Com a personalidade
-que não muda, muda-
Mas, ser tão livre quanto o pensamento
E no modo de olhar as coisas
(porque as coisas mudam!)
Para que aperfeiçoe a mim mesmo
E descubra cores maravilhosas
(ocultas aos imbecis-estátuas)

...não há limites para livros superarem livros e teses superarem teses, nem há limites para céus superarem céus e mares superarem mares, nem para mundos superarem mundos, nem para perspectivas superarem perspectivas e ângulos superarem ângulos, nem descobertas superarem descobertas:

Há limites apenas para o ontem!

Quero concordar e discordar – livre –
Porque não temos que concordar
A vida inteira com o que concordamos
Um dia qualquer que passou, enfim!

...porque passamos pelo cinzel da existência...
E vamos aprendendo novas “cousas”
Descobrimento novos matizes e faces:
É maravilhoso seguir rumo à perfeição
De não ser, jamais, perfeito em nada...

Não quero soldar grades que me prendam
Mas, quero ir rumo a não-sei-o-quê.

Nunca quero dizer: cheguei!
E não quero chegar nunca em pensar: cheguei!
A vida perderia o sabor e eu morreria nessa prisão:
Chegar é morrer!
Viver é superar a vida a cada instante!

Quero não gostar e amar depois,
Se eu sentir isto,
...e isto será vida, sim senhor,
acredite-me!

© Pietro Nardella-Dellova,
poema do meu segundo livro
NO PEITO HÁ UMA PORTA QUE SE ABRE. Editora L&S, 1989, p. 58


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PRONOME DE TRATAMENTO: EXCREMENTO GRAMATICAL

EXCREMENTO GRAMATICAL

por Pietro N-Dellova 



O Pronome de Tratamento é aquele aspecto retrógrado de uma classe gramatical, é discriminatório, inútil (além de hipócrita!) e faz não mais que qualificar, injustamente, os seres humanos. 

Ou todos são "excelências" - ou ninguém é!
Ou todos são "reverendíssimos" - ou ninguém é!
Ou todos são "santidades" - ou ninguém é!
Ou todos são "meritíssimos" - ou ninguém  é!

Em um país, como o Brasil, no qual 40 milhões de negros foram escravizados, 8 milhões de indígenas foram exterminados, milhões de imigrantes foram enganados, 12 milhões vivem em favelas, 3,5 milhões vivem em cortiços, 800 mil pessoas (a maioria de pretos, miseráveis e analfabetos) estão presas em condições de fazer inveja às prisões do ISIS, a grande maioria de egressos não tem algo chamado "habilidade" e "competência", centenas de mulheres dão à luz nas calçadas, milhares de crianças morrem, enfim, em um país em que os políticos (todos) não passam de vermes, roedores e criminosos e, agora, reina absoluto, o mosquito aedis egypt, deveria causar vergonha e repulsa, a qualquer um, se classificado - ou classificar - alguém com Pronome de Tratamento.

É preciso tirar da gramática - e da língua - todo resquício opressivo, incluindo os plurais para o masculino e as estruturas sintáticas minimais. Enquanto isso não ocorrer, continuaremos em hipocrisia, em preconceitos, em mortes selecionadas! E, assim, quando ocorrer a purificação da Gramática (e das consciências) seremos seres humanos solidários e felizes!

© Pietro N-Dellova, in trecho "atualizado" da minha primeira Dissertação de Mestrado "A Palavra como Construção do Sagrado: Um Estudo da Poesia e de Osman Lins", PUC/SP, 1998 (em breve, sairá a publicação deste trabalho)

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Adios Nonino - Astor Piazzolla