alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







venerdì 18 dicembre 2009

O Voto da Suiça contra os minaretes islamicos: um ruido no diàlogo


O Voto da Suiça contra os minaretes islamicos: um ruido no diàlogo
por Pietro Nardella-Dellova


No ùltimo dia 29 de novembro, os suiços foram chamados a votar sobre uma questao delicada: permitir ou nao que se construam minaretes islamicos em territòrio suiço. Diga-se de inicio que o sistema suiço de democracia e participaçao popular nas questoes publicas nao encontra paralelo em nenhum outro pais, seja de qualquer continente ou mesmo da Europa de cuja comunidade a mesma suiça decidiu nao participar.


O resultado – contrario à construçao dos minaretes - surpreendeu a Europa e despertou criticas em todos os circulos europeus e àrabes. Nao se levando em conta criticas que vieram do presidente do Iran e do “ditador” libio, nao obstante, outras criticas merecem reflexao, ainda que em breves linhas.


Releve-se que o mundo nao esta acostumado ao sistema suiço e que ele, agora, repercute! Nao, nao hà uma convivencia dificil entre os suiços e os mais de trezentos mil islamicos que vivem ali – ao contràrio – vivem de forma harmoniosa e os islamicos, visitantes e residentes, estao perfeitamente integrados à vida e modus vivendi suiços.


Mas, o povo suiço (nao o governo suiço) expressou um determinado sentimento ou fez aparecer no voto uma determinada percepçao que tem do universo islamico, seja pelo motivo que for. As politicas de imigraçao acentuada que norteiam nos ultimos anos outros paises europeus, sobretudo, os da comunidade europeia permitiram uma chegada, pouco harmoniosa, pois formam-se “guetos” e visivel separaçao entre as populaçoes locais e os imigrantes, gerando um estado continuado de tensao. Os suiços disseram, de forma democratica, o que pensam.


Uma pergunta, entre tantas, faz-se necessaria: o ocidente esta preparado para o diàlogo com os islamicos? O mundo islamico esta preparado para o diàlogo com o ocidente? Porque o que parece, e dai a percepçao suiça e consequente voto contra os minaretes, è que o modus operandi islamico nao prepara para o diàlogo, em bases nao apenas ocidentais, afinal, sao estes os paises que recebem aqueles imigrantes, mas em base de um direito que sirva a todos.


E aqui, outra vez, coloca-se uma questao fundamental: o diàlogo que se espera nao pode ser pautado pela circunstancia religiosa de que è formada a Europa, no caso, crista, nem tampouco, pelo avanço missionàrio islamico, mas, simplesmente, por um sistema de Direito que permita o ponto de encontro e o diàlogo entre pessoas, entre grupos, entre povos e entre Estados.


Hoje, confundem-se em conceitos e categorias pouco inteligentes e propicias, o contexto àrabe, islamico, oriente medio, iraniano etc... Para um passo adiante no encontro entre ocidente e mundo islamico urge, de forma impositiva, a descoberta (ou auto-descoberta) do mundo islamico e, a seguir, do mundo ocidental, com acento europeu, em direçao ao diàlogo que se estabeleça em bases atualizàveis diante de um mundo em transformaçao.
p.s.: o texto acima nao dispoe de acentos em razao da falta dos mesmos em lingua portuguesa no computador utilizado.


Milano, Italia, 18 dezembro 2009


© Pietro Nardella-Dellova. É Professor e Consultor de Direito. Mestre em Direito pela USP. Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP. Pós-Graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor das Obras: AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92) e FIO DE ARIADNE (org./co-aut., 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (2001) e, agora, do A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS, SP: Ed. Scortecci, 2009, 312 p.. Confira mais no Blog Café & Direito http://nardelladellova.blogspot.com/ e para contactar utilize o e-mail: professordellova@libero.it*

martedì 15 dicembre 2009

RENÉ MAGRITTE

René Magritte, is one of my favorite 20th Century Surrealist painters. I particularly like the paintings produced by Magritte and other artists of the Surrealist movement, because each time one of the paintings are viewed, it is a truly creative and collaborative experience.
Surrealism allows the viewer to bring their own psychology to bear when interpreting the paintings, which as a creative thinker, I appreciate much more than being told what I should or should not see or experience.

Les amants
Les Amants


mercoledì 9 dicembre 2009

RUTH, a moabita, e o ESPÍRITO DE HANUKÁ

RUTH, a moabita, e o ESPÍRITO DE HANUKÁ
por Pietro Nardella-Dellova

clique aqui e leia o texto:

Fondi 13 - FUNN D' 'NA VOT - Fondi di una volta

FONDI

Fondi 12 - LA MATUNAT' D' CAP'DANN

FONDI

Fondi 11 - JU S'GNURIN' PARZ'NAL

FONDI

Fondi 10 - SONNE DOCE

FONDI

Fondi 09 - JU R'CUNZ'L'

FONDI

Fondi 08 - CLEMENT JìANT APA

FONDI

Fondi 07 - FUNN MIJ' - Fondi mio

FONDI

Fondi 06 CAMPAGNOLA

FONDI

Fondi 05 LA PR'SS'GGIòN - La Processione

FONDI

Fondi 04 - JU CAMPANEJJ' D' CARN'VAL'

FONDI

Fondi 03 - OI PAPA'

FONDI

Fondi 02 LA CANUSCèNZ - La Conoscenza

FONDI

Fondi 01- MìTTECE LA 'NZERRIMA

FONDI

martedì 24 novembre 2009

RELIGIÃO ou RE-LIGARE (À MORTE)




RELIGIÃO ou RE-LIGARE (À MORTE)
por Pietro Nardella-Dellova



Precisamos escolher cada palavra quando o assunto é delicado, sobretudo, quando se trata de „religião“.

Sinto que cada um caminha conforme a brisa e o vento, pois não temos mais que brisas e ventos no que respeita às religiões. Algumas mais antigas, outras familiares, outras modernas, e assim por diante...

A religião, como a palavra está revelando, explica-se pelo latim, e significa simplesmente „re-ligare“. A luta humana em „religar“ os vivos aos seus mortos. Porém, nada mais medieval e cruel que ensinar que o „re-ligare“ seja o reencontro do homem com D-us, como se algum dia o homem estivesse „desligado“ de D-us.

Diante da morte, cotidiana e insuperável, o homem foi criando os mais diversos mecanismos para compreender este fenômeno e encontrar-se, digamos, com mais tranqüilidade. Daí, o resultado religioso, como as grandes pirâmides egípcias e outras construções humanas bem exemplificam. Religião, então, tem a ver muito mais com um estado de morte!

Fora este aspecto, podemos compreender a „religião“, hoje, como um estado de desvario. Vejo a religião com uma certa desconfiança, temor e preocupação, pois milhares de pessoas já morreram por conta dela (ou delas)! Outras milhares morrem e, atualmente, parece-me, que estamos regredindo neste particular, em manifestações de pura insanidade religiosa!

Procuro compreender o caminho de cada um, não como se eu fosse um deus, mas uma pessoa que deve conviver com diferentes pensamentos e culturas. Entretanto, qualquer movimento que oprima pessoas deve encontrar resistência, seja ele de caráter religioso ou político. Às vezes, em nome da religião „a“ ou „b“ cometem-se abusos. E como humanista ativo, coloco-me em pé de guerra.

Respeitar, tolerar e aceitar as diferenças é bem relativo! Até dá para aceitar quando alguém reza para este ou aquele „deus“, ou recita este ou aquele texto e faz esta ou aquela cerimônia. Mas, não dá, por exemplo, para calar, em nome da tolerância religiosa, diante das „opressões contra pessoas como as que ocorrem em determinadas religiões“. Eu daria uma lista longa de atos e atividades opressivas em determinadas religiões (de ontem e de hoje), mas cansaria meus leitores...

Prefiro a Música, a Poesia, a Dança, a Pintura, e outras manifestações artísticas da alma humana. Pois, os que buscam em sua „arte“, qualquer que seja ela, a expressão de sua própria humanidade, têm mais razão e estão conforme a natureza dos elementos da criação. A Religião está fora do contexto artístico, pois a Arte é vida, aproxima pessoas e as torna melhores, enquanto a religião está em um mar de podridão e violência!!!!

A Arte é vida! A Religião é morte!

O estato de quase psicopatia, alienação e maldade são algumas das características religiosas. E, antes que me esqueça, D-us nada tem a ver com religião! Ele, D-us, vale por si mesmo, e não pelo que as religiões falam dEle, ou em Nome dEle!

Vejamos os religiosos do mundo que, em sua maioria, ainda se explodem por preceitos religiosos, bebem sangue e comem carne humana (ainda que em copinhos de suco ou de vinho ou, ainda, em pão), enganam com mentiras e retiram o dinheiro dos trabalhadores, usam textos roubados ou falsificados, perturbam com um delírio missionário a casa de cada um, a praça de cada um e a paz de cada um e, ainda, esperam, com tesão e excitação injustificados, o fim do mundo!

Mantenho, apesar disso, que o Eterno nos tenha feito simplesmente para viver, e viver com alegria, sem muita reza - talvez sem nenhuma reza! E, valendo-me de um texto bem antigo, o Eterno, diante de tudo que tinha feito, suspirou: "...é muito bom..."!

Sankt Gallen, Svizzera (Schweiz/Swiss), 7 Kislev 5770 - 24.11.2009.

imagem/foto de ilustração: Thais Freire

© Pietro Nardella-Dellova. É Professor e Consultor de Direito. Mestre em Direito pela USP. Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP. Pós-Graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor das Obras: AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92) e FIO DE ARIADNE (org./co-aut., 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (2001) e, agora, do A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS, SP: Ed. Scortecci, 2009, 312 p.. Confira mais no Blog Café & Direito http://nardelladellova.blogspot.com/ e para contactar utilize o e-mail: professordellova@libero.it
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RELAÇÃO DE TEXTOS PUBLICADOS NO CAFÉ & DIREITO

giovedì 12 novembre 2009

CAPITÃO BIZARRO ou, A CORRUPÇÃO NA POLÍCIA DO RIO


CAPITÃO BIZARRO ou, A CORRUPÇÃO NA POLÍCIA DO RIO

por Pietro Nardella-Dellova


I
Como todos souberam e, estranhamente, ficaram chocados, houve a divulgação de imagens da atuação sombria da polícia do Rio. Como qualquer momento sensacionalista, as imagens criam um impacto e dão, aos desavisados, a impressão de que o que se vê, é apenas aquilo e nada mais.
II
Ficam, então, a imagem agressiva, o choque em uma população narcotizada e o “blá-blá-blá” do Comando da PM carioca e manifestações circenses daquele Governo Estadual. O triângulo perfeito de pasmo, idiotice e inércia governamental ou, a expressão máxima de um sistema falido e enterrado até as ventas!
III
A questão da corrupção policial, não apenas no Rio, mas em todo o Brasil, ultrapassa séculos, mas, nas últimas décadas, é tal a decadência, e tal a corrupção que não há necessidade de imagens globais nem de falácias político-governamentais. Pois, a doença está aí, carcomendo a sociedade por dentro, aliás, de onde nasce, onde se fortalece e onde se torna incurável.
IV
O que se viu naquelas imagens, até pelo nome do então capitão Bizarro, é algo “bizarro”, mas, não passa do “escarro” televisivo. O que está dentro é bem mais feio. A tuberculose que gera a tosse destrói há anos as estruturas de civilidade e Estado de Direito. Neste caso, não importa muito quem morreu. Se foi um líder do AfroReggae ou um catador de papelão, pois o Estado de Direito deveria ser para todos!
V
Ocorre, porém, que a corrupção policial não é de geração espontânea. Nem a corrupção política. Nem a corrupção educacional. Nem a corrupção religiosa. Nem a corrupção econômica. Nem a corrupção cultural. A corrupção nasce simplesmente da sua prática individual, cotidiana, continuada, de cada pessoa que, por isso mesmo, fica hipocritamente espantada diante das imagens do monstro que ajudou a criar e que, nem de longe, pretende matar.
VI
Pois, há monstros que se ligam, aderem, confundem-se com o comportamento de cada um (e de todos). Vamos aos Jogos Olímpicos, à Copa, ao Carnaval, às Eleições e, por desgraça, ao Horário Eleitoral Gratuito. Vamos formando, cada vez mais, ambientes propícios à corrupção, vendendo sentenças, desviando verbas públicas, elegendo falaciosos, retardando o curso processual com recursos de meliantes, atribuindo e recebendo notas escolares via pressão da tesouraria das Escolas e Cursos Superiores, ou pelo tamanho do silicone nos peitos ou tamanho de prótese no falo.
VII
O Brasil é um território maravilhoso, com riquezas naturais estupendas, com um litoral de brilahr os olhos. O Brasil, ora, digo, as terras do Brasil, a paisagem do Brasil, o que sobrou das florestas do Brasil, as águas do litoral do Brasil, tudo, enfim, é fantástico!
VIII
Pena que a seu povo continua sendo, apenas, uma acampamento, e seus líderes um monturo de indecência, hipocrisia e enriquecimento ilícito. Pena que sua formação seja ainda, e sempre, a da corrupção, do jeito fácil, do cancro educacional, das falácias políticas e da pacifividade popular!
IX
E, como dissera outrora, o boca maldita Oswald de Andrade: "e continuam fazendo telhados"!

Campinas, SP, 26 de outubro, 2009


© Pietro Nardella-Dellova. É Professor Universitário, Escritor e Consultor de Direito. Mestre em Direito pela USP. Mestre em CRE pela PUC/SP. Pós-Graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92), FIO DE ARIADNE (org./co-aut. 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICIAL DO DIREITO (2001) e, agora, do A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS, Ed. Scortecci, 2009. Mais textos, contato e informações, veja em seu Blog Café & Direito: http://nardelladellova.blogspot.com/ ou pelo e-mail: professordellova@libero.it

martedì 10 novembre 2009

Center Stage :: Final Show ::

o vídeo Center Stage :: Final Show :: é singularmente poético e encantador... Mas, ele nao é tao simples assim, nao é apenas uma performance dançante. Ele traz algo da alma do universo e do sviluppo feminino sobre a terra, de como ela alcança o poder decisório. Veja-o, e faça a leitura!

venerdì 16 ottobre 2009

PALESTRAS, ENCONTROS, ESTUDOS e AUTÓGRAFOS em PERNAMBUCO, BRASIL

ב״ה
O
Convite
para
as
PALESTRAS,
ENCONTROS,
ESTUDOS
e
APRESENTAÇÃO DO LIVRO
em
Pernambuco,
Brasil
de 18/10 a 21/10/2009


א
ESTUDOS DA TORÁ:
18/10, das 13h às 19h e 19/10, pela manhã
*
tema: BERESHIT e os PRINCÍPIOS JUDAICOS
(18/10, 13h a 19h, Hotel, Limoeiro, PE)
*
tema: TORÁ E JUDAÍSMO PARA TODOS
(19/10, pela manhã, Hotel, Limoeiro, PE)
ב
PALESTRA e APRESENTAÇÃO do LIVRO:
19/10, às 20h
*
tema: ESTÉTICA E COMUNICAÇÃO JURÍDICA:
UM CAMINHO PARA INTERPRETAÇÃO DO DIREITO
a
construção da comunicação jurídica, dentro do fenômeno da comunicação geral, como possibilidade dialógica e, finalmente, o fenômeno da interpretação do próprio Direito, diante de um universo pós-moderno em fragmentação,
em
19/10, 20h, no Auditório do Curso de Direito
da Faculdade Joaquim Nabuco
Av. Senador Salgado Filho, S/N,
Paulista (Grande Recife).
(081) 2121.5999)
ג
PALESTRAS,
20/10, às 8h e às 16h
*
PROCESSO DE CRIAÇÃO CULTURAL
(8h, na FACAL, Limoeiro, PE)
*
PERSPECTIVAS PARA O BRASIL
(16h, na CERU, Limoeiro, PE)
ד

ENCONTROS e ESTUDOS,
21/10, pela manhã
*
tema: TORÁ E JUDAÍSMO PARA TODOS
(pela manhã, Hotel, Limoeiro, PE)

----------

Apoio geral e realização em Limoeiro:
Wendel José Aragão de Oliveira
José Roberto da Silva Carvalho
Kaio César de França Nery
Promoção em Recife:
Betânia Cavalcanti de Moraes
Organização da Palestra e Autógrafos, em Paulista, Grande Recife:
Prof. Carlos André Dantas
Coord. Curso de Direito,
Faculdade Joaquim Nabuco
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martedì 13 ottobre 2009

"SEM-PARAR", NÃO!!!! Porque é preciso resistir ao ritmo tresloucado...

SEM-PARAR, NÃO!!!! Porque é preciso resistir ao ritmo tresloucado...
por Pietro Nardella-Dellova

Tenho percorrido estradas do Brasile, especialmente, as de São Paulo e, ao passar pelos Pedágios (críticas à parte), vejo o nome do funcionário que arrecada (ou recebe) gravado em uma plaquinha, e pelo nome, então, faço cumprimentos ou gracejos, no tempo entre o pagamento e o troco, normalmente, levando e deixando algum riso ou sorriso. Já deixei chocolates também. Tudo isso não leva mais que uns trinta segundos. Alguns daqueles funcionários já me conhecem e, a despeito de serem treinados para o automatismo, muitos resistem e, ao me verem chegando, escancaram um belo e humano sorriso de satisfação! Eu, idem!

Mas, sistematicamente, recebo o convite "pelos" funcionários para utilizar o sistema SEM PARAR. Sorrio, e pergunto-lhes, sempre, por que razão eu utilizaria o sistema? Por que deveria colaborar para retirada de postos de trabalho e tudo o que isto implica? Além disso, brinco sempre, por que razão deixaria de ver aquelas pessoas, que têm nomes e rosto? Afinal de contas, muitas funcionárias, normalmente educadas, entregam-me um belo sorriso, cujo preço é o de trinta segundos de calma e bom humor, mas com resultados para o dia todo!

Ocorre que, além da fome das concessionárias, estamos em um ritmo “sem parar” excessivo. Corremos feito loucos, de um lado para o outro, matando grandes oportunidades de viver! Ainda, a imbecilidade nos leva tresloucadamente a um ponto de chegada, subtraindo o percurso, o meio, a via de relacionamentos. E, assim, vamos deixando o maior (e melhor) tempo na lufa-lufa cotidiana. Temos pressa para chegar, e chegaremos, bem próximos da tumba, sem deixar rastro ou história. Por isso mesmo, nossas fotografias, marcadas de morbidez, registram instantes de chegada, mas, dificilmente, de percurso. É preciso desacelerar, parar um pouco!

O ritmo doentio de uma pressa injustificada esgota os recursos naturais. Sim, existe um ritmo na natureza, que é o ritmo do entrelaçamento, do envolvimento, das composições. É como o ritmo musical. Na natureza há um ritmo musical desde os tempos mais remotos, que pressupõe recomposição, impedida, violentamente, pela pressa humana de chegar a lugar nenhum! A natureza se esgota, e tudo vira chão esburacado, água suja, deserto e sujeira, muita sujeira! Os homens tratam a natureza a golpes de picareta e machadada, com uma violência incontrolável, daquelas que fazem inveja a qualquer filminho de terror. É a relação estúpida e agressiva contra os elementos dos quais - e com os quais - o homem é feito. Pois é na natureza, e é ela mesma, a que deveríamos compreender e encontrar a “árvore da vida”.

Mas, o processo desenfreado, a loucura do “sem parar”, o excesso, a ansiedade, o desvario em abandonar o caminho para se alcançar o destino, conduz a outra destruição, igualmente violenta. Trata-se da decomposição do universo emocional. Todas as redes e teias, todo o tecido subjetivo fica roto, comprometido, pois não se dá tempo, o mesmo tempo da natureza, para se construir, estabelecer e harmonizar-se. A tessitura brutaliza-se. A pressa leva a um processo pelo qual todos os sentimentos e percepções, todas as projeções interiores e toda recepção exterior, confundem-se, misturam-se e se transformam em feijoada emocional. Daí nascem monstros, demônios, traumas, oscilações, conflitos, maledicências, estupidez e um mundo superficial e inconsistente! Não se dá o tempo necessário de percurso, para que um determinado sentimento possa ser, efetivamente, conduzido a um processo de construção da subjetividade e conseqüente harmonização e diálogo com outras subjetividades - de outras pessoas. Estamos tocando em desafinação absurda!

A aceleração e excitação levam à enfermidade do corpo, aos pontos vazios, nos quais se desenvolvem doenças e enfermidades. Do modo que se trata a natureza exterior, trata-se, igualmente, a natureza interior, como relação de continuidade! O lixo que, na pressa, o homem joga nas vias públicas, é o lixo do qual ele se alimenta! É preciso comer “sem parar”, é preciso se relacionar sexualmente “sem parar”, é preciso ir e vir “sem parar”. Até as Escolas, fundamentais, médias e superiores são, geralmente, centros de desfazimento. É preciso cumprir programas “sem parar”, sem se dar tempo para a construção do saber e do conhecimento, com base no discernimento.

Violentados assim, todos e tudo, ou seja, a natureza externa, o universo emocional, relacional e o corpo, restam, apenas, a destruição do espírito, da razão, do intelecto! Não há nada que resista à aceleração ininterrupta. Tudo vira fumaça de churrasco - funeral de bois e vacas, o cérebro se cobre de gordura e pasta de lava-rápido, os corvos religiosos abrem suas asas e bicos insaciáveis, os relacionamentos terminam ou, começam, em salas virtuais multifacetadas - basta um "deletar"! E, então, sem parar, nos perdemos todos dentro de uma bolha perversa ou em pratinhos cheios de patê de fígado de ganso!


Campinas, SP, 13 de outubro, 2009 (25 Tishrei 5770)



© Pietro Nardella-Dellova. É Professor e Consultor de Direito. Mestre em Direito pela USP. Mestre em CRE pela PUC/SP. Pós-Graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União dos Escritores. Autor das Obras: AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92) e FIO DE ARIADNE (org./co-aut., 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (2001) e, agora, do A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS (2009). Confira mais no Blog Café & Direito http://nardelladellova.blogspot.com/



martedì 22 settembre 2009

PROGRAMAÇÃO DE LANÇAMENTO DO LIVRO: "aMoRteDoPoEtA nOs penHaScos EoUtros MoNóLoGos", outubro, 2009


PROGRAMA, LOCAIS e DATAS de LANÇAMENTO DO LIVRO


aMoRteDoPoEtA
nOs
penHaScos
EoUtros
MoNóLoGos

B"H

Prezados amigos e amigas, finalmente, o meu novo Livro, “A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS”, será disponibilizado. O Lançamento se dará em vários locais e datas e, como poderão observar, a Programação segue o universo do próprio Livro, com matizes e tópicos variados, mas sempre dentro da organização dos Diálogos e Monólogos. Em cada oportunidade, farei uma Palestra ou desenvolverei Estudos e Autografarei os exemplares. Conto com o carinho e presença de todos, bem como, com eventual sugestão/convite para novos Encontros. Sejam bem-vindos.


Programação/Estudos/Palestras/Autógrafos:


2/10 a 5/10
Em vários locais, com Diálogos sobre Torá, Palestras, Bolo de Fubá e Café de coador
Estudos: TORÁ, MODERNIDADE E JUDAÍSMO:

Local: Bahia
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6/10, 19h
OAB/SBC – Auditório Rodolfo Alonso Gonzales
Palestra: DIREITO E PERVERSIDADE POLÍTICA
Local: Rua 23 de Maio, 215 – São Bernardo do Campo, SP
Ao lado do Fórum SBC – (011) 4368.0090
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7/10, 19h
CIEJA – Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos
Palestra: PROCESSO DE CRIAÇÃO LITERÁRIA E HUMANIZAÇÃO
Local: Rua Francisco Ramos, 132, São Paulo, SP
Fone: (011) 56315703; (011) 56320391
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9/10, 19h
Sala de Concertos Drª. Léa Ziggiatti Monteiro
do Conservatório Musical Carlos Gomes
Encontro: MÚSICA E LITERATURA
Local: Av. Dr. Hermas Braga, 841, Campinas, SP
Fone: (019) 32530375
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de 13 a 16/10

Outros Encontros/Locais a confirmar:

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Contato, Informação e Sugestão para Palestras:
e-mail: flaviaalbanese@hotmail.com


ou telefone: 019-32533345


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Alguns trechos do Livro




aMoRteDoPoEtA

nOs

penHaScos

EoUtros

MoNóLoGos



2009



Pág 15

“...O avião pousou em Napoli...”

Pág 18

“...Ele me olhava com seus olhos iluminados por tudo o que é humanamente sagrado, e foi tirando o pedaço de pão caseiro do casaco, mas, respeitou alguns minutos do silêncio e, só depois, perguntou o que faríamos....”

Pág 19

“...Eu vejo, caro babbo, seus olhos verdes num sguardo de bondade expressiva, dizendo sempre alguma coisa, lançados sobre mim como se fossem os olhos de D’us (e não o são?). As mãos grandes, a face meio rosada, o riso sonoro, os olhos verdes, os bigodes ruços, a barba grisalha e a sua voz... Era a bênção única (e ainda é) ouvir a voz traduzindo Petrarca, lembra-se?...”

Pág 34

“...Aliás, deixe fora o que ama qualquer coisa e despreza o humano e o Eterno, sobretudo, o íncubo opressor, preconceituoso, prepotente, corporativista, agiota, banqueiro, latifundiário, traficante, legalista, pedófilo, sádico, mercenário, imperialista, nazista, fascista, antissemita, terrorista, torturador, carrasco (e qualquer vampiro e parasita) e, ainda, o súcubo covarde, invejoso, voyeur, masoquista, fanático, racista (negro ou branco), monarquista, republicano caffellatte, getulista, militarista, antiético, traidor, que abraça e ri o riso odontológico, sem razão, e não olha nos olhos. O mentiroso, carlista, malufista, congressista (e qualquer hospedeiro e escória da humanidade)...”

Pág 51
“...Em Jerusalém encontramos pessoas iniciadas nas práticas verticais e mulheres cobertas. Mas, em Napoli, o melhor é não deixar sua mulher desacompanhada, caso ela seja bonita! Sendo muito bonita mesmo, dedique-se a ela diuturnamente, e se tiver um filho, cubra sua mulher de terra e mar e, se tiver dois filhos, cubra-a de terra, mar, céu e ar, e de chocolates, e de flores, e de carícias, e de esplendores, e de música, e de vida – compre sempre chocolates e não tranque a adega!...”

Pág 72
“...Os olhos da menina-mulher pareciam de algum lugar, de algum tempo, de algum espaço no redemoinho das memórias inexplicáveis de alguma época servida a palco de alguma vida, de algum universo, de oportunidade remota, distante. Os lábios, então, vibraram. Os olhos se fixaram ainda mais profundamente nos olhos expressivos da mulher parada no corredor – ela queria vinho e Poesia....”

Pág 99
“...Porque há pessoas que odeiam águas, e pão e encontros. Odeiam árvores, plantas, flores, cães, gatos, pombos, passarinhos, terra, abraços, crianças, pobres, judeus e outras pessoas. Eles cobrem o planeta de concreto, asfalto e mentiras, fiscalizam a vida alheia e espalham o fermento da sua estupidez, maldade e perversidade, roubando o tempo vital. Não falarei de canalhas hoje!...”

Pág 132
“...Vá, e encontre aquela mulher, que anda presa, ainda, às rezas que drogam e idiotizam, transformando jardins de inverno em flores plastificadas, e arquiteturas italianas em caixas de papelão molhadas. Vá, minha cara, desate os nós que se formaram nos jogos de cordas, na solidão do bem-me-quer, e tente trocar o barulho de um vinil em dias de festa de aniversário ou fumaças de formatura, por uma Poesia de Drummond. Tente dizer ao ouvido daquela mulher que a vida clama, e não espera. Que a vida passa...”

Pág 139
“...Por isso mesmo, o amar e o ensinar Torá se convertem em uma mesma relação. Amar não é ter ou possuir, escravizar ou pendurar na parede, seja uma cabeça ou uma fotografia. Amar é lançar o outro adiante, na luz e nos processos de libertação. E, assim, na constância, convertê-lo em TU! Amar não é um procedimento idolátrico, diante de um deus grego ou romano, mas uma descoberta, uma realização, uma libertação, uma unção...”

Pág 164
“...Tais elementos da natureza, os quatro materiais, já estão nos primeiros textos de Bereshit (Gen.): fogo, terra, água e ar! Mas, no nosso caso, aparece, ainda, um quinto elemento, que organiza o tempo/espaço, os quatro elementos básicos. Elemento para organicidade. É a Ruach HaElohim – o elemento feminino da Criação! Ruach é como a Poiesis!...”

Pág 171
“...Não importa qual seja o ato/atitude para o mal ou para o bem. Seja o ato de cortar uma flor, de esmagar um inseto, manter peixinhos em aquários, de responder rispidamente, de faltar a um compromisso, de lançar um papel de bala à via pública, de mencionar o nome de alguém ausente; seja o de destruir florestas inteiras, atirar uma pedra contra um passarinho ou prendê-lo em uma gaiola, matar golfinhos ou baleias, difamar ou desmoralizar uma pessoa, ...”

Pág 183
“...Voltar os olhos para o universo do si mesmo é um encontro, uma descoberta multifacetada! Voltar os olhos para o si mesmo não é contemplar-se diante do discutível espelho, mas passar em revista, com todos os recursos, a integridade do Eu....”

Pág 229
“...– Não podemos comprar bibliotecas virtuais, livros virtuais? Afinal, são novos tempos! E concluiu: – Aluno é igual caixa eletrônico de banco!
Bah! Caixa Eletrônico? Casino? Terreiro? Bahhh!
The Godfather, também, chamado de O Louco, formou-se medindo a temperatura dos animais. Não dormia nunca e nunca tinha uma idéia, senão a idéia fixa de formar um CE!...”

Pág 257
“...abençoe, sem perda de tempo, seus filhos em cada manhã, em cada tarde e em cada noite – ensine-os que o pão deve ter o gosto do suor e que os ratos vivem em esgotos, no lixo e na escuridão. Fale do Eterno para eles, ajude-os a amar o Eterno, ajude-os a entender a construção de cada dia e ensine-os a ganhar, por si mesmos, o pão justo e honesto a cada dia. Aponte-lhes as estrelas, e a lua, e o Sol, e os mares, e as flores, e os pássaros, e os animais, e os montes, e os jardins e, assim, somente assim, saberão o porquê de tudo ser “bom”, e o porquê do homem completo ser “muito bom”. Livre- os da estupidez e droga religiosas e dos gritos intermináveis em cultos idolátricos, a fim de que enxerguem e se libertem das correntes teológicas. Livre-os do culto ao falo!...”

Pág 265
“...Vivemos o nosso tempo, e o nosso tempo é um misto de espanto e inércia, idiotice e fantasia, coisificação e anulação completa. E desse ângulo procuramos sinais, pistas, endereços e indicações para um passo, o passo a seguir, repleto de dubiedades, inseguranças e fragilidades humanas. E, no meio dessa espessa e sufocante nuvem de fogos de artifício, encontramos a carne suave e a feminilidade daquela mulher, feita de variadas pedras, variados elementos e multifacetada música corporal....”

Pág 271
“...comam e bebam! Principalmente comam!
– Venham todos:
alegrem-se, festejem, toquem, comam espetinhos malpassados, verduras, tomates e moscas e bebam... fanta!
– É festa!
A Poesia e o amor perderam – viva!
A amada está morta!...”

Pág 276
"...Essa mulher que transita entre corredores da biblioteca, não como quem foge do enfrentamento de cada página, mas como quem volta agradecendo silenciosamente pelos mundos descobertos, porque ali ela reencontra os sábios e os poetas que iluminaram seus sonhos, abriram seus poros e apontaram uma direção. Ela sabe de onde veio e onde quer estar! Ela olha, se veste, se penteia, caminha e ela dança, sabendo que... seus olhos e os lábios de sua boca se dilatam ..., porque esse é o seu corpo e sua alma. Então, ela se percebe superior, como quem deixa relacionamentos opressivos sob os pés... vai, e voa, como quem deixa homens idiotas cultuando seus próprios órgãos, como quem conduz o mundo... pelo sussurro...Por isso mesmo, plena da virtude feminina e da experiência dialógica, da delícia poética, fortalecida pelas vozes e páginas iluminadas, completa dos sentidos descobertos, essa mulher, absoluta, abre suas asas ao sol...."

Pág 279
“...O mais importante não é apenas suplantar o deserto, como nossos pais fizeram entre o Egito e Canaã, mas, principalmente, não perder nossa humanidade, nossa capacidade de fazer o bem, nossa capacidade de honrar, de respeitar, de viver em companhia uns dos outros, de simplesmente não desejar o mal ao outro....”

Pág 284
“...Dizem que naquela rua, diante daquela construção, quando são altas horas da noite, todos os que por ali passam, ouvem sons e gemidos, sons estranhos, resmungos, urros selvagens, sons indecifráveis, que se espalham pelos prédios vizinhos, pelos andares superiores e inferiores, elevadores, ruas, portões, garagens...”

Pág 290
“...O avião pousou outra vez em Napoli...”




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© Pietro Nardella-Dellova. Mestre em Direito pela USP. Mestre em CRE pela PUC/SP. Pós-Graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92) e FIO DE ARIADNE (org./co-aut., 94), das traduções FILOSOFIA DEL DIRITTO PRIVATO (de P. Cogliolo) e GIUSTIZIA (de Z. Zini), bem como, das teses A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (PUC/SP) e A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (USP). Professor e Consultor de Direito

venerdì 11 settembre 2009

SETE DE SETEMBRO, em 2009 ou, este é o Brasil que vence!


SETE DE SETEMBRO, em 2009 ou, este é o Brasil que vence!

por Pietro Nardella-Dellova


Estava em viagem no dia 7 de setembro, quando parei em um posto para o café. Na parede um televisor transmitia a programação de determinada rede de televisão. Chamou-me a atenção os vários quadros, tais como, os jogos em que a seleção foi vencedora, os campeonatos em que Guga levantava sua raquete, vitorioso. Vi, também, as cenas marcantes das muitas vitórias de Senna, dos nadadores e ginastas em seu desempenho impecável, das belas meninas e dos bons rapazes do vôlei e, ao final, alguém dizendo: “este é o Brasil que vence!!!”

O café estava à mão esquerda (café com espuminha característica) e revisitar cenas do mundo esportivo, sobretudo, a dos ginastas e dos jogadores do vôlei, é sempre uma coisa boa e prazerosa. Mas, a frase final do apresentador da programação, causou-me estranheza. Realmente, a frase não cabe naquelas cenas, nem ao seu final, pois o que se via ali eram pessoas que, por esforço e talentos próprios, participaram de embates esportivos e saíram vitoriosos, sem que jamais recebessem algum incentivo do “Brasil”. Ao contrário, bem ao contrário!

Obviamente, aquela rede de televisão fazia uma transferência de vitórias do individual para o coletivo, dando a entender que aquelas vitórias, por exemplo, as do Senna, pertencem a todo mundo (e as derrotas do Barrichello, pertencem a quem?). Setores específicos, como Educação, Esporte, Cultura, Meio Ambiente,Tecnologia, Ciências, Música, Literatura, Artes Cênicas, Saúde, Turismo, Segurança Pública, Habitação, entre tantos outros, mostram índices de derrotas (a quem pertencem essas derrotas?).

Assim como o Hino Nacional é executado, com detalhamento da Bandeira do Brasil, diante dos gramados futebolísticos, nas quadras de vôlei, nas piscinas olímpicas e ao zunido das raquetes ou ventos dos veleiros (de forma imprópria, pois aquelas vitórias continuam sendo individuais ou, no máximo, do grupo e técnicos que delas participam), poderia, também – agora, de forma apropriada e eloqüente, ser executado (com detalhamento da Bandeira) em face de crianças violadas e violentadas pelo “Brasil” que dorme e ronca, em homenagem às milhares de pessoas que não têm nem acesso nem informações sobre quaisquer pandemias atuais (e devem ser muitas mesmo!), diante de cada hectare (entre os milhares) de árvores amazônicas derrubadas por madeireiros e pecuaristas doentes e excitados. O Brasil que vence, tem no seu Sete de Setembro, muito por cantar o Hino Nacional e se envolver com a Bandeira, assim como o fazem os senadores, deputados federais, deputados estaduais, vereadores, presidente, governadores e prefeitos corruptos (tudo com letra minúscula mesmo, pois me refiro a criminosos!). Por questões pessoais, ficarei apenas no Legislativo e Executivo (hoje!)

Aquelas vitórias individuais ou de grupos de atletas, atribuídas ao “Brasil que vence” é uma incoerência, quando não uma falsidade coletiva. É a mesma coisa, quando ouvimos: “a humanidade chegou à lua”, quando sabemos que a humanidade não chegou à lua - alguns homens chegaram à lua a partir de alguns organismos, entre os quais, a NASA. A humanidade continua nas cavernas, nas lutas canibais, nos esgotos metropolitanos, nos grunhidos virtuais.

Pois bem, aquelas vitórias são dos atletas ou de seus técnicos! E basta! Os desvios, cuja lista alcança a lua, dos usurpadores do Legislativo e do Executivo (neste caso com letras maiúsculas, pois me refiro ao conceito maravilhoso de dois dos “Poderes” da República, e não aos homúnculos que os tomaram), sem dúvida, são de todos! Cada desvio, cada discurso e salivas babadas desses homúnculos, cada contrato assinado às escuras, cada mala de dinheiro público disponibilizada em farras oficiais, cada ato secreto, enfim, cada item desta longa lista, pertence ao povo brasileiro, com direito à Bandeira e Hino, pois os homúnculos, diferentes dos atletas, não são de geração espontânea, mas criados na escuridão de cada uma das seções e urnas eleitorais que a todos pertencem, a menos que realmente concordemos que o povo brasileiro é mesmo hipossuficiente, continua em cavernas, pratica canibalismo, habita esgotos metropolitanos, comunica-se com grunhidos e acredita, ainda, no grito de liberdade de D. Pedro I!

São Paulo, 11 de setembro, 2009


© Pietro Nardella-Dellova. Mestre em Direito pela USP. Mestre em CRE pela PUC/SP. Pós-Graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92) e FIO DE ARIADNE (org./co-aut., 94), das traduções FILOSOFIA DEL DIRITTO PRIVATO (de P. Cogliolo) e GIUSTIZIA (de Z. Zini), bem como, das teses A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (PUC/SP) e A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (USP). Professor de Direito e Consultor Jurídico.

Contato: professordellova@libero.it

lunedì 31 agosto 2009

COM ALEGRIA, NOVOS LIVROS ESTÃO CHEGANDO


Prezadíssimas amigas e amigos, salve!

Escrever é um ato de afirmação da vida e de tudo que está em seu entorno. Escrever é um ato humano, plenamente humano, como se pudesse ser, em determinada medida, um grito, um resmungo, uma canção... Escrever, enfim, é resistir! Não escrever, é morrer!

Este ano de 2009, meus dois primeiros trabalhos, AMO (1989) e NO PEITO (1989) que me inscreveram na UBE - União Brasileira de Escritores, completam 20 anos de publicação. É uma satisfação indescritível! Depois, até 1994, publiquei outros dois livros, ADSUM (1992) e FIO DE ARIADNE (1994) e fiz outras traduções de obras jurídicas, do italiano para o português (GIUSTIZIA, FILOSODIA DEL DIRITTO PRIVATO e VIAGGIO NEL PAESE DOVE FIORISCONO I LIMONI). Mantenho, desde 1990, a produção quinzenal de Artigos, incialmente, pela Folha de São Paulo, e, depois, em outros variados veículos, sejam Jornais ou Revistas, Blogs ou Sites, somando centenas de publicações.


Após 1994, tive que suspender a publicação de Livros e me empenhar em duas áreas de pesquisa Acadêmica, sendo uma delas pela PUC/SP (A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO, 350 págs) e outra, pela USP (A CRISE SACRIFICIAL DO DIREITO, 400 págs). Foram muitos anos de estudos que resultaram em dois Mestrados nestas Instituições e uma constante e ininterrupta atividade no Magistério Superior, especialmente, em Literatura, Direito e Filosofia do Direito.

Ao terminar os meus Mestrados, retomei os projetos literários, mantendo o Magistério, mas logo tive que suspendê-lo novamente, pois fui convidado por um amigo a desenvolver um Projeto Acadêmico para Curso de Direito (300 págs), de caráter humanista, com administração independente das mantenedoras. Fiquei entusiasmado com a idéia, dedicando, então, seis anos para levar o Projeto do Curso, desde o papel até o reconhecimento pelo MEC, com gerenciamento e coordenação completa do Projeto, das Biblioteca, Convênios, Corpo Docente, entre outras atividades afins.

Então, o Projeto ganhou vida própria e eu retomei os textos e escritos literários. Apesar de tantas atividades e responsabilidades intensas, tanto no Magistério quanto na Coordenação Acadêmica, mantive a produção incessantemente. Assim, tenho outros quatro livros prontos e escrevo um novo texto.

Os primeiros quatro livros (Amo, No Peito, Adsum, Fio de Ariadne) publicados nos anos 90, foram totalmente esgotados. E, entre reeditá-los e lançar novos, decidi pelos novos. Dois deles, os acadêmicos, são frutos das pesquisas junto à PUC/SP e USP que serão, oportunamente, oferecidos ao público.

Os outros dois, cujo trabalho editorial está em curso, são de Textos Gerais e de Poesia. O de Textos (200 págs) está divido em 7 (sete) capítulos, cuja temática vai desde relações familiares, jurídicas, políticas, até as espirituais. O segundo, de Poesia, está dividido em 4 (quatro) partes, em consonância com a movimentação humana em seus quatro setores.

Assim, em breve tempo, brevíssimo mesmo, estes livros serão disponibilizados, creio, em lançamento, tanto em Campinas quanto em São Paulo. Estou nas fases finais da revisão dos textos, em tempo integral e ininterrupto. Estou bastante animado para lançamentos em agosto, no próximo mês.

Enquanto isso,continuo no novo texto, cuja reflexão é a da busca pela nossa própria humanidade. Um romance reflexivo sobre a condição humana contemporânea ou pós-moderna.

Allora....conto com sua acolhida e leitura, amizade e presença, nos lançamentos, bem assim, na divulgação de nosso trabalho, cujo resultado será a possibilidade de mais textos e livros, como sementes em terra propícia.

Afinal, um livro é como um filho, como o nascimento de um filho, e os amigos como um jardim de variados matizes, cores, perfumes e inspiração... E, saber que posso andar por entre o jardim e receber a atenção dos amigos e alguma coisa de maravilhoso!


Nas Bênçãos do Eterno


e com a amizade do


Prof. Nardella-Dellova

Obs.: Deixe um comentário seu neste tópico, com seu nome, e-mail, contato, para informarmos da data dos lançamentos dos livros ou, simplesmente, envie-nos um e-mail: professordellova@libero.it, manifestando seu interesse na aquisição dos mesmos.

venerdì 28 agosto 2009

Livro: A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS, de Pietro Nardella-Dellova, Ed, Scortecci, 2009. 312 p.

O livro
A MORTE DO POETA
NOS PENHASCOS
E OUTROS
MONÓLOGOS
pode ser adquirido:
1) Pela Livraria Cultura (em qualquer lugar): www.livrariacultura.com.br/

2) Pelo Blog Café & Direito: cafedireito@libero.it

3) Na Marcucci Livros (Região Metropolitana de Campinas), com entrega direta – fone: (019) 35796844, e-mail: marcuccilivros@terra.com.br

4) Na Galpão Livros (Barão Geraldo/Unicamp): Rua Francisco de Barros Filho, 16 – Barão Geraldo, Campinas, SP – fone: (019) 3289.2044 - e-mail: galpaolivros@terra.com.br

4) Na Livraria Asabeça (virtual e São Paulo): http://www.asabeça.com.br/
Rua Dep. Lacerda Franco, 187 – Pinheiros, SP – fone: (011) 3031.3956 ou e-mail: livraria@asabeca.com.br

giovedì 13 agosto 2009

SOBRE O VÍRUS N1H1

SOBRE O VÍRUS N1H1



E-mail enviado pela Dra. Káthia Ribas
CRM 9448

Gerência do Instituto Curitiba de Saúde:

Queridos amigos:

Devo ter esquecido alguns, repassem também aos conhecidos.

Tenho recebido perguntas e informações, as mais diversas das mais diversas fontes, muitas delas alarmistas... e temos que ser realistas.Apesar de estar em férias, dediquei esta última semana para uma intensa participação e pesquisa junto à todas as entidades oficiais competentes sobre o assunto, e não tenho motivos para achar que elas estejam ocultando ou minorando a real dimensão do problema.


Estive com o Secretário Estadual de Saúde, participei da reunião do Ministério da Saúde, conversei com a s autoridades da Vigilãnica Sanitária, SAMU e Secretaria Municipal de Saúde, além de epidemiologistas e infectologistas.Não satisfeita, liguei para o CDC (Centro de Controle de Doenças em Atlanta), onde trabalha uma colega minha de turma.A situação atual é a seguinte:O virus H1N1 já ultrapassou a barreira inicial, circula livremente entre nós, veio para ficar.


Nesta 1º onda do virus no Brasil, calcula-se que 70.000.000 de brasileiros terão contato com ele até final de setembro. Das atuais viroses respiratórias presentes no sul do país, 60% já são do novo vírus, isto é, das pessoas com gripe que falamos ou que circulam na rua, ônibus, bares, igrejas clubes, etc., mais da metade já tem o novo vírus... Isto é uma projeção estatística, ou seja, não há mais capacidade para se fazer exame de todos os suspeitos. A condução dos casos será como da gripe comum, e somente os casos graves ou em grupos de risco haverá dispensação da medicação anti viral.


O virus H1 N1 tem maior transmissibilidade que o vírus influenza , mas tem MENOR PATOGENICIDADE, OU SEJA MATA MENOS QUE A GRIPE COMUM... Acontece que ele tem tropismo por organismo com alguma brecha imunológica que comprometa as defesas habituais, então ele pode ser potencialmente mais agressivo em pacientes com: nutrição inadequada, más condições de higiene, cardiopatas e pneumopatas cronicos, asmáticos graves, renais crônicos, diabéticos, obesos mórbidos, pessoas em tratamento com imunossupressores (corticoides, tratamento para câncer) e doenças degenerativas.


Em pessoas hígidas, dificilmente haverá complicação, e, volto e frisar, a MORTALIDADE É MENOR QUE O VIRUS INFLUENZA. Em 2008, só no mes de julho, 4500 pessoas morreram de gripe comum no Brasil. Estamos com 47 mortes pelo novo virus em 18 dias de circulação... Temos que estar ALERTAS, isto sim, pois é um virus novo, pode sofrer mutações, e ainda estamos aprendendo a conviver com ele.


Por enquanto o importante é:


boa alimentação, SUCOS DE FRUTAS, ÁGUA, ÁGUA DE COCO, VERDURAS, AMBIENTES AREJADOS, HIGIENE ADEQUADA DE MÃOS E VIAS AÉREAS, LAVAGEM DE MÃOS VÁRIAS VEZES AO DIA. ALCOOL PODE SER USADO EM SUPERFICIES POTENCIALMENTE CONTAMINADAS (MESAS DE CONSULTÓRIO, LOCAIS ONDE PESSOAS TENHAM ESPIRRADO, (mas sem maiores neuras, por favor, teremos que conviver alguns meses com este virus, como os tantos outros de gripe...)


As Máscaras continuam recomendadas para quem está com quadro gripal, em respeito aos outros, e em alguns serviços de Pronto Atendimento , para as equipes de Saúde... nada de sair pela rua e shoppings com máscara e vidro de alcool gel na mão, precisamos de bom senso, tranquilidade é pés no chão.


Evitar locais fechados, aglomerações shoppings, cinemas, bares, chimarrão e narguille, pelo menos nos próximos 15 dias, enquanto o virus está em "curva ascendente"...Depois, é vida normal.


O anti viral - Tamiflu- só será disponibilizado pela SMS para os casos comprovadamente graves, não tomem para qq gripe, pois aumenta a resistencia do bicho...

Em 99,85% dos quadros de H1 N1 a evolução será ABSOLUTAMENTE BENIGNA, ou seja, portados assintomático, sintomas leves ou moderados, perfeitamente tratados com: cama e sintomáticos (repouso por 5 dias está mais que suficiente).


O afastamento das aulas é muito mais uma medida tranquilizadora para os pais, enquanto as equipes das escolas são adequadamente preparadas para receberem os estudantes e conviverem com a nova doença.


As 2 gripes estão ai, os sintomas são idênticos, não há porque saber se é gripe A ou influenza, a conduta será igual, e evoluirá geralmente bem.Tivemos mortes, sim (porém 3 das mortes da semana passada acabaram se confirmando como da influenza, e não da gripe A).


Alguns jovens saudáveis faleceram sim, mas na grande maioria , mesmo nos jovens, havia algum fator basal predisponente: acompanhei 3 casos: 1 criança do interior(desnutrida); 1 adulto com 33 anos (cirrose ) e 1 senhora de 54 anos (asmática grave).


Portanto, amigos, muita cautela na tranmissão de informações: A CALMA É FUNDAMENTAL, OS CUIDADOS GERAIS TAMBÉM. DEVEMOS ESTAR ALERTAS, MAS TEMOS QUE SEGUIR A VIDA COM NORMALIDADE, PORQUE A GRIPE SAZONAL MATA MUITO MAIS QUE ESTA E NUNCA TEVE ESTA DIMENSÃO DE ALARME.


Evitem lotar os hospitais com casos leves, só em casos de febre = ou > de 38ºC (este é o fator patognomônico!!), dor de garganta ou dificuldade respiratória as pessoas deverão procurar os postos de Saúde.Estamos conectados diariamente com a SMS, SESA e Central de Leitos, qualquer alteração na condução dos casos ou orientações gerais, haverá ampla divulgação


Abç,


Káthia Ribas
CRM 9448
Gerência do Instituto Curitiba de Saúde

giovedì 30 luglio 2009

Ao GOLEM ou, avante na escuridão, com sete passos e três letras na testa


Ao GOLEM ou, avante na escuridão, com sete passos e três letras na testa

por Pietro Nardella-Dellova

א
Há uma sensação de que a luta cotidiana vai perdendo o sentido e que o número de concorrentes é por demais grande, além das forças do que seria normalmente uma regular competição. Cria-se uma perspectiva totalmente enganosa, entre névoas de equivocados conceitos, pois todos vão desaprendendo o caminho do pensamento crítico e perdem os ângulos da oportunidade, porque, afinal, todos amam escadas rolantes e se aglomeram ali. Não param e não reagem, não pensam e não criticam esta marcha insana, comum, massificada e desumana.

Sim, desumana! É desumano caminhar e existir pelo impulso de outrem, pelos conceitos de outrem e pelas fantasias generalistas, bem como e, principalmente, sem se dar aquele momento único, no qual o milagre da individualidade acontece. Um homem (e não, o homem!) é dotado de algo mais, ao menos, um sopro à mais. Não significa que saiba disso e que tenha plena consciência de que o nome em sua testa seja único e efetivamente maravilhoso. É preciso parar diante da escada rolante e decidir-se por não entrar ali, apenas porque todos estão indo por ali. É preciso sorrir neste momento, com despeito, com altivez, com superioridade e com aquela sensação singular de que se está vendo a massa rolar adiante de seus olhos. Daí, o milagre do sucesso individual é a decisão de subir por escadas convencionais, que não param ao toque dos mecânicos. Veja ali, ninguém sobe por elas – estão vazias!

מ
Eu caminhava, em passos rápidos, alternando às vezes com uma leve corrida. Normalmente, no parque, vou para a direita porque para a esquerda a maioria vai, e vão, também, os dirigidos por personal trainer. Quando atravessei a área mais escura, encontrei um casal trocando beijos entre as mesinhas que estão por ali, pouco se importando se haja ou não carrapatos. E sorri com satisfação de ter visto um casal trocando beijos, sem que os carrapatos incomodem ou sejam suficientemente importantes para inibir o beijo.

Mais adiante, encontrei os trilhos. Trilhos! E, de repente levantei a cabeça naquele momento em que precisamos aspirar, retomar a energia interna para avançar na corrida. Mas, parei. À direita estavam os trilhos; à esquerda, a lagoa com capivaras. Parei, porque ao levantar a cabeça e aspirar, antes de dar o impulso à corrida naquela fase, deparei com a lua, cheia, maravilhosamente cheia, por entre as folhas de árvores que estão ali. Parei o tempo infinitamente necessário para descobrir que aquela lua era minha, só minha e ninguém mais poderia vê-la, tendo os trilhos à direita, a lagoa à esquerda e aquelas folhagens, e aquele ar, e aquele caminho de terra batida – aquela lua e aquilo tudo era o quadro pintado diante dos meus olhos, era meu, só meu!

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Por isso mesmo, é preciso entender esta verdade na testa, como verdade própria. A de que, na neblina da noite, por entre inimigos cruzados, encapuzados, falsas crises, bolhas midiáticas, discursos corporativistas desbotados, imbecis virtuais e idiotas esotéricos, matriculados felizes por não haver aula em tempos de pragas e uma massa que avança – sem sentido – em câmera lenta, arrastando-se pelo deserto ou, simplesmente, seguindo rumo às escadas rolantes, aos bingos e aos parques temáticos, é possível parar e dizer: vou por aqui, porque por ali todos vão!

Deixe os trilhos à direita e a lagoa das capivaras, à esquerda – veja a sua lua! Os concorrentes são fracos, portanto, use a neblina (para que seus inimigos não lhe vejam). Exercite seus sentidos, pelos quais tudo se percebe ao redor – veja melhor, escute melhor, toque mais delicadamente, saboreie com calma e perceba os odores variados! Avance e vença, afinal, as corporações são numerosas, mas sem recurso moral e sem bagagem intelectual. Lembre-se, a maioria de seus colegas de classe não estudam – apenas copiam e reproduzem falas de usurpadores das cátedras. Vá pelas escadas convencionais, então, descobrirá que não há muitos contra os quais concorrer. Olhe a lua, pois a maioria esta encapuzada, perdendo tempo com gritarias religiosas ou anestesiados com terços nas mãos e rezas sem fim. Finalmente, outro tanto se perdeu nas vigílias virtuais madrugada adentro ou em maledicências infindáveis.

Vê? Seus concorrentes são fracos demais – numerosos, mas fracos! A massa em câmera lenta é fraca, esotérica e perdida! Os matriculados são apenas matriculados, não estudantes. E os inscritos em corporações são apenas inscritos em corporações – esqueça deles! A lua pode ser apenas sua!


São Paulo, 30 de julho, 2009

© Prof. Pietro Nardella-Dellova מסטר בן עבדיה. Mestre em Direito pela USP. Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. מסטר Mestre na Sinagoga Scuola - בית מדרש‎ - Beit Midrash. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Poeta, autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92) e FIO DE ARIADNE (org./co-aut., 94), das traduções FILOSOFIA DEL DIRITTO PRIVATO (de P. Cogliolo) e GIUSTIZIA (de Z. Zini), bem como, das teses A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (PUC/SP) e A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (USP). Professor, Palestrante, Coordenador de Curso de Direito e Judaísmo e Consultor Jurídico e Acadêmico, desde 1989.

Mais informações, veja CV LATTES/CNPQ/MEC:
http://lattes.cnpq.br/1306316250021237

Clique no link e veja outros textos do Prof. Nardella-Dellova:
RELAÇÃO DE TEXTOS PUBLICADOS NO CAFÉ & DIREITO

Contato:
professordellova@libero.it ou cafedireito@libero.it

lunedì 20 luglio 2009

BACI ALLEGRETTI ou, beijos compostos para dueto pleno!


BACI ALLEGRETTI ou, beijos compostos para dueto pleno!
por Nardella-Dellova

Os beijos têm diferentes faces, e cores, e sabores, e duração, e profundidades, e energias, e tessituras, e geografias. Há beijos de amigos que se encontram e beijos de amantes que se reencontram no vácuo do tempo. Há beijos americanos e beijos brasilianos, mas, há beijos totalmente napolitanos!

Há beijos religiosos e beijos escandalosos. Há beijos que são ícones da Internet e beijos de plástico. Há beijos com máscaras e sem máscaras! Há beijos terapêuticos e psicoterapêuticos. Há beijos de misericórdia e beijos de piedade. Há beijos de maridos e de esposas e há beijos de enamorados. Há beijos convencionais e há beijos apaixonados! Há beijos vivos e beijos necrófilos – beijos de lábios e beijos de espelho do espelho no toalete!

Há beijos que são beijos de Homem-Poeta e de Poeta-Mulher, de Homem-Poesia e de Poesia-Mulher, profundos e demorados, beijos que vasculham o céu da boca, a língua e todos os lábios, e todos os poros, e os olhos, e as faces, e a pele inteira, e as mãos, e os dedos, e os braços, e as coxas, e as costas, e os cabelos, e as orelhas, e o pescoço, e o peito, e os seios. São beijos que misturam e espalham o vinho, do umbigo ao corpo inteiro, e escrevem partituras inteiras – são beijos sonoros que avançam allegretto e se destacam no dueto pleno, entre as vozes dissonantes da turba tresloucada!

Beijos demorados no corredor, elevador, biblioteca, setor de macarrão, frios e eletrodomésticos – beijos anticomerciais, beijos apolíticos. Beijos antissociais!

Quais beijos são os beijos da sua boca, querida? São melhores que beijos virtuais? São melhores que beijos matrimoniais ou religiosos? São beijos musicais? São beijos desenhados na pele, umedecidos no toque despretensioso e demorado? Conhece os beijos que nascem das palavras vivas dos poetas. Palavras que carregam almas. E almas que carregam corpos. E corpos que carregam ardores. E ardores que carregam o gotejamento apressado de corpos com almas, absortas nas palavras do poeta, ditas a quaisquer brisas que sopram sobre o estacionamento. Conhece estas palavras que brotam do inimaginável e despreocupado encontro e do beijo que fica entre os desenhos da face e da boca? Beijos que começam no canto da boca...

E os vampiros sabem o que é o dueto? E os necrófilos, saberiam o que é o beijo allegretto? Os vampiros se perderam entre os necrófilos e as pessoas entre imagens e fakes? Atrás de um fake existe uma enfermidade e entre eles, existem seres vivos, e existem mulheres de corpo e alma, de espírito e inteligência, de perfume e intensidade. Alguns nadam na superfície; outros, mergulham na profundidade! E aos que estão acostumados à invariável superfície, mergulhar causa espanto e sobressalto! O mergulho é o ato de coragem afeito aos que amadurecem pelo tempo e pela experiência, pela dor e conhecimento – peça força que nasce quando ridicularizamos a sociedade que nos cerca com sua amarelada hipocrisia. Afeito aos que discernem entre o perfume natural da carne em chamas e o perfume de Shopping Center!

O que você pode dizer, querida, sobre o mergulho? O que pode dizer sobre Eurídice e Orfeu? O que pode dizer sobre o vôo das águias? Tente dizer e passear por este caminho. Tente descer ou subir, mergulhar ou voar! Ainda que eu saiba que o silêncio é melhor que a fala, experimente a fala, enfrente o Poeta e diga sobre os entranháveis desejos da alma humana. Diga que Orfeu era um Poeta e desceu para buscar a amada no esconderijo dos mortos. Invente palavras e sussurros, gemidos e vozes e diga sobre se isto é um diálogo ou um mergulho – mas, não diga que é um diálogo profundo, pois diálogos profundos rapidamente se convertem em monólogos...Porque dizendo, saberá que é diálogo e mergulho...

E se é diálogo, deve saber a fala poética, os códigos poéticos e os poros poéticos! Se é mergulho, deve ter fôlego, deve ter força e querer encontrar, com as mãos dadas ao Poeta, as pérolas que só se encontram no fundo, apenas no fundo. Então, depois, precisa de um manto aberto e poros que respirem intensamente. Sabe mergulhar? Tem fôlego para ir ao fundo, onde apenas seres de verdade se encontram e se descobrem, onde pérolas se fazem com o ritmo do tempo sem pressa e sem contas? Se nada sabe de Poesia e se não tem fôlego nem coragem, não poderá mergulhar com o Poeta nem dialogar diante de quem estende a mão para o movimento musical. Mas, quando pensar na pérola, vencerá o medo, e a Poesia se intensificará em seu corpo e lhe dará vida. Seus poros respirarão dentro das águas profundas. Não é uma lição – é um fogo de vida e intensidade!

O Poeta não ensina – o Poeta vai! Ele leva você a ver do alto, a voar alto, a mergulhar, a mergulhar ao fundo. Quer a lição ou o vôo? Quer o conceito ou o mergulho? A mágica da Poesia é receber asas de águia, para voar alto - quer? E receber fôlego, para mergulhar com o Poeta ao fundo, e encontrar pérolas - quer, também?

Então, se você ouvir a Poesia e descobrir de que são formados os beijos do Homem-Poeta, descobrirá a sua Poesia-Mulher, e pedirá para voar alto, bem alto, e para ver as pérolas que lhe fazem falta ao fundo, se vencer o medo do profundo. Enquanto a noite não vem, desenharei as asas que erguerão você para o alto, para o bem alto, e juntarei o ar de que precisa para o mergulho. E, se o Poeta estender a mão, dirá: sim, Poeta, quero voar alto – me leve! Sim, quero mergulhar fundo – me leve...Leve-me às pérolas, porque preciso de pérolas. E, se o Poeta levasse você, perderia o fôlego e as asas?

Então, se perder as asas, será trazida de volta á terra. E, se perder o fôlego, será trazida de volta à superfície. Porque os beijos têm diferentes faces, e cores, e sabores, e duração, e profundidades, e energias, e tessituras, e geografias.
São Paulo, 13 Julho, 2009 - 22 Tamuz 5769
Ilustração: o Dueto, por Hendrik ter Brugghe
© Prof. Pietro Nardella-Dellova מסטר בן עבדיה. Mestre em Direito pela USP. Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola - בית מדרש‎ - Beit Midrash. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Poeta, autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92) e FIO DE ARIADNE (org./co-aut., 94), das traduções FILOSOFIA DEL DIRITTO PRIVATO (de P. Cogliolo) e GIUSTIZIA (de Z. Zini), bem como, das teses A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (PUC/SP) e A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (USP). Professor, Palestrante, Coordenador de Curso de Direito e Judaísmo e Consultor Jurídico e Acadêmico, desde 1989.

Mais informações, veja CV LATTES/CNPQ/MEC: http://lattes.cnpq.br/1306316250021237

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domenica 19 luglio 2009

Ao MEU BABBO ou, como abençoar até mil gerações


Ao MEU BABBO ou, como abençoar até mil gerações
por Pietro Nardella-Dellova

Tudo que este homem quer é o campo florido e perfumado...
in AMO, 1989


Babbino mio, venho caminhando daqueles primeiros passos, meio trôpegos, que você orientou e ajudou a firmar e, acredite, ainda sinto, fortes e delicadas, as suas mãos nas minhas mãos e nos meus ombros e, ainda, estão presentes o calor e o afago da sua face colada à minha.

Ouço o seu riso sonoro, em meio àquelas cócegas barulhentas que fazia na minha barriga com os seus bigodes vermelhos e com o seu naso napoletano. E isto me encanta até hoje, e me leva para o ontem e para o amanhã. Eu vejo, caro babbo, seus olhos verdes num sguardo de bondade, e expressivos (dizendo sempre alguma coisa), lançados sobre mim como se fossem os olhos de D’us (e não são?).

As mãos grandes, a face meio rosada, o riso sonoro, os olhos verdes, os bigodes ruços, a barba grisalha e a sua voz... Era uma bênção única (e ainda é) ouvir a sua voz traduzindo sonetos de Petrarca, lembra? Você de um lado do quintal e eu do outro (sua voz levava-me aos anos 1300): ...stiamo, amore, a veder la gloria nostra ... vedi bem quanta in lei dolcezza piove! ... una pioggia di fior sovra ‘l suo grembo...Qui regna Amore... amore ed io sì pien’ di meraviglia!...Che debb’io far? Che mi consigli, amore?...Amor, se vuoi ch’i’ torni al giogo antico?...Amor, che nel pensier mio vive e regna...(estamos vendo, amor, a nossa glória ...veja bem como está cheia de doçura!... uma chuva de flores sobre o seu colo... Aqui reina Amor...Amor e eu de plena maravilha!... Que devo fazer? Que me aconselha, amor?...Amor, quer que eu volte à sujeição antiga?...Amor que no meu pensamento vive e reina...)

Ah, mio babbino caro, a verdade é que ninguém entendia coisa alguma porque o seu italiano misturava-se à voz emocionada: era preciso não ouvir tanto e mergulhar nas lágrimas que corriam, para entender bem a alma e o profundo de cada verso, porque você chorava sempre diante da poesia humana e, chorava, também, diante da semente germinando, da formiga transitando, dos passarinhos namorando, das nuvens com chuva, do brilho do sol, e falando do Eterno...

E aquelas coisas singulares que você ensinava, formadas na sua sinagoga interior: da grandeza da Torá e da mão do Eterno, da inspiração dos Nevi’im, da intensidade de Isaias, da poesia dos Ketuvim, da profundidade de David, da sabedoria de Sh’lomò, e de um reino futuro onde habitará (ou habitaria) a justiça e a paz do Mashiach...

Sabe... aquela vez... quando eu tinha uns quinze anos, e você me disse que uma mulher era bênção de D’us. Pois bem, no outro dia eu passei a olhar todas as meninas da escola com olhos poéticos, até mesmo aquelas que em tempo de festa junina tinham gosto de mostarda na boca. Passei a vê-las como expressão máxima de qualquer coisa boa: um anjo, um arcanjo, uma deusa, uma estrela... Você me revelou naquele dia a mulher e meus olhos se abriram... E passei a perceber todas elas: a diretora, a professora, a servente, a mãe, a filha, a tia, a santa, a louca, a largada, a certinha, a vizinha, a de mostarda na boca (todos os anos), a que ama chocolates (todos os chocolates), a alta, a baixa, a gordinha, a magrinha, a nova, a madura (esta em especial), a idosa, a branquinha, a amarelinha, a negrinha, enfim, todas. Entendi, finalmente, o porquê de você falar delas com mel nos lábios, com delicadeza, com um meio sorriso e o porquê de beijar-lhes as mãos: viva! São mesmo diferentes! São mesmo poesia pura! (embora muitas nada saibam de poesia e amor). São mesmo uma bênção de HaShem!

Aliás, depois de me dizer que D’us estava em todos os lugares do mundo e que tudo fora creado por ele – e que nele não havia violência alguma, ao mesmo tempo que você tratava as formiguinhas (eu me lembro bem) à boca do formigueiro com leite em pó e gomos de laranja. E, também, quando partia o pão para nós, não tive mais medo de dizer para as pessoas que D’us estava no partir do pão e, tanto no Universo quanto, e principalmente, nas formigas...

Mas, até hoje elas não entendem muito bem essa coisa de Eterno, Torá, Universo, partir do pão e formigas...e menos ainda essa outra coisa de mulher ser bênção... Porque, geralmente, as pessoas comem sem nunca terem feito um pão e não olham muito para as estrelas e, menos ainda, para as formigas – e não percebem as mulheres feitas de poesia, mel, delicadeza, inteligência e bom cheiro, por perto.

Mas, não importa. As impressões, as primeiras impressões, que você plantou em mim como babbo, e a instrução que me deu como rabi, estão tão profundamente arraigadas que se converteram em princípios, dos quais eu não me perco facilmente. Quaisquer que sejam as dificuldades, babbo mio, meu amigo para sempre, não converto D’us em ídolo nem a Torá em magia; não me alimento da gordura das ovelhas nem me visto com sua lã e não piso em formigas. E as mulheres, mesmo quando um pouco confusas, continuam poesia puríssima e bênção divina.

Sigo o caminho da simplicidade, amado babbo, preferindo trilhas em vez de ruas asfaltadas. Continuo não gostando do cimento e do concreto que oprimem a terra e fico feliz, muito feliz, ao ver as raízes das árvores arrebentando as calçadas, vencendo o concreto e desfazendo a idiotice generalizada. Odeio copinhos, saquinhos, garfinhos, pratinhos e outras coisas de plástico que sufocam o mundo e me entristeço, facilmente, com os lugares manchados de sangue inocente.

E, ainda, luto contra a força terrível da coisificação que quer fazer de mim, do meu pensamento, da minha consciência, da minha pesquisa, da poesia, da mulher amada, da fé, dos professores, dos alunos, dos representados nos tribunais, dos filhos e do sentimento, coisas entre outras coisas de mercado!

Às vezes, fico às margens do Tirreno sentado e quieto. Às vezes, com Abraham, il mio figlio primogenito que as suas mãos, babbo, ungidas de todas as Mitzvôt, ergueram, abençoando-o, num Shabat pleno de Torá e, diante do seu D’us, B’H. E ali, às margens daquelas águas de Fondi, reúno você, babbino, e la mamma, i nonni Giuseppe e Luigia, Giuseppe e Antonia Maria, i bisnonni Antonio e Anna, Onorato e Rosa, Donato e Giovanna, e l’altri antenati Dellova, Nardella, Pietrobuono, Iamini, Ciola, Di Denia, Trani, Talano, Miggiarra, Marrocco, Zippo, Orticello, Traglia, Morella, Addessi, Gasparrini, Casale, Di Fazio, Terensio, Monacco, Colonna, Pasciuto, Notaberardino, Mastrobattista, Nardoni, D’Errico, D’Élia e Ovadiah, e nos assentamos, todos, ali.
E conto ao meu figlio histórias dos patriarcas, dos tijolos, do sangue, das pirâmides, do Pessach, do deserto, do Sinai, de Moshè, de Yehoshua, de David, dos Profetas, das cadeias babilônicas, do Chanuká, das espadas e cruzes greco-romanas, do Mashiach (e de como o desfiguraram...), dos talmidim que resistiram, das fogueiras da Inquisição, dos fornos nazistas, do peso fascista, da covardia getulista, da iniqüidade terrorista e lançamos, sem pressa alguma, pedaços de pão caseiro sobre aquelas águas (num particular momento de transferência da bênção e da fidelidade que permanece faz quatro mil anos).

Por isso mesmo, jamais acordo gritando, assustado ou ofegante na madrugada; jamais sou fraco e jamais temo a morte, porque seu D’us é o meu D’us (embora brigue muito com Ele), e sua Torá é minha Torá, e não me afasto do abraço do talit, nem rompo a comunhão dos tefilim, nem me descubro da reverência do kipá, porque seu nome, babbo, é um hino na minha boca, a sua lembrança é um fogo vivificador e me ensina diuturnamente.

E o pão, babbo mio (il pane!) continua simples e justo! Pois o mais justo que posso viver e o melhor que posso fazer na vida que você me deu, é manter acesa esta pira sagrada!

Ah, babbino mio, nasceram-me, nestes últimos tempos, "due bambine", Luigia e Giovanna, cheias de graça, música, flores e risos, que você não pôde conhecer (ou pode?). Mas elas conhecem você em mim, presente, e foram abençoadas pelas suas mãos nas minhas continuadas, diante da mesma Torá.

Agora, para as formigas do quintal essas duas bambine dizem: tutto bene, formica? (e lhes dão casquinha de biscoito); para as flores daqueles pequenos vasos: buongiorno, fiori! (e lhes fazem um carinho). E, todos os dias, ao entrarem ou saírem, tocam carinhosamente a mezuzá cantando com um sorriso que não lhes cabe nas faces: Sh'má Yisrael, Adonai Elohenu, Adonai Echad.

Fondi/São Paulo, 29 ottobre 2004 * 14 cheshvan 5765

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Texto dedicado ao meu babbo (pai) Biagio Dellova (de abençoada memória), Mestre e Darsham para sempre. E, também, aos meus filhos Abraham, Luigia e Giovanna: que sejam abençoados por todas as bênçãos da Torá, e sejam como nossos patriarcas Abraham, Itzchak e Ya'akov e como nossas matriarcas Sarah, Rivka, Rahel e Liah!
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© Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela USP. Mestre pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Professor de Direito.

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