alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







mercoledì 16 settembre 2020

CHAMADA PARA REVISTA DE DIREITO CIVIL (N° 4, jul./dez., 2020)



CHAMADA PARA REVISTA DE DIREITO CIVIL
(N° 4, jul./dez., 2020)

Coordenação
Prof. Dr. Pietro Nardella-Dellova

Artigos, dúvidas e orientações:
pietrodellova2014@gmail.com

Publicação Semestral da
Faculdade de Direito Padre Anchieta
ISSN 2596-2337

TEMAS

Livres, mas relacionados ao Direito Civil, Direito Civil Constitucional, Direito Civil Comparado, Direito Privado Romano, Grego e Hebraico, História do Direito Privado, Direito e Religião, Hermenêutica aplicada, Direitos Fundamentais aplicados ao Direito Privado, Direito do Consumidor, Direitos da Personalidade, Pessoas, Ben's e Fatos Jurídicos, Obrigações, Contratos, Direitos das Coisas, Direito das Famílias, Sucessões, Direito da Criança e do Adolescente, Aspectos Processuais do Direito Civil, Direito Cambial, Direito Marítimo, Direito Empresarial, Direito Bancário, Títulos de Crédito, Contratos Mercantis, e respectivos. Temas relacionados à crítica do Direito Civil em conexão interdisciplinar (como, por exemplo, sociologia, filosofia, antropologia, psicologia, psicanálise, economia, história, religião, medicina) serão muito bem recepcionados.

ORIENTAÇÃO GERAL/FORMAL:
 
1) Os Artigos devem ter aproximadamente de 10/15 a 20/30 laudas, escritos em times roman 12, com espaço de 1,5, 
 
2) ESTRUTURA PARA O ARTIGO:
 
• Resumo/Abstract: versão em português e inglês (10 linhas em cada versão)  com cinco palavras-chave/key words

• Introdução

• Problematização

• Tópicos

• Conclusão 

• Referência Bibliográfica 

• As NOTAS devem ser preferencialmente de rodapé 

3) Minicurrículo (10 linhas)
  
4) O prazo para submissão dos Artigos: 21 de setembro de 2020
 
5) Envio exclusivamente para pietrodellova2014@gmail.com

EDIÇÕES ANTERIORES n. 1, n. 2, n. 3 
Confiram nosso Corpo Editorial (atualizado), as Edições anteriores e todos os Artigos Artigos publicados aqui: 

https://revistas.anchieta.br/index.php/RevistaDirCivil/issue/archive 

 
Prof. Dr. Pietro Nardella-Dellova 
(Coordenador da Revista de Direito Civil)


 

O ALUNO DE DIREITO QUE É TAMBÉM UM PEDREIRO! (de Pietro Nardella Dellova)

O ALUNO DE DIREITO QUE É TAMBÉM UM PEDREIRO!

Assumi uma turma de Primeiro Semestre, com Direito Civil. Foi o primeiro dia de aula, e, logo na primeira Carteira, um Estudante, diria, um jovem senhor (talvez, uns 45 anos), mostrava-se radiante, sorriso largo, olhos vívidos. Depois que comecei a expor as bases do meu Direito Civil-Constitucional ele não se conteve, disse algo e estabelecemos um rápido diálogo:

- É isso, Professor, é isso, estou emocionado com tudo isso.
- Com o que exatamente, meu caro?
- Ouvir o senhor, estar aqui nesta Carteira, era meu sonho cursar Direito...
- Que bom, fico feliz com isso...
- Professor, eu preciso tirar uma foto e mandar para minha mãe, para ela ver que estou aqui, ela mora no Ceará, e nem pode imaginar que estou fazendo Direito.
- E você trabalha em quê, meu caro?
- Sou pedreiro, Professor...

E foi-se uma semana...

No segundo encontro, o aluno também e ainda pedreiro, trouxe vários livros que comprou no sebo, e pediu que eu visse e dissesse algo sobre os livros. Ainda ele estava radiante... Dialogamos um pouco mais, logo no início da aula:

- Professor, estou tão orgulhoso, tão feliz, o senhor não sabe o que significa para mim poder estudar aqui... estou honrado em ter o senhor como Professor...
- Eu imagino, meu caro, eu imagino. Mas, eu estou honrado em ter você por aqui. Você traz dignidade para esta Casa do Direito. E, guarde o que vou lhe falar: o Direito precisa mesmo de pedreiros, de construtores, de gente que sabe o que é construir uma casa, o que é construir uma ponte, o que é construir um caminho, enfim, o Direito precisa mesmo de gente digna, como você, e, sobretudo, de gente que pretende fazer a própria mãe feliz...

Ele saiu, com olhos lacrimejantes. Eu saí, com olhos lacrimejantes...

(Pietro Nardella-Dellova)

mercoledì 29 gennaio 2020

CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO REVISTA DE DIREITO CIVIL Nº 3, Coordenação do Prof. Dr. Pietro Nardella Dellova

CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO REVISTA DE DIREITO CIVIL Nº 3



Prezados, com imensa satisfação, estamos organizando a TERCEIRA EDIÇÃO (Nº 3) da nossa REVISTA DE DIREITO CIVIL. Abrimos, assim, a Chamada e o período de recepção, análise e aceitação dos Artigos.
Veja, abaixo, orientações, informações, endereço das Edições anteriores, prazos, contatos etc.
Abraço fraternal
Prof. Dr. Pietro Nardella-Dellova



REVISTA DE DIREITO CIVIL
Coordenação
Prof. Dr. Pietro Nardella-Dellova



Artigos e Informações:
pietrodellova2014@gmail.com



Publicação Semestral da
Faculdade de Direito Padre Anchieta
ISSN 2596-2337



EDIÇÕES ANTERIORES
Confira nosso Corpo Editorial (atualizado) e nossos temas



Aqui:
n. 2, jul./dez. 2019
http://www.portal.anchieta.br/revistas-e-livros/direito-civil/pdf/artigo-direito-civil-vol1-num2.pdf



Aqui
n. 1, jan./jun. 2019
http://www.portal.anchieta.br/revistas-e-livros/direito-civil/pdf/artigo-direito-civil-v1.pdf?



TEMAS



Livres, mas relacionados ao Direito Civil, Direito Civil Constitucional, Direito Civil Comparado, Direito Privado Romano, Grego e Hebraico, Direito Empresarial, Direito do Consumidor, Direito da Criança e do Adolescente, Direito das Famílias, Aspectos Processuais do Direito Civil, Direito enfim, Direito Privado. Temas relacionado à crítica do Direito Civil em conexão interdisciplinar (como, por exemplo, sociologia, filosofia, antropologia, psicanálise, economia, história, religião) serão muito bem recepcionados.



ORIENTAÇÃO GERAL/FORMAL:

1) Os Artigos devem ter aproximadamente de 15 a 20 laudas, escrito em times roman 12, com espaço de 1,5

2) com a seguinte estrutura necessária para o Artigo:
• Resumo/Abstract: português/inglês (10 linhas em cada versão) com cinco palavras-chave/key words
• Introdução
• Problematização
• Tópicos
• Conclusão
• Referência Bibliográfica

3) Minicurrículo (10 linhas)

4) O prazo é 15 de março de 2020

5) Envio exclusivamente para pietrodellova2014@gmail.com

Prof. Dr. Pietro Nardella-Dellova
(Coordenador da Revista de Direito Civil)

divulgar o presente 



martedì 28 gennaio 2020

O DEMÔNIO DO BRASIL É BRANCO, poema de Laura Bastos Pimenta

O DEMÔNIO DO BRASIL É BRANCO

Tem uma língua imensa
Uma boca enorme
Um rabo peludo
Um cérebro doente
Uma cicatriz no corpo

Tem uma língua da maldade
Um coração da malandragem
Uma demência do mal
Um olho azul que esfuma ódio

Tem uma cruz cravada no abdômen
Um abdômen de avestruz
Uma boca de caçapa
Uma caçapa na boca

O demônio do Brasil é branco e sanguinário
É sem pudor e sem temor
É um vil se fazendo de bom menino
Um mau menino que não engana

O demônio do Brasil está nos templos
Nos lugares inesperados
Onde a vida parece a pleno vapor
Mas é apenas vapor de enxofre

O demônio do Brasil não é bem nascido
Mas faz brotar ouro do couro
Faz deboche com a dor
Se compraz no desafeto

Tem lábios trêmulos, olhos de besta,
Sorriso de esquizofrênico
Fala de um dissimulado
Olhos de cegueira

Laura Bastos Pimenta

DIA INTERNACIONAL DA MEMÓRIA DO HOLOCAUSTO, texto de Luigia N-Dellova

DIA INTERNACIONAL DA MEMÓRIA DO HOLOCAUSTO
(Luigia N-Dellova)
Anos 1940: Uma época em que a extrema direita chegou ao poder, trazendo perseguição, terror e massacre não só do povo judeu, mas também de ciganos, negros, LGBT+, comunistas, deficientes... Não foi só uma guerra que representa indícios da crise do capitalismo: representou também a crise da humanidade e da democracia.
Atualmente, no mundo, especialmente, na Itália, Brasil e Estados Unidos, grupos da extrema direita (nazistas/fascistas) estão crescendo e chegando ao poder, com discursos de ódio, de violência, de preconceito, (e isso para os "cidadãos de bem" tá tudo ok, né?).
Pois então. Vamos relembrar um pouco. Vamos estudar História em vez de xingar o professor. Vamos ouvir o negro, o lgbt+, a mulher, o indígena, o judeu, o árabe, em vez de fazer "piadinhas da boca pra fora", em vez de compactuar com comportamentos que parecem inocentes mas que terminam assim: com massacres, sustentados pela banalidade do mal (como escreveu Hannah Arendt, pensadora judia) e pelos grupos da extrema direita, dos fascistas, nazistas, racistas, homofóbicos, antissemitas, islamofóbicos e misóginos, que realmente apoiam e defendem adventos de extermínio como foi o do Holocausto e que chegaram ao poder através do voto.
Ser judia é carregar a História nas costas, nas mãos, na mente. É ter forças para lembrar das atrocidades e para lutar contra elas. O Holocausto faz parte da minha História, e da História de muitos outros povos. Ou melhor, faz parte da história de TODO MUNDO.
Ser judia também é carregar nas costas a História de outros povos, e ainda ter forças para lutar a fim de que o mesmo não aconteça (ou não aconteça novamente) com eles. Então, SIM, mais um dia para relembrar, mais um dia para estudar história, mais um dia para olhar para um país, como o Brasil, e ver um Secretário de Cultura, em pleno 2020, parafrasear Goebbels, nazista, responsável pela propaganda assassina do 3° Reich.
Sou judia, carrego a História nas costas e luto contra a extrema direita, que massacrou e massacra diferentes povos até hoje. E você?
No Presente, lembremos do Passado, para que ele não se repita no Futuro. A história também está na sua mão.
Relembre. Sempre!
No dia 27 de janeiro de 2020, Dia Internacional da Memória do Holocausto.
por Luigia N-Dellova
(Estudante e Violinista)
______________
* Foto by Luigia N-Dellova, em visita (Taglit) ao Yad Vashem: Museu do Holocausto, Jerusalém - Israel.

martedì 21 gennaio 2020

POEMA DE AUSCHWITZ: DO ÓDIO E DA ESPERANÇA (de Pietro Nardella-Dellova)


POEMA DE AUSCHWITZ: 
DO ÓDIO E DA ESPERANÇA









I
Eu esperava ansioso para ir a Jerusalém, mas não é tão simples nem tão fácil chegar a Jerusalém. Muitos homens tentaram – e não conseguiram. Muitos homens ficaram à distância e não visitaram Jerusalém!

e
então
D'us
chamou
hasatan
e lhe perguntou:
de
onde vieste?
de rodear 
a terra,
respondeu 
hasatan,
sorridente

II
A saudade e a lembrança pressupõem a presença de pessoas, ávidas pelo conhecimento, ávidas pela luz e pelo momento em que tenham um estado de Shalom pleno e continuado. Mas, precisamos de desprendimento, da solidariedade, da consciência e responsabilidade com o que temos nas mãos. Em uma delas, a Torá; e na outra, a Poesia! Por que a surpresa, se amar e ensinar estão dentro de um contexto da mesma natureza e substância?

Amar é um estado em que um relacionamento se concretiza para o crescimento, para o fortalecimento, para germinar humanidades inteiras e desabrochar para a vida, para a alegria e para descoberta da nossa própria alma, singular e plena! Amar não é ter ou possuir, escravizar ou pendurar na parede, seja uma cabeça ou uma fotografia. Amar é lançar o outro adiante, na luz e nos processos de libertação. E, assim, na constância, convertê-lo em TU! Amar não é um procedimento idolátrico, diante de um deus grego ou romano, mas uma descoberta, uma realização, uma libertação, uma unção...

III
Por um pouquinho falaremos mais sério. Depois, voltaremos debochadamente a sorrir, rir, brincar e dar gargalhadas. Não, não é necessário ser sério em todas as horas do dia. Não gosto mesmo de ser sério e, menos ainda, em todo o tempo. Não me faz bem essa seriedade continuada, porque a vida vai ficando pela estrada, e as pessoas vão ficando um pouco amedrontadas, um pouco distantes...

IV
As pessoas em quaisquer situações são caras demais, valiosas demais e preciosas demais. È possível sorrir e às vezes até gargalhar. A Torá é alegria, e vida, humanamente vida! Afinal são seus filhos e são meus filhos. É o futuro deles que se pretende garantir com as luzes da Torá.

V
Por isso mesmo, as coisas parecem mais fáceis, mas não são! A constante intensidade em tudo traz ânsia de vômito. Pois a vida nos impõe isso mesmo: lutar pelos livros, cada um deles, pelo espaço e pelo conceito de dialética (contra preconceitos) pelos minutos e, ainda, tentar manter o sorriso. Às vezes vem a vontade de vomitar ou de abandonar tudo, e ir para o campo, cuidar de flores, animais, ver a chuva, o sol e ter alguma sensação de paz.

VI
Eu tenho vontade de vomitar... Porque olho adiante, e vejo e mar e o deserto. Um grande mar e, além, um causticante deserto, diante de mim, no caminho de todos – AUSCHWITZ:
venho
do
abismo
e profundezas: hades
onde há ranger de dentes
enxofre-resíduo-asfáltico
onde as almas se largam
e não há dor nem frio
não há sede nem fome,
apenas calor de infernos somados
que seca lágrimas remanentes
e as almas
se alargam
e se transfiguram
e se afiguram a coisas
que diluem
eu
venho
de
lagos-densos-desoxigenados
de
fétidas-misturas-fixas
onde não há
coisa alguma
e não se enxerga o azul
e não se ouve qualquer canção
e não se toca com a pele
e não se cheiram perfumes
e
não
se saboreia o mel
a fruta-leite-verdura
apenas
caindo
VÊESCUTAAPALPACHEIRARUMINA
o fedor de cadáveres abandonados
o desgosto de abismos
do delírio-cancro-inserto
nos
incertos-certos
coturnos engraxados no ódio.

E penso comigo: como atravessar o mar e o deserto? Mas, eu vi, à distância, que todos estavam bem, divertindo-se e cantando, e eu queria apenas um pouco de água para aliviar minha boca seca e salgada... Apenas um pouco de água, e nada mais, para que eu pudesse atravessar o mar e enfrentar o deserto. Fiquei espantado que não encontrasse quem me desse um pouco de água, apenas um pouco de água... Com a boca salgada, com os olhos salgados, diante deste mar – que eu vejo. 

VII
Precisarei unir os dedos. Preciso proferir uma Brachá. E em troca terei forças, terei saúde, terei energia, terei vigor e levantarei as mãos. Poderei, quiçá, abençoar mil gerações.


Nunca mais

caminharei trôpego

e pesadamente aborrecido

desaparecido nos corredores

solitário
cabisbaixo
retardatário!


Nunca mais esconderei

a face

em lágrimas tantas

sob a manta do fracasso

envelhecido
alquebrado
esquecido!


Eu irei,
certamente irei,
banhar-me ao sol do novo tempo
descobrindo o corpo renovado
e rirei com os lábios,
com o abdômen
e com os olhos
caminhando entre multidões
e cantando
e pulando
com peito erguido às conquistas!

Acordarei bêbado de felicidade

e beberei feliz

brindando na alvorada

o

novo

dia.


© Pietro Nardella Dellova. “A Mulher Que Me Encontrou em Napoli: Acerca dos Lábios Salgados e Água Fresca”, in A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. Scortecci Editora, 2009, pp. 139-149 e 249.

NOTA: Partes do texto acima havia sido publicado primeiramente no meu livro ADSUM. Scortecci Editora, 1992, p. 96. O manuscrito original em italiano, de 1990, tem o nome de AUSCHWITZ: DELL'ODIO E DELLA SPERANZA.



ESTRUTURA e TRECHOS do livro A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS


AMIGOS E AMIGAS, CONHEÇAM A
ESTRUTURA e alguns TRECHOS do LIVRO

A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS
Ed. Scortecci, 2009, 312 p
de Pietro Nardella-Dellova
Que pode ser adquirido pela Livraria Cultura http://www.livrariacultura.com/



ESTRUTURA
א

de Napoli para São Paulo:
minha Marreta e minhas Borboletas - 15

ב

De São Paulo para New York:
Com Baci Allegretti em Dueto - 61

ג

De New York para Fondi:
Guarda la Luna, Mamma! - 107

ד

De Fondi para Jerusalém:
Um Sopro em direção ao Judaísmo - 139

ה

De Jerusalém para São Paulo:
E proibiram os Cafés no Pátio e roubaram o Giz - 197

ו

Entre São Paulo e Rio de Janeiro:
A pós-modernidade: A Hora e a Vez dos Ratos - 239

ז

Movimento em direção
a Napoli: porque ali as Almas voltam aos Corpos - 263




ALGUNS TRECHOS DO LIVRO
A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS

Pág 11

[...] porque eu estava no pátio olhando, à distância, a dança, a cantiga, e ela sentou-se ao meu lado e olhou pra mim, e porque todos os dias comíamos o seu lanchinho no pátio. E ela enchia a tampinha de suco e eu enchia sua lancheira de Poesia [...]

Pág 15

[...] Amor, eu vou, e volto. Tenho que combater monstros [...]
[...] O avião pousou em Napoli. Tem que ser Napoli e não Nápoles! O sol já se punha em um final de tarde frio, muito frio ... Eu e meu filho fomos tomados de emoção quando pedimos o nosso macchiato ... queríamos redescobrir mais de nós mesmos e de nossas vidas [...]

Pág 18

[...] Ele me olhava com seus olhos iluminados por tudo o que é humanamente sagrado, e foi tirando o pedaço de pão caseiro do casaco, mas, respeitou alguns minutos do silêncio e, só depois, perguntou o que faríamos.
Figliolo trouxemos o pão para honrar nossos pais. Vamos lançar aí, sobre estas águas, porque sempre visitamos nossos pais, levando pão como sinal de bênção e alegria [...]
[...] pus a mão na água fria, muito fria,e tive a sensação de que o mundo não pode acabar. A Poesia salvará o mundo da perdição, a Poesia fará o cego enxergar e fará mulheres e homens melhores, sãos e humanos, mas, se a Poesia não salvar o mundo, ao menos, salvará a mim mesmo e já é bastante! [...]

Pág 21

[...] Mas, não importa.
As impressões, as primeiras impressões, que você plantou em mim como babbo, e a instrução que me deu como rabi, estão tão profundamente arraigadas que se converteram em princípios, dos quais eu não me perco facilmente.
Quaisquer que sejam as dificuldades, babbo mio, meu amigo para sempre, não converto D’us em ídolo nem a Torá em magia; não me alimento da gordura das ovelhas nem me visto com sua lã e não piso em formigas. E
as mulheres, mesmo quando um pouco confusas, continuam poesia puríssima e bênção divina.
Sigo o caminho da simplicidade, preferindo trilhas em vez de ruas asfaltadas. Continuo não gostando do cimento e do concreto que oprimem a terra e fico feliz, muito feliz, ao ver as raízes das árvores arrebentando as calçadas, vencendo o concreto e desfazendo a idiotice generalizada. Odeio copinhos, saquinhos, garfinhos, pratinhos e outras coisas de plástico que sufocam o mundo e me entristeço, facilmente, com os lugares manchados de sangue inocente.
E, ainda, luto contra a força terrível da coisificação que quer fazer de mim, do meu pensamento, da minha consciência, da minha pesquisa, da poesia, da mulher amada, da fé, dos professores, dos alunos, dos representados nos tribunais, dos filhos e do sentimento, coisas entre outras coisas de mercado! [...]

Pág 23

[...] Quero o mergulho pleno, o sereno nas faces ungindo e o interior de qualquer coisa em que repousa a brisa....ah, que ventura tanta!...a brisa que encanta faz-se tempestade que urra, a planície se descobre outeiro no aventureiro espírito do Poeta que desperta a própria madrugada na insônia eterna e sonha alma descoberta. [...]

Pág 34

[...] Aliás, deixe fora o que ama qualquer coisa e despreza o humano e o Eterno, sobretudo, o íncubo opressor, preconceituoso, prepotente, corporativista, agiota, banqueiro, latifundiário, traficante, legalista, pedófilo, sádico, mercenário, imperialista, nazista, fascista, antissemita, terrorista, torturador, carrasco (e qualquer vampiro e parasita) e, ainda, o súcubo covarde, invejoso, voyeur, masoquista, fanático, racista (negro ou branco), monarquista, republicano caffellatte, getulista, militarista, antiético, traidor, que abraça e ri o riso odontológico, sem razão, e não olha nos olhos. O mentiroso, carlista, malufista, congressista (e qualquer hospedeiro e escória da humanidade) [...]

Pág 51

[...] Em Jerusalém encontramos pessoas iniciadas nas práticas verticais e mulheres cobertas. Mas, em Napoli, o melhor é não deixar sua mulher desacompanhada, caso ela seja bonita! Sendo muito bonita mesmo, dedique-se a ela diuturnamente, e se tiver um filho, cubra sua mulher de terra e mar e, se tiver dois filhos, cubra-a de terra, mar, céu e ar, e de chocolates, e de flores, e de carícias, e de esplendores, e de música, e de vida – compre sempre chocolates e não tranque a adega! [...]

Pág 57

[...] Porque é o TU a pessoa do diálogo, a pessoa com quem falamos, de quem descobrimos os olhos, oferecendo nossa imagem, de quem abrimos os ouvidos, dedicando nossa voz, de quem aguçamos o olfato e o paladar, partindo o pão e servindo o vinho (e, também, o café), com quem treinamos o tato, exercitando o aperto de mão e o abraço.
Este maravilhoso ser que é, a um só tempo, o companheiro da estrada, o companheiro do diálogo, o companheiro à mesa,e o melhor da nossa própria identidade. O melhor de nós mesmos.
E é o TU, também, o que temos de mais concreto para lembrarmos e chegarmos a D'us! [...]

Pág 66

[...] Sabe mergulhar? Tem fôlego para ir ao fundo, onde apenas seres de verdade se encontram e se descobrem, onde pérolas se fazem com o ritmo do tempo sem pressa e sem contas? Se nada sabe de Poesia e se não tem fôlego nem coragem , não poderá mergulhar com o Poeta nem dialogar diante de quem estende a mão para o movimento musical. Mas, quando pensar na pérola, vencerá o medo, e a Poesia se intensificará em seu corpo e lhe dará vida. [...]

Pág 67

[...]Seus poros respirarão dentro das águas profundas. Não é uma lição – é um fogo de vida e intensidade! O Poeta não ensina – o Poeta vai! Ele leva você a ver do alto, a voar alto, a mergulhar, a mergulhar ao fundo. Quer a lição ou o vôo? Quer o conceito ou o mergulho? A mágica da Poesia é receber asas de águia, para voar alto - quer? E receber fôlego, para mergulhar com o Poeta ao fundo, e encontrar pérolas – quer, também? Então, se você ouvir a Poesia e descobrir de que são formados os beijos do Homem-Poeta, descobrirá a sua Poesia-Mulher, e pedirá para voar alto, bem alto. E para ver as pérolas que lhe fazem falta ao fundo, se vencer o medo do profundo. [...]

Pág 68

[...] Enquanto a noite não vem, desenharei as asas que erguerão você ao alto, para o bem alto, e juntarei o ar de que precisa para o mergulho. E, se o Poeta estender a mão, diria: sim, Poeta, quero voar alto – leve-me! Sim, quero mergulhar fundo, leve-me. Leve-me às pérolas, porque preciso de pérolas. E, se o Poeta levasse você, perderia o fôlego e as asas? –Não, não perderia, leve-me ao alto porque preciso de plenitude. E se perder as asas, será trazida de volta à terra. E, se perder o fôlego, será trazida de volta à superfície. Porque os beijos têm diferentes faces, e cores, e sabores, e duração, e profundidades, e energias, e tessituras, e geografias. [...]

Pág 69

[...] Por isto mesmo, trago-te a gratidão pela experiência de amar, pelo leito branco e pelo manto: a tua pele suave e perfumada. Porque diante da tua vida, desfrutei de encantos. Do teu estado de mulher plena rasguei o pão com as mãos.

ש
Adiante estou leve, pois levo comigo a certeza de que tenhas sido amada, muito amada. Amada plenamente na leveza. Agora, trago-te uma vez mais a gratidão por ter amado mulher, assim, tão única, tão linda, tão vida... Vai agora, amor. Vou, também! Abre bem as tuas asas e voe como águia nas alturas. E, sejam tantos os mundos, tantas serão as criações do amor com a mulher amada, cujas faces trazem a luz e a descoberta!

ת
Darias um café com espuma de leite a este Poeta?
[...]

Pág 72

[...] Os olhos da menina-mulher pareciam de algum lugar, de algum tempo, de algum espaço no redemoinho das memórias inexplicáveis de alguma época servida a palco de alguma vida, de algum universo, de oportunidade remota, distante. Os lábios, então, vibraram. Os olhos se fixaram ainda mais profundamente nos olhos expressivos da mulher parada no corredor – ela queria vinho e Poesia. [...]

Pág 73

[...] Porque o poeta tem o amor mais doce, o amor mais puro, o amor mais delicado, o amor mais inocente, o amor mais liberto e intenso-- o amor suavidade! O amor do poeta é o amor que humaniza! A mulher-menina bebeu do amor, sentiu todos os poros e converte-se em mulher-poesia, na experiência de terra-céu-encanto. [...]

Pág 75

[...] porque há mulheres, cujo rosto ilumina! São mulheres que se reconhecem no tempo de um instante, que permanecem para sempre. São mulheres que enfraquecem querubins... Meu amor tem as faces do vento que nasce do encontro de calores e frios, e sopram brisas e tempestades, e os seus lábios me levam para ontem e para sempre... meu amor tem as faces do vento que nasce do encontro da vida, do sol e da chuva. [...]

Pág 87-93

[...]
Vem, amor, sente-se aqui e olhe ao longe...
é um só o mar!
Aquelas ilhas, esses ventos - tudo!
Nada muda!
...Vê aqueles navios?
não levam pessoas - somente coisas...
...
vem, amor, vê?
Sente-se e
junte as pernas,
e olhe ao longe...
e só!
[...]

Pág 99

[...] Porque há pessoas que odeiam águas, e pão e encontros. Odeiam árvores, plantas, flores, cães, gatos, pombos, passarinhos, terra, abraços, crianças, pobres, judeus e outras pessoas. Eles cobrem o planeta de concreto, asfalto e mentiras, fiscalizam a vida alheia e espalham o fermento da sua estupidez, maldade e perversidade, roubando o tempo vital. Não falarei de canalhas hoje! [...]
[...] Por que portas se podem entrar? Por todas as que a natureza deu às pessoas, pois elas se vêem, eles se ouvem, elas se cheiram, elas se beijam e, finalmente, elas se tocam num toque suave e inconfundível. E não se despreze nenhuma destas portas sob pena de morte, porque cada uma, e todas elas, conduzem à intimidade, ao mais profundo, ao centro da pessoa amada, enfim, ao que ela é – e ninguém sabe quem ela é, senão quem ama, entra e ilumina. [...]

Pág 116

[...] O ponto aqui é a própria sobrevivência do homem – e não da mulher! Porque agora é ela quem deve esperar que o homem saia de sua caverna de idiotice e mediocridade! Afinal, apesar dos milênios de patriarcalismo sufocante e religiosidade machista, a mulher reapareceu com todo o seu vigor poético, com toda a sua sensibilidade e com toda a sua inteligência determinante, e encontrou o homem contemplando e idolatrando, ainda (e por desgraça), os seus próprios órgãos. [...]

Pág 117

[...]a boca que se pinta no vermelho e se pinta no rosa, a entranha cheirosa que se forma: há boca, e há entranha, e há rosas! E há vermelho nessas súplicas e nesses clamores perdidos por aí.
Por favor, pare o tempo agora, e acordem os homens sonolentos, animem-se os lentos, não olhem a hora, e não façam careta, e não digam estar cansados: apenas descubram a mulher ao seu lado [...]

Pág 132

[...] Vá, e encontre aquela mulher, que anda presa, ainda, às rezas que drogam e idiotizam, transformando jardins de inverno em flores plastificadas, e arquiteturas italianas em caixas de papelão molhadas. Vá, minha cara, desate os nós que se formaram nos jogos de cordas, na solidão do bem-me-quer, e tente trocar o barulho de um vinil em dias de festa de aniversário ou fumaças de formatura, por uma Poesia de Drummond. Tente dizer ao ouvido daquela mulher que a vida clama, e não espera. Que a vida passa. [...]

Pág 139

[...] Por isso mesmo, o amar e o ensinar Torá se convertem em uma mesma relação. Amar não é ter ou possuir, escravizar ou pendurar na parede, seja uma cabeça ou uma fotografia. Amar é lançar o outro adiante, na luz e nos processos de libertação. E, assim, na constância, convertê-lo em TU! Amar não é um procedimento idolátrico, diante de um deus grego ou romano, mas uma descoberta, uma realização, uma libertação, uma unção. [...]

Pág 148

[...] por ora, este Rav, sozinho e triste, açoitado pelo vento, pela areia e pelo dissabor,com olhos chorosos, com a alma pesada, com o passo cansado, com a mão machucada, com a boca seca e salgada, de um sal triste e de uma pesada brisa, esperando, apenas, que pessoas boas, possam lhe oferecer um pouco de água...Mas, também, estou um pouco surdo, e um pouco cego, e um pouco insensível,e um pouco acamado e enfermo. Estou difícil de encontrar, tal a distância em que me encontro... Mas, se vier ao meu encontro....viria ao meu encontro, querida? Viria mesmo? [...]
[...] Nunca mais caminharei trôpego e pesadamente aborrecido desapercebido nos corredores solitário cabisbaixo! nunca mais esconderei a face em lágrimas tantas sob a manta do fracasso envelhecido alquebrado esquecido! eu irei, certamente irei, banhar-me ao sol do novo tempo descobrindo o corpo renovado e rirei com os lábios, como abdômen e com os olhos caminhando entre multidões e cantando e pulando com peito erguido às conquistas! acordarei bêbado de felicidade e beberei feliz brindando na alvorada o novo dia. [...]

Pág 164

[...] Tais elementos da natureza, os quatro materiais, já estão nos primeiros textos de Bereshit (Gen.): fogo, terra, água e ar! Mas, no nosso caso, aparece, ainda, um quinto elemento, que organiza o tempo/espaço, os quatro elementos básicos. Elemento para organicidade. É a Ruach HaElohim – o elemento feminino da Criação! Ruach é como a Poiesis! [...]

Pág 172

[...] Não importa qual seja o ato/atitude para o mal ou para o bem. Seja o ato de cortar uma flor, de esmagar um inseto, manter peixinhos em aquários, de responder rispidamente, de faltar a um compromisso, de lançar um papel de bala à via pública, de mencionar o nome de alguém ausente; seja o de destruir florestas inteiras, atirar uma pedra contra um passarinho ou prendê-lo em uma gaiola, matar golfinhos ou baleias, difamar ou desmoralizar uma pessoa, [...]

Pág 183

[...] Voltar os olhos para o universo do si mesmo é um encontro, uma descoberta multifacetada! Voltar os olhos para o si mesmo não é contemplar-se diante do discutível espelho, mas passar em revista, com todos os recursos, a integridade do Eu. [...]

Pág 220

[...] E, por fim, quebrar as correntes do Prometeu (matando-o ou libertando-o) e espantar os abutres que lhe comeram o fígado esses séculos todos.
Não há razão para sofrimento e cansaço, quando se transfere o conhecimento, quando a luz é entregue, quando o amor reina e quando o homem descobre o seu caminho. [...]

Pág 240

[...] estou no limite onde os ventos se separam e alma se distingue do espírito com lágrima que se mistura às águas do mar salgado. Estou no limite onde não há silêncio nem ruído nem luz nem treva nem dia nem noite - nem há descanso da madrugada nem rubor do alvorecer nem chuva nem orvalho fresco. Estou no limite do que se pode cantar em versos: os pés se distanciam da terra e todas as energias confusas, confundem bem e mal que se aproximam no limite em que não há vida nem morte nem segundo nem tempo de eternamente. Estou no limite: os pés puderam me trazer e atrás, os montes verdes e as águas doces e os pássaros e os caminhos feitos cara de homem, e o homem feito caminho aberto no mundo e o vento feito sonho batendo em rocha, feito deus enceguecido e surdo na insensibilidade

[estounolimiteospésmolhadosdesalamalgamadoaossentidos] [...]

Pág 254

[...] os mercenários da república são mentirosos! São desumanos! São culpados da fome, e da peste! E são culpados da ignorância, e são culpados da morte! Mercenários da república, que falam, e discursam, e gastam!
(são protetores dos próprios interesses). Os mercenários da república, que assistem no conforto, e no luxo, e na fartura, e no descanso, e no descaso, a morte dos desgraçados e empesteados,
(por nada, por cada)
pela sua vontade pornográfica por cada porco de gabinete!
Os mercenários da república são malignos mercenários! São sujos mercenários!
São pervertidos mercenários! -são mercenários-
...não nos associemos a estes agiotas e outras sanguessugas (e serão muitas), pois, comumente, as cadeiras da política são ocupadas por traseiros perversos (e são muitos) que dispensam ao povo... apenas suas flatulências! [...]

Pág 257

[...] abençoe, sem perda de tempo, seus filhos em cada manhã, em cada tarde e em cada noite – ensine-os que o pão deve ter o gosto do suor e que os ratos vivem em esgotos, no lixo e na escuridão. Fale do Eterno para eles, ajude-os a amar o Eterno, ajude-os a entender a construção de cada dia e ensine-os a ganhar, por si mesmos, o pão justo e honesto a cada dia. Aponte-lhes as estrelas, e a lua, e o Sol, e os mares, e as flores, e os pássaros, e os animais, e os montes, e os jardins e, assim, somente assim, saberão o porquê de tudo ser “bom”, e o porquê do homem completo ser “muito bom”. Livre- os da estupidez e droga religiosas e dos gritos intermináveis em cultos idolátricos, a fim de que enxerguem e se libertem das correntes teológicas. Livre-os do culto ao falo! [...]

Pág 264

[...] Vivemos o nosso tempo, e o nosso tempo é um misto de espanto e inércia, idiotice e fantasia, coisificação e anulação completa. E desse ângulo procuramos sinais, pistas, endereços e indicações para um passo, o passo a seguir, repleto de dubiedades, inseguranças e fragilidades humanas. E, no meio dessa espessa e sufocante nuvem de fogos de artifício, encontramos a carne suave e a feminilidade daquela mulher, feita de variadas pedras, variados elementos e multifacetada música corporal. [...]

Pág 265

[...] e não é apenas a inteligência ... que pode ser reconhecida em três minutos de um café, mas é a inteliêngia como resultado do elemento espiritual, por isso mesmo ... a inteligência é um detalhe a ser apreciado, é um detalhe a repercutir, a sedimentar e criar ambientes multicoloridos no limite entre seus lábios e seu rosto, e entre seus olhos, pálpebras e o traço das sobrancelhas. Não é a inteligência residual, emocional ou artificial, mas substancial! É a boca e os lábios dilatados, com a palavra proferida,formando um fato, uma atitude indivisivelmente cósmica (...) e, afinal, uma mulher que não procura luzes no gramado futebolístico, que não se permite ao gramado, que não fica na verde dependência do gramado, já merece aplausos, merece alguma Poesia e manifestações de apreço que não venham, lógico, de arquibancadas tresloucadas. [...]

Pág 275

[...] Ela conhecia a sabedoria de Sh’lomò e, ao conversarem, de tudo sabia, e tudo compreendia. Com ela, o sábio Rei dialogava diuturnamente e, mal ele esboçava uma palavra, aquela mulher entendia em altura e profundidade, e respondia, e indagava, e sugeria, e abordava, e avançava ainda em cada detalhe, de qualquer assunto, permitindo que um encontro fosse a oportunidade de saber e aprofundar mais e de crescer mais. [...]
[...] e as mulheres que são, a um só tempo, belas, poéticas e inteligentes, não vendem seu tempo aos vermes nem lambem os cães e nem se permitem aos crápulas da terra. Estas mulheres enxergam, sentem e pensam e, por isso, encontram homens filósofos, poetas e reis! E quando encontram homens assim, a vida se transforma em festa, o vinho é posto sobre a mesa e a música ecoa madrugada adentro com o talhe dançante de corpos que levitam. E a beleza encontra o poeta, e a Poesia encontra o sábio e a Inteligência encontra o rei! [...]

Pág 276

[...] Essa mulher que transita entre corredores da biblioteca, não como quem foge do enfrentamento de cada página, mas como quem volta agradecendo silenciosamente pelos mundos descobertos, porque ali ela reencontra os sábios e os poetas que iluminaram seus sonhos, abriram seus poros e apontaram uma direção. Ela sabe de onde veio e onde quer estar! Ela olha, se veste, se penteia, caminha e ela dança, sabendo que... seus olhos e os lábios de sua boca se dilatam ..., porque esse é o seu corpo e sua alma. Então, ela se percebe superior, como quem deixa relacionamentos opressivos sob os pés... vai, e voa, como quem deixa homens idiotas cultuando seus próprios órgãos, como quem conduz o mundo... pelo sussurro...Por isso mesmo, plena da virtude feminina e da experiência dialógica, da delícia poética, fortalecida pelas vozes e páginas iluminadas, completa dos sentidos descobertos, essa mulher, absoluta, abre suas asas ao sol. [...]

Pág 279

[...] O mais importante não é apenas suplantar o deserto, como nossos pais fizeram entre o Egito e Canaã, mas, principalmente, não perder nossa humanidade, nossa capacidade de fazer o bem, nossa capacidade de honrar, de respeitar, de viver em companhia uns dos outros, de simplesmente não desejar o mal ao outro. [...]

Pág 290

[...] O avião pousou outra vez em Napoli. Acho que é Napoli e não Nápoles. Estava quente e a canção da jovem fuzilada décadas antes, ainda estava em meu coração “Eli Eli, Meu D’us, Meu D’us, vou rezar para que estas coisas nunca terminem: a areia e o mar, o sussurro das águas, o raio dos céus, a oração do homem”
E eu precisava de um caffè. Amores, voltei...combati monstros ....
...E elas vieram ao meu encontro, estenderam-me a mão e beijaram ardorosamente meus flancos e minha boca, e sorriram noite adentro ...
...e me reconduziram à humanidade [...]


© Pietro Nardella-Dellova. Trechos do livro A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. Ed. Scortecci, 2009, 312 p
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