alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







lunedì 15 aprile 2013

Idade Penal: O Grito dos Estúpidos, a Vingança e a Nova Face da Opressão


IDADE PENAL:
O GRITO DOS ESTÚPIDOS,
A VINGANÇA E A NOVA FACE DA OPRESSÃO


(...)
Eles invadiram as terras de povos milenares em nome dos deuses carniceiros, reis patifes greco-romanos e burgueses traficantes e estelionatários. Destruíram as culturas desses povos, mataram suas mulheres, seus velhos, suas crianças, reduzindo-os a tribos perdidas aqui e acolá. E, hoje, vendo-os calçados de “havaianas”, dizem que são falsos e que as terras não lhes pertencem.

Acorrentaram os negros, arrancando-os de suas nações, e os fizeram moer cana com os dentes, fabricar açúcar misturado ao suor e sangue e servir às “senhoras putas” das Cortes portuguesas. Negaram-lhes a manga com o leite e, ao final, continuaram a matá-los nos esgotos sociais, nos morros, nas privações, nas favelas e nas prisões (feitas apenas para negros e pobres). E, também, no "massacre do Carandiru"!

Transformaram italianos em “oriundi”, roubando-lhes a energia entre pés de cafés e sepulcros a céu aberto. Prenderam seus líderes, desapareceram com suas histórias e os transformaram em eternos “desordeiros”. São, hoje, apenas o resto periférico!

Eles, os mesmos, em nome dos mesmos deuses carniceiros, fodem milhões de idosos, negando-lhes socorro, ambiente familiar, assistência, aposentadoria, dignidade e, excitados, lançam as mulheres e crianças em trens desumanos (trens que lembram os meus trens, os trens que trago na dor da minha alma!).

Enquanto poucos têm tudo, a grande maioria tem piolhos! As mulheres “dão à treva” nas calçadas, nos corredores. Trazem crianças a esta sociedade hipócrita, porque os coturnos continuam precisando de pescoços a esmagar, de rostos a cuspir, de caras a bater, de jovens a violentar. Os bancos precisam de números para seus juros sobre juros e os patifes do Congresso precisam de “eleitores”. Os doentes são tratados como um monte de carne podre! São custos pesados e, vivendo, tiram a gordura dos bancos internacionais!

As crianças são enganadas, os jovens são enganados, seus pais são enganados. Todos, enfim, enganados, enquanto continuam sendo alimento de vermes, sarna e carrapatos, porque lhes dizem, falsamente, que serão o futuro e que o futuro lhes sorrirá se continuarem cumprindo seu “papel” de matriculados. Mentem, dizendo que todos terão casas, com quintais, onde possam plantar seus jardins, brincar com seus filhos, reunir os amigos, cantar e viver!

<<Estudem! Estudem! Vocês serão vencedores!>> os jovens ouvem todos os dias, enquanto continuam a mentira, o engodo, a patifaria burguesa e o faz-de-conta estudantil.

O “deus mercado” não quer todos, não quer a maioria, não tem espaço para a maioria, não dará espaço!

A grande maioria, os milhões, continuam de fila em fila, de porrada em porrada, de mentira em mentira, de templo em templo, de fome em fome, de escama em escama, de escárnio em escárnio. São jogados para os cantos periféricos, para a escuridão, à sombra...

Eles, os mesmos de sempre, que invadiram as terras indígenas, arrancaram a “alma” aos negros, venderam as mesmas “almas”, enganaram – e enganam ainda - não sabem o que é "povo", pessoas ou seres humanos: não lhes dão o que lhes é direito universal: integridade humana!

Não lhes dão violinos, não lhes dão verdade, não lhes dão música, não lhes dão livros, não lhes dão escolas e universidades públicas, não lhes dão sentido, não lhes dão esperança. Estes seres humanos são números e inscrições tributáveis! São escórias! São carnes enlatadas!

E, depois de tudo, eles (os mesmos) vêm a público, pois não sabem o que fazer com esta massa e, ainda, como “senhores”, querem mais celas, mais prisões, mais tapetes (sob os quais esconder pessoas), mais punições, e cada vez mais, querem continuar punindo crianças, meninos, cada vez mais, tenramente! Querem oficializar a vingança privada, querem continuar mentindo. Querem punir meninos e jovens nas mãos dos quais entregaram armas de fogo e para os quais ensinaram a violência, perguntando, em coro de estupidez e insanidade:

<<quem lhes deu estas armas e quem lhes ensinou esta violência?>>

Eles, os de sempre, os criadores das trevas, sombras, violência, pobreza, opressão e peste, e que negaram violinos, livros e paz para os seres humanos, eles, os carniceiros, “justiceiros”, merecem o meu mais sonoro e monstruoso desprezo, o meu mais retumbante ódio e oposição sem trégua! Diante deles, com ou sem funeral, não tenho como emudecer!
(...)
© Pietro Nardella-Dellova, in “Idade Penal: a nova opressão”, 2013

venerdì 5 aprile 2013

texto: ASSIM NASCEM OS CEMITÉRIOS


ASSIM NASCEM OS CEMITÉRIOS

Não há dúvida de que vivemos em um tempo no qual a sociedade padece, sofre e, moribunda, abandona-se na estrada. Com ela, a sociedade, padece e sofre a pessoa, que vai, em uma centrífuga social decadente, perdendo os seus elementos substanciais, identificadores e a capacidade de desenvolver integralmente, na plenitude, seu potencial e ideal de ser humano.

Dois aspectos (dentre tantos) do atual estado de decadência devem ser relembrados para, quiçá, podermos, de alguma forma, revertê-los ou, em face de uma profunda reflexão, resistir-lhes com “satyagraha” (de Gandhi, a verdade com firmeza!).

Um deles, é o fenômeno, já denunciado por mim em vários textos, palestras, artigos e encontros acadêmicos, a saber, a “fakerização” total de toda e qualquer relação, de todo e qualquer pensamento, de toda e qualquer instituição, de toda e qualquer pessoa! Tanto o nosso comportamento quanto o nosso “pensamento” são resultados do processo de “fakerização” contemporâneo! Mas, se comportamento e pensamento são “fakerizados”, todavia, o resultado da “fakerização” não o é: trata-se de um processo em que, sob fumaça e neblina, o mundo e as relações vão sendo, de fato, destruídos ou, ao menos, não realizados! Por exemplo, a fantasia da “comunicação” de massa, especialmente, via “internet”, que, por evidente equívoco semântico, vai sendo chamada de “rede social” (já que de social nada tem), cria a percepção “fakerizada” de que uma pessoa tem inúmeros “amigos” quando, em verdade, não os tem! Pior são os casos de “paixão”, “amor”, “revoluções”, “transformação sócio-cultural”, “primaveras árabes virtuais”, “movimentos sociais” etc. Visível falácia ou sofisma, pois, Amigos se fazem ao café, na comunhão do pão e no encontro cotidiano! Paixão e Amor se fazem no corpo, na pele, nos ossos, na alma e sob as escadas! Revoluções se fazem com “botas”, barro e sangue! Transformação sócio-cultural se faz com participação de todos, na praça, na rua, na calçada, no acesso a todo e qualquer lugar-espaço cultural, na emancipação econômica e mental de todos, na abertura das “cadeias” coloniais! Primavera “árabe” se fará (não se fez) com o rompimento das correntes religiosas radicais alienantes e com o desfazimento dos impérios petrolíferos! Movimentos sociais se fazem com “alicate”, “picareta”, “terra”, “enxada”, “sementes”, “moradia”, “ocupação”!

O outro aspecto refere-se à “Educação”, cujo conceito está equivocadamente construído na perspectiva dos prédios das escolas (públicas, particulares e privadas!). Os filhos são depositados, juntados, no grande “rebanho”, (ou, no “pasto”), a fim de serem “adestrados” e “engordarem” para, finalmente, serem encaminhados ao choque anestesiante, ao matadouro, à sangria e exposição no gancho de açougue! A “escola” é um curral! Os pais “largam” seus filhos nesta Escola (aliás, na porteira) e, sem pudor, transferem a responsabilidade para quem, não tendo nenhuma responsabilidade, os recebe “salivando”! Os pais são duplamente ausentes: na Escola, pois não se vêem como agentes nem participantes da experiência pedagógica; em casa, pois, enlouquecidos, consideram a “missão” cumprida com o pagamento das mensalidades (se particular ou privada), com a compra dos materiais escolares e pelo “grande sacrifício” de terem deixado seus filhos na porta/porteira da Escola! Em que pese, em muitos casos, a boa vontade da Direção das Escolas (públicas e particulares), dos Professores (fato/ato) que, somando boa estrutura, recursos e esforços pedagógicos, objetivam o crescimento dos seus alunos, não obstante, padecem a ausência de um “fator educativo”: o pai, a mãe! E, neste caso, não me refiro tão-somente à presença dos pais no processo pedagógico escolar, nos projetos, na biblioteca, na cantina e na sala de aula, mas do pai e da mãe como “fator pedagógico” da sala (de estar!). Houvesse a experiência da emancipação e do esclarecimento dos pais e, também, da quebra das irresponsáveis estruturas “verticais”, os mesmos chamariam para si, para sua “sala” o processo educacional, construindo-o a partir deste primeiro (e último) fator substancial!

Enfim, imobilizados na neblina (e nuvem) da “fakerização” e pela incompreensão do fator educativo, transformamos as relações em um “Jason” destrutivo, e a sala (de não estar) em uma extensão do gramado e território futebolístico. Em todos os casos, deparamo-nos com um cemitério sem fim!

© Pietro Nardella-Dellova, Poeta e Escritor. Professor de Direito da Universidade Federal Fluminense.Autor de vários livros, entre os quais, A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS DIÁLOGOS (Livraria Cultura)

texto EU-TU e EU-ISSO


EU-TU e EU-ISSO

Conforme o pensamento de Martin Buber em seu livro EU e TU (de 1923), traduzido diretamente do alemão por Newton Aquiles Von Zuben (em 1977, Unicamp), não há nada de mal no “eu-isso”, haja vista que o “isso” nada tem de mal em si mesmo. Porém, quando o “isso” assume “existência” e, sob permissão humana, invade o seu mundo, fazendo-o perder a atualidade, jaz, então, o homem, desalmado na coisificação!

Buber, este grande filósofo, escreveu sobre o assunto no seu “EU e TU”, imediatamente após a primeira (e odiosa) guerra, em uma Alemanha que, vencida nesta guerra, apresentou ao mundo sua Constituição de Weimar (1919), considerada um marco nas gerações de Direitos Humanos (segunda geração: direitos sociais). O texto de Buber também coincide com o período da Revolução russa de 1917 (fim dos czares e início da URSS), com as grandes movimentações anarquistas e emancipatórias, seja na Europa ou América, como, por exemplo, a grande e inesquecível greve de 1917 no Brasil, bem como, com a Semana de Arte Moderna de 1922, marco anarquista nas Artes, Música e Literatura. Enfim, era um mundo em rápida movimentação transformadora (um irresistível “devir”). Poucos, infelizmente, leram Martin Buber!

O mundo desejava liberdade e alcance dos direitos sociais! Inserção dos excluídos! Liberdade criativa! Barreiras derrubadas! Humanização! Mas, por erro de cálculo social e econômico, não muito tempo depois, mergulhou em uma crise arrebatadora (1929) que o levou, sem trégua nem energia moral, ao pior de seus conflitos: a segunda guerra mundial, que, de modo neurótico, colocou em combate Estados totalitários de direita e de esquerda, capitalismos selvagens, impérios deificados, ensinamentos mortais católicos e protestantes e, de forma estúpida, conceitos fatais de ordem racial! Em 1948, finda a guerra, havia sobrado pouco do que se pode reconhecer – e chamar – de humanidade! A outra metade do Século XX foi jogada no lixo da lufa-lufa industrial, das montadoras, do jogo capitalista e comunista, da corrida atrás da “coisa/isso”, em entrega tresloucada aos “papéis” e às bolhas financeiras! Um período terminou e outro começou: fim e início característicos dos séculos XX e XXI: todos de sacola à mão, mendigando “moedas” aos grandes monstros: os bancos, e vendo ficarem de joelhos países com história e legado culturais indubitáveis  (p.e., a Grécia).

Tudo virou coisa, mercadoria. Tudo, inclusive, as doutrinas que se empenharam, outrora, a apontar o fetiche da mercadoria. Tudo em uma única sacola, tudo, coisa! A entranhável excitação pela coisa, pelo isso, fez de cada vírgula, de cada idéia, de cada emoção, de cada pessoa, uma coisa, concebida – e perdida - entre outras coisas! O “isso’ que deveria apenas ter uma utilidade, cresceu em todas as dimensões, corporificou-se, roubou personalidade, atraiu e deturpou o amor humano, estabelecendo uma “relação” EU-ISSO que, por desgraça, tornou-se amor de coisa! A flor foi arrancada e em seu lugar plantaram-se cana, soja e milho para alimentar carros e bois. E deste processo de coisificação, pelo qual, o “isso” tornou-se sujeito, surgiram os fantasmas, as sombras, as neblinas, a pulverização virtual da humanidade, as mentes impermeáveis, anestesiadas, ocas, insensíveis!

Perderam-se a mesa, o café, o encontro, o afeto, o pão, a sala de estar, o texto, o contexto, a brincadeira, o lúdico, a razão – e emoção – de tudo: o ser humano em sua relação EU-TU! Ficou, então, um ser humano EU-ISSO, um ser humano súcubo, um “isso” íncubo! E, de tanto submeter-se ao ISSO, o homem restou um zumbi, um EU-SEM-TU-NÃO-SEI-O-QUÊ, incapaz das mais tênues sensações, percepções, dilatações, arrepios (sem coisa).

Este novo “homem”, este não homem, este EU-SEM-TU-NÃO-SEI-O-QUÊ nada sabe do encontro orgasmático do  EU-TU! Martin Buber, desde 1923, poucos leram seu livro!

© Pietro Nardella-Dellova, Poeta e Escritor. Professor de Direito da Universidade Federal Fluminense.Autor de vários livros, entre os quais, A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS DIÁLOGOS (Livraria Cultura)