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ברוך ה"ה







lunedì 14 novembre 2011

ACERCA DE UMA MULHER ou, como destruir espelhos, academias, manequins, clubes, romarias, religiões, frases positivas, hambúrgueres, fakes e perdições

ACERCA DE UMA MULHER


ou, como destruir espelhos,


academias, manequins,


clubes, romarias,


religiões, frases positivas,


hambúrgueres,


fakes


e perdições...




Pietro Nardella Dellova






“vejo cansadas e mal-amadas,


mulheres ao vento,


no momento de ânsia,


com homens cansados de vento,


momento sem ânsia”




Pietro Dellova,


in ADSUM, 1992






Conheço uma mulher - viva, humana e sonora- que concentra em si todo o poder - na terra - de fazer o amor e a poesia estarem juntos: uma mulher que inspira o beijo íntimo e a música, a delicadeza e o afeto, o navegar por rios e o estar parado diante do mar, o urro e o silêncio; e que inspira o vinho no umbigo, o vôo às estrelas e uma longa caminhada por trilhas na serra.



E inspira o passado, o presente e o futuro! E que inspira, ainda, tanto a audição –de olhos fechados- das aflições de Callas, Mirella e Maysa, quanto a audição sensual de Pausini, Brightman, Giorgia e Marisa Monte e, a qualquer tempo, a alegria inconseqüente de um samba de Adoniran ou de uma tarantella napolitana. Esta mulher provoca a leitura atenta dos amores de Salomão, Petrarca e Vinícius, quanto das angústias de David, Dante e Manuel Bandeira e, não poucas vezes, das ironias de Fernando Pessoa, Machado de Assis e Drummond.



Uma mulher que conduz, sobremodo, à sessão de uma peça de Ésquilo, Shakespeare e Plínio Marcos ou de um filme de Wood Allen, Giuseppe Tornatore e Walter Salles. É uma mulher plena, liberta e determinada – senhora única da sua vida, do seu tempo e das suas mãos. Tem em uma delas o controle da sua própria carne e ossos, da sua alma e sentimentos, do seu espírito e pensamentos; e em outra, o domínio das suas estações de outono, de inverno, de primavera e de verão.



Por isso se enxerga e se compreende poeticamente (o melhor caminho para enxergar e compreender) que esta mulher, graciosa e hábil, é tão serenamente harmônica e completa: corpo-alma-espírito. E por isso se compreende, também, que a poesia é, em função do seu tempo (recomeçando sempre no início do seu outono – para mim é primavera), primeiramente brisa suave, e depois ventos frios e, ainda, flores e borboletas, para ser, finalmente, calor e fogo: é a poesia que nasce do ingênuo olhar esverdeado do menino e de seu suspiro, e reclama, a seguir, a manta e o abraço, e depois a explosão de vida e de cores para, sem piedade, determinar a comunhão - feita da união de corpos e almas de um homem e de uma mulher – pessoas em plenitude!



A um só tempo, esta mulher é tudo, e todas.



Dominante, com olhos ao meio, amada e rebelde. Social e dissimulada, fugidia e inocente de todas as culpas. Resistente e protetora. Nela é possível sentir a carne em chamas, a delicadeza e a singularidade - e o conselho simples e prático, porque em seus braços todas as lições de amor são ensinadas e provocadas. Ela desperta toda vontade de ser Poeta e começar um mundo novo. Esta mulher nos faz erguer o peito e atravessar desertos, mares e vicissitudes, porque nela há um porto, um farol e uma direção.



Esta mulher é assim, como o vinho e como a rocha – que todos procuram matar. Mas, que a força original encoraja aos riscos e jogos da poesia e do amor, e assusta e incita. Mulher a quem se deve beijar nos lábios, nas faces e nos olhos e, depois, ungi-la o tempo inteiro, por inteiro!



A esta mulher se pode oferecer do vinho e da poesia pura, de todas as formas e tamanhos: porque tudo lê e tudo entende. Esta mulher, o pão abençoado - feita pelo engenho e dedos artísticos de D-us - ao lado de quem, tudo parece novo e que desperta a vontade de andar pelo mundo, de ser caminhoneiro, piloto, navegador, astronauta, presidente da república, secretário da ONU, patriarca, rei, de criar, humanizar, plantar trigo e ser jardineiro, de fazer uma cabana, multiplicar filhos e de viver, com intensidade pelo mundo!



Esta mulher pura e forte é o mel (que nunca foi religiosa – nem pertence ao vaticano - nem aflita, nem objeto ou coberta de tecidos escuros) mas, que santifica e encanta, com olhos singulares de Música e Poesia. Formada, não do barro, pedra, madeira, isopor, gesso ou metal de artífices (mercenários, crédulos ou colecionadores) mas, de um bom e melhor material: feita do sangue, carne e espírito das mulheres que nasceram de Lilith e vieram colocando o tolo mundo (com suas idiotices religiosas e patriarcais) de joelhos!



Ela, que oferece o canto, que aconselha e imprime na alma a impressão de que ao seu lado tudo estará bem: sua mesa está posta: pele enrubescida, pupilas e lábios dilatados, corpo perfumado das fragrâncias interiores e sua cama coberta de finíssimos lençóis brancos – porque a seu tempo, esta mulher faz o homem enfrentar a si mesmo, os seus medos, os seus dramas, a sua sociedade desconfiada e mercenária.



E faz, finalmente, o homem compreender que os finíssimos lençóis, o corpo perfumado, as pupilas e lábios dilatados, a pele enrubescida, o pão assado, as flores zeladas, a mesa posta com toalhas brancas e a sua música, não são para receber um asno ou um hipopótamo materialista e prepotente, ou um comedor de hambúrgueres e ração, que pisa jardins, tendo a mente impermeável, nada podendo ouvir de música. Tudo está posto para receber um homem simples e intenso, formado com as almas dos sábios, musicistas, poetas e rebeldes: um homem que ama as forças da criação!



Esta mulher tão completa assim, plena de vinho, pão e mel, e tão superior, traz em si, ainda, algo da perenidade. Ela é delicada e fina; cheia de fogo e vida. Ao andar e ao falar faz lembrar a dança e a sabedoria. Amando e olhando, lembra, docemente, os caminhos pelos quais passeava a amada de David. Provocada, é o silêncio do Neguev!



Eu conheço esta mulher que gesticula, fala, banha-se, perfuma-se, cumprimenta, porta-se, come e se veste como francesa, mas abraça, canta, se molha, brinca e beija como italiana. Esta mulher nasceu para ser assim, para ter seu umbigo feito cálice, para levar todas as noites a ver a lua e as estrelas, e caminhar diante do mar, recebendo da brisa, a poesia e o afeto.



Esta mulher deixa todos, no salão, sentados e calados, enquanto dança, vestida de céu entre fios dourados, leve e única, completamente única, e, por isso, recebe, per tutta la vita, o nome de mulher amada, para ser querida, muito querida, amada, muito amada, amadíssima!



© Pietro Nardella-Dellova (2002)







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4 commenti:

Márgara ha detto...

Lindo Pietro! Parabéns!!!

Isis Liberato ha detto...

Maravilhoso poema enaltecendo a mulher.....eu me sinto encantada com tão lindas palavras...
Parabéns Pietro....lindíssima !!!

Maria Janice ha detto...

Esta mulher não sabe das romarias do consumo. É sim consumida, quando se sabe poesia e se entrega, plácida e indomável.

Teus escritos são mote constante de outros escritos, por nós teus seguidores de ideias, trocadores de impressões, 'imploradores': não pare, não pare nunca, Poeta!

Analuka ha detto...

Parabéns pelas ótimas postagens, caríssimo poeta Pietro! Também, pela bela entrevista (acabo de assistir o vídeo). Deixo abraços alados e leves!!!